Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender o contexto histórico de Angola, desde a colonização portuguesa até a independência em 1975 e a longa guerra civil que se seguiu;
- Conhecer a obra de Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, o Pepetela, como um dos principais nomes da literatura angolana;
- Identificar as características centrais de sua obra: engajamento político, revisão crítica da história, sátira social, e a busca por uma identidade angolana;
- Analisar trechos de romances como "Mayombe" e "O Cão e os Caluandas", reconhecendo os recursos narrativos e a denúncia social.
Por que isso é importante?
Na Aula 1, você teve uma visão geral das literaturas africanas de língua portuguesa. Agora, vamos mergulhar na história e na literatura de Angola, um país marcado por séculos de colonização, décadas de guerra de libertação e, após a independência, uma longa e sangrenta guerra civil.
Pepetela é um dos escritores mais importantes de Angola e de toda a África lusófona. Sua obra é um testemunho vivo desses conflitos. Ele próprio foi guerrilheiro do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) durante a luta contra Portugal. Depois da independência, em vez de celebrar o poder conquistado, Pepetela usou sua literatura para criticar a corrupção, a burocracia e os descaminhos da nova nação.
Estudar Pepetela é importante para os vestibulares porque suas obras, especialmente "Mayombe" e "O Cão e os Caluandas", são presença constante em provas. Além disso, a literatura angolana oferece um contraponto valioso às narrativas brasileiras: é uma literatura de guerra, de resistência e de reconstrução nacional, que dialoga com questões universais de poder, identidade e justiça social.
Pepetela é um dos escritores mais importantes de Angola e de toda a África lusófona. Sua obra é um testemunho vivo desses conflitos. Ele próprio foi guerrilheiro do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) durante a luta contra Portugal. Depois da independência, em vez de celebrar o poder conquistado, Pepetela usou sua literatura para criticar a corrupção, a burocracia e os descaminhos da nova nação.
Estudar Pepetela é importante para os vestibulares porque suas obras, especialmente "Mayombe" e "O Cão e os Caluandas", são presença constante em provas. Além disso, a literatura angolana oferece um contraponto valioso às narrativas brasileiras: é uma literatura de guerra, de resistência e de reconstrução nacional, que dialoga com questões universais de poder, identidade e justiça social.
Contexto Curioso
Angola foi uma das colônias portuguesas mais importantes da África. Durante séculos, foi um dos principais entrepostos do tráfico de escravos para o Brasil. As relações entre Angola e Brasil são profundas e complexas: compartilhamos a língua, a religião, a música, a culinária e, tragicamente, a história da escravidão.
A luta pela independência de Angola começou na década de 1960, liderada por três movimentos: o MPLA (de orientação marxista, apoiado pela União Soviética e por Cuba), a FNLA e a UNITA (apoiados pelos Estados Unidos e pela África do Sul). A guerra contra Portugal durou até 1974, quando a Revolução dos Cravos pôs fim ao regime colonial português. Angola tornou-se independente em 11 de novembro de 1975. Mas a paz durou pouco: logo eclodiu uma guerra civil entre o MPLA e a UNITA, que se estenderia até 2002.
Pepetela viveu tudo isso. Nascido em 1941, em Benguela, estudou em Portugal, onde se envolveu com o movimento estudantil anticolonial. Voltou para Angola e se juntou à guerrilha do MPLA, combatendo na região de Cabinda. Sua experiência na guerra deu origem a "Mayombe" (1980), um romance que retrata o cotidiano dos guerrilheiros — não como heróis idealizados, mas como homens cheios de dúvidas, medos e contradições. Já "O Cão e os Caluandas" (1985) é uma sátira mordaz sobre a burocracia e a corrupção na Angola pós-independência, mostrando que a luta pela liberdade não terminou com a expulsão do colonizador.
A luta pela independência de Angola começou na década de 1960, liderada por três movimentos: o MPLA (de orientação marxista, apoiado pela União Soviética e por Cuba), a FNLA e a UNITA (apoiados pelos Estados Unidos e pela África do Sul). A guerra contra Portugal durou até 1974, quando a Revolução dos Cravos pôs fim ao regime colonial português. Angola tornou-se independente em 11 de novembro de 1975. Mas a paz durou pouco: logo eclodiu uma guerra civil entre o MPLA e a UNITA, que se estenderia até 2002.
Pepetela viveu tudo isso. Nascido em 1941, em Benguela, estudou em Portugal, onde se envolveu com o movimento estudantil anticolonial. Voltou para Angola e se juntou à guerrilha do MPLA, combatendo na região de Cabinda. Sua experiência na guerra deu origem a "Mayombe" (1980), um romance que retrata o cotidiano dos guerrilheiros — não como heróis idealizados, mas como homens cheios de dúvidas, medos e contradições. Já "O Cão e os Caluandas" (1985) é uma sátira mordaz sobre a burocracia e a corrupção na Angola pós-independência, mostrando que a luta pela liberdade não terminou com a expulsão do colonizador.
Teoria Explicada do Zero
Pepetela: O Escritor-Guerrilheiro
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos adotou o nome de guerra "Pepetela" (que significa "pestana" em quimbundo, uma língua angolana) durante a guerrilha. Nascido em 1941, em Benguela, formou-se em Sociologia e viveu intensamente os acontecimentos que marcaram Angola no século XX. Sua obra reflete esse compromisso com a história de seu país. Pepetela é um autor prolífico, com romances, peças de teatro e ensaios. Seus principais livros são:
· "Mayombe" (1980): Romance sobre a guerra de libertação. Um grupo de guerrilheiros do MPLA está acampado na floresta do Mayombe, no norte de Angola. O romance explora as tensões internas do grupo — as divisões étnicas, as rivalidades pessoais, as dúvidas sobre o futuro do país. O narrador é um dos guerrilheiros, e a narrativa alterna a ação com reflexões íntimas.
· "O Cão e os Caluandas" (1985): Sátira sobre a burocracia e a corrupção na Angola pós-independência. Um pastor alemão (o cão) foge de casa e percorre a cidade de Luanda, encontrando uma galeria de personagens que representam os vícios do novo poder — burocratas, aproveitadores, idealistas desiludidos.
· "A Geração da Utopia" (1992): Romance que acompanha um grupo de jovens angolanos desde os tempos de estudante em Portugal, passando pela guerrilha, até a desilusão com a independência. O título é irônico: a utopia da libertação se desfez na corrupção e na guerra civil.
Características da Obra de Pepetela
· Engajamento Político e Testemunho Histórico: Pepetela escreve a partir de sua própria experiência. Seus romances são documentos literários da luta armada e da construção (e desconstrução) da nação angolana.
· Crítica ao Poder e à Corrupção: Pepetela não poupa o governo pós-independência. Ele denuncia a burocracia, o nepotismo, a corrupção e a traição dos ideais revolucionários. Sua literatura é uma forma de cobrar coerência do poder.
· Personagens Complexos e Contraditórios: Os guerrilheiros de "Mayombe" não são heróis unidimensionais. Eles têm medo, ciúmes, preconceitos, dúvidas. Essa humanização é uma das marcas da literatura de Pepetela.
· Sátira e Ironia: Especialmente em "O Cão e os Caluandas", Pepetela usa o humor e a sátira para expor os absurdos da burocracia angolana. O cão que percorre a cidade é um observador privilegiado, cujo olhar "estrangeiro" revela o ridículo da sociedade.
· Oralidade e Diversidade Linguística: A prosa de Pepetela incorpora palavras e expressões das línguas angolanas (quimbundo, umbundo) e recria a oralidade dos falantes.
· Busca da Identidade Angolana: O que significa ser angolano, depois de séculos de colonização e de uma guerra civil? Pepetela investiga essa questão, mostrando a diversidade étnica e cultural do país e os desafios de construir uma nação unificada.
Quadro-Resumo: Pepetela e a Literatura Angolana
Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos adotou o nome de guerra "Pepetela" (que significa "pestana" em quimbundo, uma língua angolana) durante a guerrilha. Nascido em 1941, em Benguela, formou-se em Sociologia e viveu intensamente os acontecimentos que marcaram Angola no século XX. Sua obra reflete esse compromisso com a história de seu país. Pepetela é um autor prolífico, com romances, peças de teatro e ensaios. Seus principais livros são:
· "Mayombe" (1980): Romance sobre a guerra de libertação. Um grupo de guerrilheiros do MPLA está acampado na floresta do Mayombe, no norte de Angola. O romance explora as tensões internas do grupo — as divisões étnicas, as rivalidades pessoais, as dúvidas sobre o futuro do país. O narrador é um dos guerrilheiros, e a narrativa alterna a ação com reflexões íntimas.
· "O Cão e os Caluandas" (1985): Sátira sobre a burocracia e a corrupção na Angola pós-independência. Um pastor alemão (o cão) foge de casa e percorre a cidade de Luanda, encontrando uma galeria de personagens que representam os vícios do novo poder — burocratas, aproveitadores, idealistas desiludidos.
· "A Geração da Utopia" (1992): Romance que acompanha um grupo de jovens angolanos desde os tempos de estudante em Portugal, passando pela guerrilha, até a desilusão com a independência. O título é irônico: a utopia da libertação se desfez na corrupção e na guerra civil.
Características da Obra de Pepetela
· Engajamento Político e Testemunho Histórico: Pepetela escreve a partir de sua própria experiência. Seus romances são documentos literários da luta armada e da construção (e desconstrução) da nação angolana.
· Crítica ao Poder e à Corrupção: Pepetela não poupa o governo pós-independência. Ele denuncia a burocracia, o nepotismo, a corrupção e a traição dos ideais revolucionários. Sua literatura é uma forma de cobrar coerência do poder.
· Personagens Complexos e Contraditórios: Os guerrilheiros de "Mayombe" não são heróis unidimensionais. Eles têm medo, ciúmes, preconceitos, dúvidas. Essa humanização é uma das marcas da literatura de Pepetela.
· Sátira e Ironia: Especialmente em "O Cão e os Caluandas", Pepetela usa o humor e a sátira para expor os absurdos da burocracia angolana. O cão que percorre a cidade é um observador privilegiado, cujo olhar "estrangeiro" revela o ridículo da sociedade.
· Oralidade e Diversidade Linguística: A prosa de Pepetela incorpora palavras e expressões das línguas angolanas (quimbundo, umbundo) e recria a oralidade dos falantes.
· Busca da Identidade Angolana: O que significa ser angolano, depois de séculos de colonização e de uma guerra civil? Pepetela investiga essa questão, mostrando a diversidade étnica e cultural do país e os desafios de construir uma nação unificada.
Quadro-Resumo: Pepetela e a Literatura Angolana
| Aspecto | Características |
| Autor | Pepetela (Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos), 1941- . |
| País | Angola. |
| Contexto | Guerra de libertação (1961-1974), independência (1975), guerra civil (1975-2002). |
| Temas centrais | Luta armada, corrupção, burocracia, identidade nacional, desilusão pós-colonial. |
| Obras principais | "Mayombe" (1980), "O Cão e os Caluandas" (1985), "A Geração da Utopia" (1992). |
| Estilo | Realismo crítico, sátira, oralidade, incorporação de línguas angolanas. |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Pepetela, "Mayombe" (A Guerra e a Dúvida):
"No Mayombe, a luta era contra os tugas, mas também contra o medo. Cada homem carregava sua própria guerra dentro de si. O mato fechado escondia o inimigo, mas também escondia os fantasmas de cada um."
-> Análise: O trecho revela a complexidade da luta armada. Os guerrilheiros não enfrentam apenas os soldados portugueses ("tugas"), mas também seus próprios medos e contradições. A floresta do Mayombe é ao mesmo tempo aliada (esconde) e inimiga (esconde o inimigo). A linguagem é direta, mas carregada de simbolismo.
Exemplo 2 – Pepetela, "O Cão e os Caluandas" (Sátira e Burocracia):
"O cão farejou o papel. Cheirava a mofo, a anos de arquivo. Era um requerimento dirigido ao Ministro das Pescas, solicitando autorização para pescar em águas territoriais. O papel tinha duzentas e trinta e sete assinaturas. O cão, perplexo, ergueu a perna e urinou sobre ele."
-> Análise: A sátira é explícita e corrosiva. O requerimento com centenas de assinaturas simboliza a burocracia absurda e ineficiente. O gesto do cão (urinar sobre o papel) é o comentário final de Pepetela sobre a máquina estatal: ela não serve para nada. O humor é feroz.
Exemplo 3 – Pepetela, "A Geração da Utopia" (Desilusão):
"Tinham sonhado com um país livre, justo, fraterno. O país veio, mas a liberdade ficou no meio do caminho. A justiça se perdeu nos gabinetes. E a fraternidade? Essa morreu na primeira esquina."
-> Análise: O título do romance é irônico. A "utopia" da libertação se desfez na corrupção e na guerra civil. O tom é de desencanto e luto. Pepetela não ataca o poder com raiva, mas com tristeza.
"No Mayombe, a luta era contra os tugas, mas também contra o medo. Cada homem carregava sua própria guerra dentro de si. O mato fechado escondia o inimigo, mas também escondia os fantasmas de cada um."
-> Análise: O trecho revela a complexidade da luta armada. Os guerrilheiros não enfrentam apenas os soldados portugueses ("tugas"), mas também seus próprios medos e contradições. A floresta do Mayombe é ao mesmo tempo aliada (esconde) e inimiga (esconde o inimigo). A linguagem é direta, mas carregada de simbolismo.
Exemplo 2 – Pepetela, "O Cão e os Caluandas" (Sátira e Burocracia):
"O cão farejou o papel. Cheirava a mofo, a anos de arquivo. Era um requerimento dirigido ao Ministro das Pescas, solicitando autorização para pescar em águas territoriais. O papel tinha duzentas e trinta e sete assinaturas. O cão, perplexo, ergueu a perna e urinou sobre ele."
-> Análise: A sátira é explícita e corrosiva. O requerimento com centenas de assinaturas simboliza a burocracia absurda e ineficiente. O gesto do cão (urinar sobre o papel) é o comentário final de Pepetela sobre a máquina estatal: ela não serve para nada. O humor é feroz.
Exemplo 3 – Pepetela, "A Geração da Utopia" (Desilusão):
"Tinham sonhado com um país livre, justo, fraterno. O país veio, mas a liberdade ficou no meio do caminho. A justiça se perdeu nos gabinetes. E a fraternidade? Essa morreu na primeira esquina."
-> Análise: O título do romance é irônico. A "utopia" da libertação se desfez na corrupção e na guerra civil. O tom é de desencanto e luto. Pepetela não ataca o poder com raiva, mas com tristeza.
O Essencial (Guarde Isso)
- Pepetela (1941-): Principal nome da literatura angolana. Ex-guerrilheiro do MPLA.
- Principais obras: "Mayombe" (1980) — a guerra de libertação por dentro. "O Cão e os Caluandas" (1985) — sátira à burocracia pós-independência. "A Geração da Utopia" (1992) — desilusão com o projeto nacional.
- Características: Engajamento político, crítica ao poder, personagens complexos, sátira, oralidade, busca da identidade angolana.
Dicas Práticas
Dica 1 (Associe a obra ao tema): "Mayombe" → guerra de libertação. "O Cão e os Caluandas" → sátira à burocracia. "A Geração da Utopia" → desilusão pós-independência. Essa associação resolve a maioria das questões de identificação.
Dica 2 (Observe a crítica ao poder): Pepetela não é um panfletário que exalta o governo. Ele denuncia a corrupção e a traição dos ideais revolucionários. Se o texto tem tom de sátira ou desilusão, é Pepetela.
Dica 3 (Compare com a literatura de resistência brasileira): Ambos os contextos envolvem luta contra a opressão e censura, mas Pepetela esteve diretamente envolvido na guerrilha, o que dá à sua obra um caráter testemunhal único.
Dica 4 (Atenção às línguas angolanas): Palavras como "quimbundo", "umbundo", "tuga" (português) são pistas de que o texto pertence à literatura angolana.
Dica 2 (Observe a crítica ao poder): Pepetela não é um panfletário que exalta o governo. Ele denuncia a corrupção e a traição dos ideais revolucionários. Se o texto tem tom de sátira ou desilusão, é Pepetela.
Dica 3 (Compare com a literatura de resistência brasileira): Ambos os contextos envolvem luta contra a opressão e censura, mas Pepetela esteve diretamente envolvido na guerrilha, o que dá à sua obra um caráter testemunhal único.
Dica 4 (Atenção às línguas angolanas): Palavras como "quimbundo", "umbundo", "tuga" (português) são pistas de que o texto pertence à literatura angolana.
Dúvidas Frequentes
Pepetela é um autor panfletário?
Não. Embora profundamente político, Pepetela cria personagens complexos e contraditórios, que refletem a ambiguidade da experiência humana. Sua literatura não oferece respostas fáceis.
"Mayombe" é um romance de guerra?
Sim, mas não é uma exaltação épica. É um retrato íntimo dos guerrilheiros, com suas dúvidas, medos e conflitos internos. A guerra é o cenário, mas o tema é a alma humana.
Por que o cão em "O Cão e os Caluandas"?
O cão é um observador "estrangeiro" que percorre a cidade e, com seu olhar inocente, revela o absurdo da burocracia e da corrupção. É um recurso satírico muito eficaz.
Não. Embora profundamente político, Pepetela cria personagens complexos e contraditórios, que refletem a ambiguidade da experiência humana. Sua literatura não oferece respostas fáceis.
"Mayombe" é um romance de guerra?
Sim, mas não é uma exaltação épica. É um retrato íntimo dos guerrilheiros, com suas dúvidas, medos e conflitos internos. A guerra é o cenário, mas o tema é a alma humana.
Por que o cão em "O Cão e os Caluandas"?
O cão é um observador "estrangeiro" que percorre a cidade e, com seu olhar inocente, revela o absurdo da burocracia e da corrupção. É um recurso satírico muito eficaz.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual país africano é o cenário da obra de Pepetela?
a) Moçambique
b) Cabo Verde
c) Angola
d) Guiné-Bissau
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"No Mayombe, a luta era contra os tugas, mas também contra o medo. Cada homem carregava sua própria guerra dentro de si."
a) Explique a dupla luta mencionada no trecho: contra os "tugas" e contra o medo. O que isso revela sobre a visão de Pepetela acerca da guerra?
b) Identifique uma característica da prosa de Pepetela presente no fragmento.
Questão 4 – Compare a crítica ao poder presente em "O Cão e os Caluandas", de Pepetela, com a crítica ao poder no "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto. Qual a semelhança e qual a principal diferença de contexto?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que Pepetela é considerado um escritor que, mesmo após a independência de Angola, continuou fazendo uma literatura de denúncia.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Obra) | Coluna B (Tema Central) |
| 1. "Mayombe" | ( ) Sátira à burocracia pós-independência. |
| 2. "O Cão e os Caluandas" | ( ) A guerra de libertação angolana. |
Questão 2 – Qual país africano é o cenário da obra de Pepetela?
a) Moçambique
b) Cabo Verde
c) Angola
d) Guiné-Bissau
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"No Mayombe, a luta era contra os tugas, mas também contra o medo. Cada homem carregava sua própria guerra dentro de si."
a) Explique a dupla luta mencionada no trecho: contra os "tugas" e contra o medo. O que isso revela sobre a visão de Pepetela acerca da guerra?
b) Identifique uma característica da prosa de Pepetela presente no fragmento.
Questão 4 – Compare a crítica ao poder presente em "O Cão e os Caluandas", de Pepetela, com a crítica ao poder no "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto. Qual a semelhança e qual a principal diferença de contexto?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que Pepetela é considerado um escritor que, mesmo após a independência de Angola, continuou fazendo uma literatura de denúncia.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: c) Angola.
Questão 3
a) A "dupla luta" refere-se ao combate contra o inimigo externo (os portugueses) e ao combate interno contra os próprios medos e contradições. Isso revela que Pepetela não idealiza os guerrilheiros — ele os mostra como seres humanos complexos, que enfrentam a guerra tanto no campo de batalha quanto dentro de si.
b) A linguagem direta, mas carregada de simbolismo ("carregava sua própria guerra dentro de si"). A frase tem um tom reflexivo e humano, típico de Pepetela.
Questão 4
A semelhança é o uso do humor e da sátira para expor a burocracia e a ineficiência do Estado. Tanto Pepetela quanto Lima Barreto ridicularizam o poder estabelecido. A principal diferença de contexto é que Lima Barreto critica a burocracia da Primeira República brasileira, enquanto Pepetela critica a burocracia da Angola pós-independência — um Estado que acabara de se libertar do colonizador, mas que já reproduzia vícios de poder. Lima Barreto denuncia o Brasil republicano; Pepetela denuncia a traição dos ideais revolucionários.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Pepetela é considerado um escritor de denúncia mesmo após a independência porque, em vez de celebrar o novo poder, ele o criticou. Em 'O Cão e os Caluandas', ele satiriza a burocracia angolana, mostrando que a luta pela liberdade não terminou com a expulsão do colonizador. Para Pepetela, a verdadeira libertação só viria com justiça social e honestidade, e sua literatura cobra esses valores."
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: c) Angola.
Questão 3
a) A "dupla luta" refere-se ao combate contra o inimigo externo (os portugueses) e ao combate interno contra os próprios medos e contradições. Isso revela que Pepetela não idealiza os guerrilheiros — ele os mostra como seres humanos complexos, que enfrentam a guerra tanto no campo de batalha quanto dentro de si.
b) A linguagem direta, mas carregada de simbolismo ("carregava sua própria guerra dentro de si"). A frase tem um tom reflexivo e humano, típico de Pepetela.
Questão 4
A semelhança é o uso do humor e da sátira para expor a burocracia e a ineficiência do Estado. Tanto Pepetela quanto Lima Barreto ridicularizam o poder estabelecido. A principal diferença de contexto é que Lima Barreto critica a burocracia da Primeira República brasileira, enquanto Pepetela critica a burocracia da Angola pós-independência — um Estado que acabara de se libertar do colonizador, mas que já reproduzia vícios de poder. Lima Barreto denuncia o Brasil republicano; Pepetela denuncia a traição dos ideais revolucionários.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Pepetela é considerado um escritor de denúncia mesmo após a independência porque, em vez de celebrar o novo poder, ele o criticou. Em 'O Cão e os Caluandas', ele satiriza a burocracia angolana, mostrando que a luta pela liberdade não terminou com a expulsão do colonizador. Para Pepetela, a verdadeira libertação só viria com justiça social e honestidade, e sua literatura cobra esses valores."
Checklist da Aula 2
- Conheço Pepetela e sua importância na literatura angolana.
- Identifico as características de sua obra: engajamento, crítica ao poder, personagens complexos.
- Compreendi os temas de "Mayombe" e "O Cão e os Caluandas".
- Sei diferenciar a literatura de Pepetela da literatura de outros autores africanos.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 3 – Angola: José Eduardo Agualusa e a Identidade Cultural.
Ligação com a Próxima Aula
Você conheceu a literatura angolana do engajamento e da crítica social, com Pepetela. Mas Angola também produziu escritores que exploram a identidade cultural e a história com outros recursos, como a ironia, o fantástico e a colagem de gêneros. O principal nome dessa vertente é José Eduardo Agualusa.
Na Aula 3 – Angola: José Eduardo Agualusa e a Identidade Cultural, você mergulhará na obra de um dos escritores mais inventivos da língua portuguesa contemporânea, autor de "O Vendedor de Passados" e "Nação Crioula". Até lá!
Na Aula 3 – Angola: José Eduardo Agualusa e a Identidade Cultural, você mergulhará na obra de um dos escritores mais inventivos da língua portuguesa contemporânea, autor de "O Vendedor de Passados" e "Nação Crioula". Até lá!