Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Aplicar os conhecimentos sobre as literaturas africanas de língua portuguesa em exercícios práticos;
- Identificar autores, obras, países e características estilísticas a partir de fragmentos textuais e descrições;
- Resolver questões de múltipla escolha, associação, análise comparativa e produção textual com segurança.
Por que isso é importante?
Esta bateria de exercícios consolida o conteúdo do Módulo 11, que percorreu as literaturas de Angola, Moçambique e Cabo Verde. As questões simulam o tipo de abordagem que as bancas de vestibular costumam fazer sobre a literatura africana: associação entre autor e país, identificação de temas e estilos, e comparação entre autores de diferentes países ou com autores brasileiros.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas, relacionando cada escritor ao seu respectivo país de origem.
Questão 2 – A produção literária de Mia Couto é frequentemente reconhecida por uma particularidade estética que transforma a língua portuguesa herdada da colonização. Qual alternativa define corretamente essa característica?
a) O resgate rígido das estruturas gramaticais do português clássico europeu.
b) A reinvenção vocabular por meio de neologismos e a valorização da tradição oral.
c) O foco exclusivo na crônica jornalística urbana e sem marcas de lirismo.
d) A recusa em abordar temas históricos e políticos de seu país.
Questão 3 – Leia o fragmento poético abaixo:
"Navegar é preciso para quem tem terra, mas para nós, que nascemos cercados de abismo, o horizonte é uma promessa de ausência."
Pelas características de isolamento e pela forte presença da temática da insularidade, esse trecho evoca a tradição poética desenvolvida em qual destas realidades literárias?
a) Angola, na escrita de Pepetela.
b) Moçambique, na prosa de Paulina Chiziane.
c) Cabo Verde, na poesia de Jorge Barbosa.
d) Moçambique, nos contos de Mia Couto.
Nível MédioQuestão 4 – Examine as duas passagens textuais abaixo para responder aos itens:
Fragmento A (Pepetela):
"O comandante sabia que a verdadeira trincheira não se cavava na terra com pás, mas na mente de cada combatente que duvidava do amanhã."
Fragmento B (Mia Couto):
"As palavras não servem para relatar a guerra. Servem, sim, para desinventar a morte e devolver os rios ao seu curso de água mansa."
a) Identifique a diferença na abordagem estética e no tom que cada autor utiliza para tratar do cenário de conflito armado em seus países.
b) Explique como o contexto histórico de transição política de Angola e de Moçambique se reflete nas perspectivas apresentadas pelos autores nos fragmentos.
Questão 5 – Leia o seguinte trecho, inspirado na perspectiva social de Paulina Chiziane:
"Quando as mulheres daquela vila decidiram partilhar o mesmo quintal, descobriram que a solidão de uma era o espelho da outra. O homem que as dividia passou a ser o elo que, inesperadamente, as unia na mesma mesa."
a) Com base no fragmento, aponte a temática social e o universo cultural africano que estão sendo problematizados.
b) De que maneira a postura dessas personagens femininas representa uma reconfiguração ou quebra dos padrões patriarcais tradicionais?
Questão 6 – Leia os versos abaixo, que dialogam com a lírica de Jorge Barbosa:
"Esta linha do horizonte que nos cerca
prende os nossos passos na areia seca,
mas lança os nossos olhos para o estrangeiro.
O oceano traz o mundo e leva a nossa gente."
a) Identifique o sentimento contraditório (a ambiguidade) que a presença do oceano desperta nos versos.
b) De que maneira esse elemento geográfico atua na construção da identidade cultural do povo cabo-verdiano?
Questão 7 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) comparando a abordagem da realidade social pós-independência nas obras de Pepetela (focando nas contradições urbanas e políticas) e de Paulina Chiziane (focando nas vivências e opressões de gênero). Indique o foco principal de questionamento de cada autor.
Seu parágrafo:
Nível AvançadoQuestão 8 – Leia a seguinte passagem inspirada no estilo de José Eduardo Agualusa:
"O passado é um edifício maleável. Quem tem o poder de contar a história de uma nação tem também a chave para redesenhar as memórias de seus cidadãos."
a) Explique de que forma essa reflexão sobre a maleabilidade da memória condensa as principais discussões estéticas de romances como O Vendedor de Passados.
b) Estabeleça um paralelo entre essa postura irônica de Agualusa diante da "verdade" histórica e o compromisso mais realista ou documental de Pepetela com a história angolana.
Questão 9 – Leia os fragmentos a seguir:
Fragmento A (José Eduardo Agualusa):
"O Atlântico é um espelho que devolve a Luanda as cores do Rio de Janeiro. A música que cruza o oceano prova que a distância geográfica é uma ilusão da cartografia."
Fragmento B (Jorge Barbosa):
"O mar isola estas ilhas do resto da terra, deixando-nos apenas o canto das ondas e a espera do próximo navio."
a) Indique a diferença fundamental de perspectiva no uso do elemento "mar/oceano" em cada um dos fragmentos.
b) Relacione a visão de cada fragmento com a condição geopolítica e cultural histórica de seus respectivos países (Angola e Cabo Verde).
Questão 10 – Produção textual integrada.
Embora a literatura brasileira e as literaturas africanas de língua portuguesa compartilhem o mesmo idioma, seus projetos de construção de identidade nacional ocorreram em temporalidades e contextos distintos. Escolha um autor africano e um brasileiro e escreva um parágrafo (5 a 6 linhas) analisando como ambos utilizam a linguagem (invenção vocabular, oralidade ou mitos) para forjar a identidade de seus povos.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Escritor) | Coluna B (País) |
| 1. Paulina Chiziane | ( ) Angola |
| 2. José Eduardo Agualusa | ( ) Moçambique |
| 3. Baltasar Lopes | ( ) Cabo Verde |
Questão 2 – A produção literária de Mia Couto é frequentemente reconhecida por uma particularidade estética que transforma a língua portuguesa herdada da colonização. Qual alternativa define corretamente essa característica?
a) O resgate rígido das estruturas gramaticais do português clássico europeu.
b) A reinvenção vocabular por meio de neologismos e a valorização da tradição oral.
c) O foco exclusivo na crônica jornalística urbana e sem marcas de lirismo.
d) A recusa em abordar temas históricos e políticos de seu país.
Questão 3 – Leia o fragmento poético abaixo:
"Navegar é preciso para quem tem terra, mas para nós, que nascemos cercados de abismo, o horizonte é uma promessa de ausência."
Pelas características de isolamento e pela forte presença da temática da insularidade, esse trecho evoca a tradição poética desenvolvida em qual destas realidades literárias?
a) Angola, na escrita de Pepetela.
b) Moçambique, na prosa de Paulina Chiziane.
c) Cabo Verde, na poesia de Jorge Barbosa.
d) Moçambique, nos contos de Mia Couto.
Nível MédioQuestão 4 – Examine as duas passagens textuais abaixo para responder aos itens:
Fragmento A (Pepetela):
"O comandante sabia que a verdadeira trincheira não se cavava na terra com pás, mas na mente de cada combatente que duvidava do amanhã."
Fragmento B (Mia Couto):
"As palavras não servem para relatar a guerra. Servem, sim, para desinventar a morte e devolver os rios ao seu curso de água mansa."
a) Identifique a diferença na abordagem estética e no tom que cada autor utiliza para tratar do cenário de conflito armado em seus países.
b) Explique como o contexto histórico de transição política de Angola e de Moçambique se reflete nas perspectivas apresentadas pelos autores nos fragmentos.
Questão 5 – Leia o seguinte trecho, inspirado na perspectiva social de Paulina Chiziane:
"Quando as mulheres daquela vila decidiram partilhar o mesmo quintal, descobriram que a solidão de uma era o espelho da outra. O homem que as dividia passou a ser o elo que, inesperadamente, as unia na mesma mesa."
a) Com base no fragmento, aponte a temática social e o universo cultural africano que estão sendo problematizados.
b) De que maneira a postura dessas personagens femininas representa uma reconfiguração ou quebra dos padrões patriarcais tradicionais?
Questão 6 – Leia os versos abaixo, que dialogam com a lírica de Jorge Barbosa:
"Esta linha do horizonte que nos cerca
prende os nossos passos na areia seca,
mas lança os nossos olhos para o estrangeiro.
O oceano traz o mundo e leva a nossa gente."
a) Identifique o sentimento contraditório (a ambiguidade) que a presença do oceano desperta nos versos.
b) De que maneira esse elemento geográfico atua na construção da identidade cultural do povo cabo-verdiano?
Questão 7 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) comparando a abordagem da realidade social pós-independência nas obras de Pepetela (focando nas contradições urbanas e políticas) e de Paulina Chiziane (focando nas vivências e opressões de gênero). Indique o foco principal de questionamento de cada autor.
Seu parágrafo:
Nível AvançadoQuestão 8 – Leia a seguinte passagem inspirada no estilo de José Eduardo Agualusa:
"O passado é um edifício maleável. Quem tem o poder de contar a história de uma nação tem também a chave para redesenhar as memórias de seus cidadãos."
a) Explique de que forma essa reflexão sobre a maleabilidade da memória condensa as principais discussões estéticas de romances como O Vendedor de Passados.
b) Estabeleça um paralelo entre essa postura irônica de Agualusa diante da "verdade" histórica e o compromisso mais realista ou documental de Pepetela com a história angolana.
Questão 9 – Leia os fragmentos a seguir:
Fragmento A (José Eduardo Agualusa):
"O Atlântico é um espelho que devolve a Luanda as cores do Rio de Janeiro. A música que cruza o oceano prova que a distância geográfica é uma ilusão da cartografia."
Fragmento B (Jorge Barbosa):
"O mar isola estas ilhas do resto da terra, deixando-nos apenas o canto das ondas e a espera do próximo navio."
a) Indique a diferença fundamental de perspectiva no uso do elemento "mar/oceano" em cada um dos fragmentos.
b) Relacione a visão de cada fragmento com a condição geopolítica e cultural histórica de seus respectivos países (Angola e Cabo Verde).
Questão 10 – Produção textual integrada.
Embora a literatura brasileira e as literaturas africanas de língua portuguesa compartilhem o mesmo idioma, seus projetos de construção de identidade nacional ocorreram em temporalidades e contextos distintos. Escolha um autor africano e um brasileiro e escreva um parágrafo (5 a 6 linhas) analisando como ambos utilizam a linguagem (invenção vocabular, oralidade ou mitos) para forjar a identidade de seus povos.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
A associação correta para preencher a coluna dos países é (2), (1), (3).
Paulina Chiziane (Moçambique): É a voz que traz para a literatura as vivências das mulheres moçambicanas e as discussões sobre a poligamia e o patriarcado tradicional.
José Eduardo Agualusa (Angola): Um dos grandes nomes da moderna prosa angolana, conhecido por brincar com as fronteiras entre a ironia, a ficção e a memória histórica de seu país.
Baltasar Lopes (Cabo Verde): Um dos fundadores da revista Claridade, movimento literário crucial que definiu a identidade cabo-verdiana em torno da insularidade, do mar e da emigração.
Questão 2
A resposta correta é a letra b.
O moçambicano Mia Couto se destaca internacionalmente por "desenhar" a língua de um jeito único. Ele pega a língua portuguesa (que veio com o colonizador) e a mistura intimamente com a oralidade das línguas locais (como o changana) e com a tradição dos contadores de histórias africanos. O resultado disso é uma prosa poética recheada de neologismos — palavras inventadas pelo próprio autor —, transformando o idioma em uma ferramenta de reconstrução cultural do país no pós-independência. As outras alternativas estão erradas porque ele foge da rigidez clássica, é extremamente lírico e debate sim a história e a política local.
Questão 3
A resposta correta é a letra c.
O fragmento traz os temas centrais da literatura de Cabo Verde: o "abismo" (viver cercado pelo mar por todos os lados), o isolamento e o horizonte que promete a partida, a ausência ou a emigração. Jorge Barbosa foi o poeta que melhor traduziu esse sentimento de insularidade — a sensação de estar preso nas ilhas e, ao mesmo tempo, ligado ao mundo pelo oceano. Angola e Moçambique, por serem países continentais, possuem outras prioridades temáticas em suas poesias e prosas fundamentais.
Questão 4
Análise do item a (Abordagem e Tom): O Fragmento A, inspirado em Pepetela, traz um tom realista, focado na interioridade e na psicologia do combate. A guerra ali é tratada como um desafio prático e psicológico de sobrevivência e convicção política. Já o Fragmento B, inspirado em Mia Couto, aborda o conflito por um viés puramente lírico e metafórico. O tom é poético, quase místico: a palavra não serve para descrever a violência, mas para curar as feridas dela, reconstruindo o mundo pela imaginação.
Análise do item b (Reflexo Histórico): Pepetela reflete a luta de libertação nacional de Angola contra o domínio colonial português. Trata-se de uma literatura engajada, de resistência ativa e organização em guerrilha. Mia Couto, por sua vez, reflete o trauma da sangrenta guerra civil de Moçambique, ocorrida após a independência. Por ser um conflito interno devastador, a literatura de Mia Couto não busca o tom de combate militar, mas sim o de reconciliação, cura espiritual e reconstrução da memória coletiva fragmentada.
Questão 5
Análise do item a (Temática e Universo): O trecho problematiza a prática da poligamia tradicional e a condição de isolamento social e afetivo enfrentada pelas mulheres dentro desse arranjo familiar em Moçambique.
Análise do item b (Quebra de Padrão): Tradicionalmente, o sistema de poligamia estimula a rivalidade e a disputa de espaço e recursos entre as esposas de um mesmo homem. Ao decidirem se unir, compartilhando suas dores e solidões, as personagens criam um laço de solidariedade feminina (sororidade). Essa união subverte a estrutura patriarcal que as mantinha divididas e subordinadas, transformando o abandono em força coletiva.
Questão 6
Análise do item a (Ambiguidade do Oceano): O oceano desperta um duplo sentimento de aprisionamento e de libertação. Por um lado, ele cria a linha do horizonte que cerca, isola e prende os passos do habitante na terra seca das ilhas. Por outro lado, ele é a única janela para o estrangeiro, o elemento que traz notícias do mundo e serve de estrada para a partida (emigração).
Análise do item b (Identidade Cabo-Verdiana): Esse elemento geográfico molda a identidade de Cabo Verde através do conceito de insularidade. O povo cabo-verdiano se reconhece como um povo de trânsito e de contatos culturais, cuja alma é dividida entre o apego à terra natal (o "ficar") e a necessidade ou o desejo de partir (o "ir"), gerando a típica morabeza e a clássica saudade cabo-verdiana.
Questão 7
Exemplo de resposta esperada:
Enquanto Pepetela foca suas críticas nas contradições do ambiente urbano e nas falhas políticas do governo angolano após a libertação colonial, Paulina Chiziane direciona seu olhar para as dinâmicas sociais de Moçambique, denunciando as opressões de gênero e o peso do patriarcado sobre o corpo e a mente feminina. O autor angolano questiona os rumos do Estado e da burocracia; a autora moçambicana questiona as estruturas íntimas e culturais que silenciam as mulheres.
Nível AvançadoQuestão 8
Análise do item a (Maleabilidade da Memória): Em obras como O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa mostra que a história e a identidade não são blocos de pedra fixos, mas narrativas que podem ser reescritas. Em países que passaram por guerras e traumas profundos, reinventar o passado torna-se uma estratégia de sobrevivência ou de ganho político, revelando que a "verdade" muitas vezes depende de quem detém o poder da narrativa.
Análise do item b (Paralelo entre Agualusa e Pepetela): Pepetela assume uma postura mais documental e ética com a história de Angola: ele denuncia as mentiras do poder oficial para tentar resgatar a verdade dos fatos e as promessas esquecidas da revolução. Agualusa adota uma postura irônica, lúdica e pós-moderna, desconstruindo a própria ideia de que exista uma única verdade histórica absoluta, preferindo focar na pluralidade das versões e na ficcionalização da realidade.
Questão 9
Análise do item a (Diferença de Perspectiva): No Fragmento A, Agualusa enxerga o mar como uma ponte cultural e afetiva fluida, que aproxima territórios distantes (Angola e Brasil) e anula a separação cartográfica pela partilha da língua e dos costumes. No Fragmento B, Jorge Barbosa encara o mar como uma barreira física real e psicológica, focando no isolamento radical que o oceano impõe a quem nasce confinado em um arquipélago.
Análise do item b (Contexto Geopolítico e Cultural): O trecho de Agualusa reflete a visão de uma Angola integrada ao circuito do Atlântico Sul, marcada historicamente pelo intenso intercâmbio com o Brasil. O trecho de Barbosa traduz a angústia da condição ultraperiférica de Cabo Verde durante o período colonial, um conjunto de ilhas fustigadas pela seca e pelo esquecimento político, onde o mar era sinônimo de confinamento e de dependência externa.
Questão 10
Exemplo de resposta esperada:
Mia Couto e Guimarães Rosa utilizam a invenção vocabular e o lirismo da oralidade para traduzir a alma profunda de suas respectivas nações. Em Moçambique, Mia Couto cria neologismos e funde a língua portuguesa às línguas locais para reconstruir a identidade de um país estilhaçado pela guerra civil, mostrando que a linguagem pode curar o tecido social. No Brasil, Guimarães Rosa recria a fala do sertão mineiro em Grande Sertão: Veredas, cruzando erudição e fala popular para transformar o espaço regional em um território universal. Ambos os autores recusam a norma gramatical rígida do colonizador europeu para afirmar a autonomia e a riqueza cultural de seus povos através da literatura.
A associação correta para preencher a coluna dos países é (2), (1), (3).
Paulina Chiziane (Moçambique): É a voz que traz para a literatura as vivências das mulheres moçambicanas e as discussões sobre a poligamia e o patriarcado tradicional.
José Eduardo Agualusa (Angola): Um dos grandes nomes da moderna prosa angolana, conhecido por brincar com as fronteiras entre a ironia, a ficção e a memória histórica de seu país.
Baltasar Lopes (Cabo Verde): Um dos fundadores da revista Claridade, movimento literário crucial que definiu a identidade cabo-verdiana em torno da insularidade, do mar e da emigração.
Questão 2
A resposta correta é a letra b.
O moçambicano Mia Couto se destaca internacionalmente por "desenhar" a língua de um jeito único. Ele pega a língua portuguesa (que veio com o colonizador) e a mistura intimamente com a oralidade das línguas locais (como o changana) e com a tradição dos contadores de histórias africanos. O resultado disso é uma prosa poética recheada de neologismos — palavras inventadas pelo próprio autor —, transformando o idioma em uma ferramenta de reconstrução cultural do país no pós-independência. As outras alternativas estão erradas porque ele foge da rigidez clássica, é extremamente lírico e debate sim a história e a política local.
Questão 3
A resposta correta é a letra c.
O fragmento traz os temas centrais da literatura de Cabo Verde: o "abismo" (viver cercado pelo mar por todos os lados), o isolamento e o horizonte que promete a partida, a ausência ou a emigração. Jorge Barbosa foi o poeta que melhor traduziu esse sentimento de insularidade — a sensação de estar preso nas ilhas e, ao mesmo tempo, ligado ao mundo pelo oceano. Angola e Moçambique, por serem países continentais, possuem outras prioridades temáticas em suas poesias e prosas fundamentais.
Questão 4
Análise do item a (Abordagem e Tom): O Fragmento A, inspirado em Pepetela, traz um tom realista, focado na interioridade e na psicologia do combate. A guerra ali é tratada como um desafio prático e psicológico de sobrevivência e convicção política. Já o Fragmento B, inspirado em Mia Couto, aborda o conflito por um viés puramente lírico e metafórico. O tom é poético, quase místico: a palavra não serve para descrever a violência, mas para curar as feridas dela, reconstruindo o mundo pela imaginação.
Análise do item b (Reflexo Histórico): Pepetela reflete a luta de libertação nacional de Angola contra o domínio colonial português. Trata-se de uma literatura engajada, de resistência ativa e organização em guerrilha. Mia Couto, por sua vez, reflete o trauma da sangrenta guerra civil de Moçambique, ocorrida após a independência. Por ser um conflito interno devastador, a literatura de Mia Couto não busca o tom de combate militar, mas sim o de reconciliação, cura espiritual e reconstrução da memória coletiva fragmentada.
Questão 5
Análise do item a (Temática e Universo): O trecho problematiza a prática da poligamia tradicional e a condição de isolamento social e afetivo enfrentada pelas mulheres dentro desse arranjo familiar em Moçambique.
Análise do item b (Quebra de Padrão): Tradicionalmente, o sistema de poligamia estimula a rivalidade e a disputa de espaço e recursos entre as esposas de um mesmo homem. Ao decidirem se unir, compartilhando suas dores e solidões, as personagens criam um laço de solidariedade feminina (sororidade). Essa união subverte a estrutura patriarcal que as mantinha divididas e subordinadas, transformando o abandono em força coletiva.
Questão 6
Análise do item a (Ambiguidade do Oceano): O oceano desperta um duplo sentimento de aprisionamento e de libertação. Por um lado, ele cria a linha do horizonte que cerca, isola e prende os passos do habitante na terra seca das ilhas. Por outro lado, ele é a única janela para o estrangeiro, o elemento que traz notícias do mundo e serve de estrada para a partida (emigração).
Análise do item b (Identidade Cabo-Verdiana): Esse elemento geográfico molda a identidade de Cabo Verde através do conceito de insularidade. O povo cabo-verdiano se reconhece como um povo de trânsito e de contatos culturais, cuja alma é dividida entre o apego à terra natal (o "ficar") e a necessidade ou o desejo de partir (o "ir"), gerando a típica morabeza e a clássica saudade cabo-verdiana.
Questão 7
Exemplo de resposta esperada:
Enquanto Pepetela foca suas críticas nas contradições do ambiente urbano e nas falhas políticas do governo angolano após a libertação colonial, Paulina Chiziane direciona seu olhar para as dinâmicas sociais de Moçambique, denunciando as opressões de gênero e o peso do patriarcado sobre o corpo e a mente feminina. O autor angolano questiona os rumos do Estado e da burocracia; a autora moçambicana questiona as estruturas íntimas e culturais que silenciam as mulheres.
Nível AvançadoQuestão 8
Análise do item a (Maleabilidade da Memória): Em obras como O Vendedor de Passados, José Eduardo Agualusa mostra que a história e a identidade não são blocos de pedra fixos, mas narrativas que podem ser reescritas. Em países que passaram por guerras e traumas profundos, reinventar o passado torna-se uma estratégia de sobrevivência ou de ganho político, revelando que a "verdade" muitas vezes depende de quem detém o poder da narrativa.
Análise do item b (Paralelo entre Agualusa e Pepetela): Pepetela assume uma postura mais documental e ética com a história de Angola: ele denuncia as mentiras do poder oficial para tentar resgatar a verdade dos fatos e as promessas esquecidas da revolução. Agualusa adota uma postura irônica, lúdica e pós-moderna, desconstruindo a própria ideia de que exista uma única verdade histórica absoluta, preferindo focar na pluralidade das versões e na ficcionalização da realidade.
Questão 9
Análise do item a (Diferença de Perspectiva): No Fragmento A, Agualusa enxerga o mar como uma ponte cultural e afetiva fluida, que aproxima territórios distantes (Angola e Brasil) e anula a separação cartográfica pela partilha da língua e dos costumes. No Fragmento B, Jorge Barbosa encara o mar como uma barreira física real e psicológica, focando no isolamento radical que o oceano impõe a quem nasce confinado em um arquipélago.
Análise do item b (Contexto Geopolítico e Cultural): O trecho de Agualusa reflete a visão de uma Angola integrada ao circuito do Atlântico Sul, marcada historicamente pelo intenso intercâmbio com o Brasil. O trecho de Barbosa traduz a angústia da condição ultraperiférica de Cabo Verde durante o período colonial, um conjunto de ilhas fustigadas pela seca e pelo esquecimento político, onde o mar era sinônimo de confinamento e de dependência externa.
Questão 10
Exemplo de resposta esperada:
Mia Couto e Guimarães Rosa utilizam a invenção vocabular e o lirismo da oralidade para traduzir a alma profunda de suas respectivas nações. Em Moçambique, Mia Couto cria neologismos e funde a língua portuguesa às línguas locais para reconstruir a identidade de um país estilhaçado pela guerra civil, mostrando que a linguagem pode curar o tecido social. No Brasil, Guimarães Rosa recria a fala do sertão mineiro em Grande Sertão: Veredas, cruzando erudição e fala popular para transformar o espaço regional em um território universal. Ambos os autores recusam a norma gramatical rígida do colonizador europeu para afirmar a autonomia e a riqueza cultural de seus povos através da literatura.
Checklist da Aula 8
- Identifico autores, países e obras das literaturas africanas de língua portuguesa.
- Diferencio as características de Angola, Moçambique e Cabo Verde.
- Analisei fragmentos de Pepetela, Agualusa, Mia Couto, Chiziane e Jorge Barbosa.
- Comparei autores africanos entre si e com autores brasileiros.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 9 – Exercícios Mistos + Encerramento do Módulo.
Ligação com a Próxima Aula
Você acaba de consolidar o Módulo 11 com exercícios focados. Agora, resta o último desafio: o simulado final com exercícios mistos.
Na Aula 9 – Exercícios Mistos + Encerramento do Módulo, você enfrentará questões que integram todos os conteúdos do módulo concluindo esta viagem pelas literaturas africanas de língua portuguesa. Até lá!
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