Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Conhecer Euclides da Cunha como o principal nome do Pré-Modernismo e sua obra-prima, "Os Sertões" (1902);
- Compreender a estrutura da obra e seus três eixos — A Terra, O Homem, A Luta — como um projeto de análise do Brasil;
- Identificar as marcas estilísticas de Euclides da Cunha: linguagem grandiosa e barroca, mistura de ciência e literatura, determinismo do meio e denúncia da guerra de Canudos;
- Analisar trechos da obra, reconhecendo o olhar do autor sobre o sertanejo e sobre o conflito.
Por que isso é importante?
Na Aula 1, você conheceu o panorama do Pré-Modernismo: um período de transição, sem unidade estética, mas com um traço comum — a vontade de investigar o Brasil e expor suas contradições. Nenhuma obra representa melhor esse projeto do que "Os Sertões", de Euclides da Cunha.
Publicado em 1902, "Os Sertões" é um livro que desafia classificações. É, ao mesmo tempo, um relato jornalístico, um tratado sociológico, um ensaio histórico e uma obra de arte literária. Narra a Guerra de Canudos (1896-1897), no sertão da Bahia, em que milhares de sertanejos liderados por Antônio Conselheiro foram massacrados pelo Exército brasileiro. Euclides da Cunha esteve lá como correspondente de guerra, e o que viu transformou sua visão do Brasil.
Estudar "Os Sertões" é importante para os vestibulares porque a obra é presença constante nas provas. As questões costumam cobrar a estrutura tripartite, a análise de trechos famosos (especialmente a descrição do sertanejo como "um forte"), a linguagem de Euclides da Cunha e a relação entre ciência e literatura. Além disso, a obra é um marco da cultura brasileira — inspirou romances, filmes, músicas e debates que perduram até hoje.
Publicado em 1902, "Os Sertões" é um livro que desafia classificações. É, ao mesmo tempo, um relato jornalístico, um tratado sociológico, um ensaio histórico e uma obra de arte literária. Narra a Guerra de Canudos (1896-1897), no sertão da Bahia, em que milhares de sertanejos liderados por Antônio Conselheiro foram massacrados pelo Exército brasileiro. Euclides da Cunha esteve lá como correspondente de guerra, e o que viu transformou sua visão do Brasil.
Estudar "Os Sertões" é importante para os vestibulares porque a obra é presença constante nas provas. As questões costumam cobrar a estrutura tripartite, a análise de trechos famosos (especialmente a descrição do sertanejo como "um forte"), a linguagem de Euclides da Cunha e a relação entre ciência e literatura. Além disso, a obra é um marco da cultura brasileira — inspirou romances, filmes, músicas e debates que perduram até hoje.
Contexto Curioso
Euclides da Cunha (1866-1909) era um homem de múltiplos talentos: engenheiro militar, jornalista, geógrafo, historiador e escritor. Em 1897, foi enviado pelo jornal "O Estado de S. Paulo" a Canudos para cobrir o desfecho da guerra. O que ele testemunhou — a resistência obstinada dos sertanejos diante de um exército infinitamente superior — o impressionou profundamente. Euclides foi a Canudos acreditando no discurso oficial de que a monarquia ameaçava a República. Voltou convencido de que testemunhara um crime: o massacre de uma comunidade inteira que só queria viver sua fé em paz.
Durante cinco anos, Euclides mergulhou em bibliotecas, estudou geologia, botânica, antropologia e história para escrever "Os Sertões". O resultado foi um livro monumental, de mais de 500 páginas, que funde ciência e literatura de uma forma inédita no Brasil. A linguagem de Euclides é uma das mais elaboradas da nossa literatura — ele usa um vocabulário raro, constrói períodos longos e complexos, e emprega metáforas grandiosas para descrever tanto a paisagem quanto o drama humano.
A recepção do livro foi imediata e estrondosa. Críticos e leitores saudaram "Os Sertões" como uma obra-prima. Euclides foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Mas sua vida terminou de forma trágica: em 1909, ele foi morto a tiros pelo amante de sua esposa. Tinha apenas 43 anos e deixava uma obra que mudaria para sempre a literatura brasileira.
Durante cinco anos, Euclides mergulhou em bibliotecas, estudou geologia, botânica, antropologia e história para escrever "Os Sertões". O resultado foi um livro monumental, de mais de 500 páginas, que funde ciência e literatura de uma forma inédita no Brasil. A linguagem de Euclides é uma das mais elaboradas da nossa literatura — ele usa um vocabulário raro, constrói períodos longos e complexos, e emprega metáforas grandiosas para descrever tanto a paisagem quanto o drama humano.
A recepção do livro foi imediata e estrondosa. Críticos e leitores saudaram "Os Sertões" como uma obra-prima. Euclides foi eleito para a Academia Brasileira de Letras e para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Mas sua vida terminou de forma trágica: em 1909, ele foi morto a tiros pelo amante de sua esposa. Tinha apenas 43 anos e deixava uma obra que mudaria para sempre a literatura brasileira.
Teoria Explicada do Zero
Euclides da Cunha e o Projeto de "Os Sertões"
Euclides da Cunha (1866-1909) escreveu "Os Sertões" com um objetivo ambicioso: explicar Canudos. Para ele, a guerra não era um episódio isolado, mas o sintoma de um problema profundo — o abismo entre o Brasil do litoral (urbano, europeizado) e o Brasil do sertão (arcaico, abandonado). O livro é a tentativa de construir uma ponte entre esses dois mundos.
Estrutura de "Os Sertões"
A obra é dividida em três partes, que correspondem a três dimensões de análise:
A Terra: A primeira parte é um estudo do meio físico — a geografia, o clima, a geologia do sertão baiano. Euclides descreve a caatinga, a seca, as formações rochosas. Mas essa descrição não é meramente científica — a terra é tratada como um personagem, uma força que molda o homem. A seca é o grande inimigo, mas também o grande forjador do caráter sertanejo.
O Homem: A segunda parte é um estudo do homem sertanejo — sua origem étnica (o cruzamento de índios, brancos e negros), sua psicologia, sua cultura, sua religião. Euclides tenta entender o que faz o sertanejo ser como é. É nessa parte que aparece a famosa frase: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Para Euclides, o sertanejo é um Hércules-Quasímodo — desengonçado por fora, mas resistente por dentro. A mestiçagem, que as teorias racistas da época consideravam um fator de degeneração, é tratada por Euclides com ambiguidade — ele oscila entre o preconceito e a admiração.
A Luta: A terceira parte é a narrativa da guerra propriamente dita — as quatro expedições militares contra Canudos, até o massacre final. Euclides descreve as batalhas com riqueza de detalhes, dando voz tanto aos soldados quanto aos sertanejos. O tom se torna cada vez mais trágico e indignado. O livro termina com a destruição total de Canudos e a constatação de que o Brasil cometeu um crime contra si mesmo.
Características Estilísticas de Euclides da Cunha
· Linguagem Grandiosa e Barroca: O estilo de Euclides é marcado por um vocabulário raro e erudito, por períodos longos e complexos, e por metáforas e comparações de grande impacto visual. É uma prosa que busca a grandiosidade da epopeia.
· Mistura de Ciência e Literatura: Euclides usa teorias científicas da época (determinismo, evolucionismo, geologia) para analisar a realidade, mas sua linguagem é altamente literária. Ele não separa o olhar do cientista do olhar do artista.
· Determinismo do Meio (influência do Naturalismo): Para Euclides, o meio físico explica o homem. A seca, a caatinga, o isolamento geográfico forjaram o caráter do sertanejo. Mas, ao contrário de um naturalista ortodoxo, Euclides não reduz o homem a um simples produto do meio — há nele uma dimensão de heroísmo e de mistério.
· Denúncia e Indignação: À medida que a narrativa avança, o tom científico dá lugar à denúncia. Euclides se revolta contra o massacre de Canudos e acusa o Brasil de ter destruído uma comunidade que só queria viver sua fé.
· Antíteses e Contrastes: A obra é construída sobre contrastes: litoral × sertão, civilização × barbárie, modernidade × tradição, razão × fé. A antítese é a figura de linguagem central de "Os Sertões", e ela expressa o drama de um país dividido.
Quadro-Resumo: "Os Sertões"
Euclides da Cunha (1866-1909) escreveu "Os Sertões" com um objetivo ambicioso: explicar Canudos. Para ele, a guerra não era um episódio isolado, mas o sintoma de um problema profundo — o abismo entre o Brasil do litoral (urbano, europeizado) e o Brasil do sertão (arcaico, abandonado). O livro é a tentativa de construir uma ponte entre esses dois mundos.
Estrutura de "Os Sertões"
A obra é dividida em três partes, que correspondem a três dimensões de análise:
A Terra: A primeira parte é um estudo do meio físico — a geografia, o clima, a geologia do sertão baiano. Euclides descreve a caatinga, a seca, as formações rochosas. Mas essa descrição não é meramente científica — a terra é tratada como um personagem, uma força que molda o homem. A seca é o grande inimigo, mas também o grande forjador do caráter sertanejo.
O Homem: A segunda parte é um estudo do homem sertanejo — sua origem étnica (o cruzamento de índios, brancos e negros), sua psicologia, sua cultura, sua religião. Euclides tenta entender o que faz o sertanejo ser como é. É nessa parte que aparece a famosa frase: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte". Para Euclides, o sertanejo é um Hércules-Quasímodo — desengonçado por fora, mas resistente por dentro. A mestiçagem, que as teorias racistas da época consideravam um fator de degeneração, é tratada por Euclides com ambiguidade — ele oscila entre o preconceito e a admiração.
A Luta: A terceira parte é a narrativa da guerra propriamente dita — as quatro expedições militares contra Canudos, até o massacre final. Euclides descreve as batalhas com riqueza de detalhes, dando voz tanto aos soldados quanto aos sertanejos. O tom se torna cada vez mais trágico e indignado. O livro termina com a destruição total de Canudos e a constatação de que o Brasil cometeu um crime contra si mesmo.
Características Estilísticas de Euclides da Cunha
· Linguagem Grandiosa e Barroca: O estilo de Euclides é marcado por um vocabulário raro e erudito, por períodos longos e complexos, e por metáforas e comparações de grande impacto visual. É uma prosa que busca a grandiosidade da epopeia.
· Mistura de Ciência e Literatura: Euclides usa teorias científicas da época (determinismo, evolucionismo, geologia) para analisar a realidade, mas sua linguagem é altamente literária. Ele não separa o olhar do cientista do olhar do artista.
· Determinismo do Meio (influência do Naturalismo): Para Euclides, o meio físico explica o homem. A seca, a caatinga, o isolamento geográfico forjaram o caráter do sertanejo. Mas, ao contrário de um naturalista ortodoxo, Euclides não reduz o homem a um simples produto do meio — há nele uma dimensão de heroísmo e de mistério.
· Denúncia e Indignação: À medida que a narrativa avança, o tom científico dá lugar à denúncia. Euclides se revolta contra o massacre de Canudos e acusa o Brasil de ter destruído uma comunidade que só queria viver sua fé.
· Antíteses e Contrastes: A obra é construída sobre contrastes: litoral × sertão, civilização × barbárie, modernidade × tradição, razão × fé. A antítese é a figura de linguagem central de "Os Sertões", e ela expressa o drama de um país dividido.
Quadro-Resumo: "Os Sertões"
| Aspecto | Características |
| Autor | Euclides da Cunha (1866-1909). |
| Publicação | 1902 — marco inicial do Pré-Modernismo. |
| Estrutura | Três partes: A Terra (meio físico) — O Homem (sertanejo) — A Luta (guerra de Canudos). |
| Estilo | Linguagem grandiosa e barroca — mistura de ciência e literatura — determinismo do meio — antíteses. |
| Tema central | A guerra de Canudos como revelação do abismo entre os dois "Brasis" — o litoral e o sertão. |
| Frase emblemática | "O sertanejo é, antes de tudo, um forte." |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – A Descrição do Sertanejo (O Homem):
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. (...) É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete o aspecto, a fealdade típica dos fracos."
-> Análise: A frase de abertura é uma das mais famosas da literatura brasileira. O oxímoro (forte/aparência de fraco) sintetiza a tese de Euclides: o sertanejo parece frágil, mas é resistente. A metáfora "Hércules-Quasímodo" une a força do herói mitológico à feiura do corcunda de Notre-Dame — o sertanejo é um herói disforme. O olhar de Euclides oscila entre a admiração e a estranheza.
Exemplo 2 – A Descrição da Terra (A Terra):
"É de ver, então, os sertanejos, no desespero dos retirantes, tangidos pelo flagelo das secas, abalando pelos caminhos, em longas procissões de infelizes, arrastando os seus lares, levando os seus penates, carregando os seus mortos."
-> Análise: A descrição da seca é grandiosa e trágica. A terra é uma força hostil que expulsa seus filhos. O vocabulário é elevado ("flagelo", "penates"), e o tom é de épica desolação.
Exemplo 3 – O Final Trágico (A Luta):
"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíam os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados."
-> Análise: O último parágrafo de "Os Sertões" é um dos mais impactantes da literatura brasileira. A frase inicial ("Canudos não se rendeu") é lapidar. Euclides descreve a resistência final como um ato de heroísmo desesperado. A desproporção entre os quatro últimos defensores e os cinco mil soldados é o símbolo da brutalidade do massacre.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. (...) É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete o aspecto, a fealdade típica dos fracos."
-> Análise: A frase de abertura é uma das mais famosas da literatura brasileira. O oxímoro (forte/aparência de fraco) sintetiza a tese de Euclides: o sertanejo parece frágil, mas é resistente. A metáfora "Hércules-Quasímodo" une a força do herói mitológico à feiura do corcunda de Notre-Dame — o sertanejo é um herói disforme. O olhar de Euclides oscila entre a admiração e a estranheza.
Exemplo 2 – A Descrição da Terra (A Terra):
"É de ver, então, os sertanejos, no desespero dos retirantes, tangidos pelo flagelo das secas, abalando pelos caminhos, em longas procissões de infelizes, arrastando os seus lares, levando os seus penates, carregando os seus mortos."
-> Análise: A descrição da seca é grandiosa e trágica. A terra é uma força hostil que expulsa seus filhos. O vocabulário é elevado ("flagelo", "penates"), e o tom é de épica desolação.
Exemplo 3 – O Final Trágico (A Luta):
"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíam os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados."
-> Análise: O último parágrafo de "Os Sertões" é um dos mais impactantes da literatura brasileira. A frase inicial ("Canudos não se rendeu") é lapidar. Euclides descreve a resistência final como um ato de heroísmo desesperado. A desproporção entre os quatro últimos defensores e os cinco mil soldados é o símbolo da brutalidade do massacre.
O Essencial (Guarde Isso)
- Euclides da Cunha: Autor de "Os Sertões" (1902), marco inicial do Pré-Modernismo.
- Estrutura de "Os Sertões": A Terra (meio físico), O Homem (sertanejo), A Luta (guerra de Canudos).
- Estilo: Linguagem grandiosa e barroca, mistura de ciência e literatura, antíteses e contrastes, determinismo do meio.
- Tese central: "O sertanejo é, antes de tudo, um forte." O livro denuncia o abismo entre o Brasil do litoral e o Brasil do sertão, e o massacre de Canudos como um crime nacional.
Dicas Práticas
Dica 1 (Decore a estrutura tripartite): A Terra → o meio; O Homem → o sertanejo; A Luta → a guerra. As bancas costumam perguntar a que parte pertence um fragmento.
Dica 2 (Lembre-se do oxímoro): "O sertanejo é, antes de tudo, um forte" é a frase mais cobrada de Euclides. Ela expressa a contradição entre aparência e essência.
Dica 3 (Observe a linguagem): Se o texto tem vocabulário raro, períodos longos e comparações grandiosas, é Euclides. Sua prosa é inconfundível.
Dica 4 (Compare com o Naturalismo): Euclides usa o determinismo do meio (o sertão molda o homem), mas sua visão é menos pessimista que a de Aluísio Azevedo — há heroísmo e dignidade no sertanejo.
Dica 2 (Lembre-se do oxímoro): "O sertanejo é, antes de tudo, um forte" é a frase mais cobrada de Euclides. Ela expressa a contradição entre aparência e essência.
Dica 3 (Observe a linguagem): Se o texto tem vocabulário raro, períodos longos e comparações grandiosas, é Euclides. Sua prosa é inconfundível.
Dica 4 (Compare com o Naturalismo): Euclides usa o determinismo do meio (o sertão molda o homem), mas sua visão é menos pessimista que a de Aluísio Azevedo — há heroísmo e dignidade no sertanejo.
Dúvidas Frequentes
"Os Sertões" é um romance?
Não exatamente. É um livro híbrido — mescla relato jornalístico, ensaio sociológico, tratado geográfico e narrativa épica. A maioria das questões o classifica como "obra pré-modernista" ou "livro-reportagem".
Euclides da Cunha é naturalista?
Ele sofreu forte influência do Naturalismo (determinismo do meio), mas sua prosa grandiosa e seu tom épico o afastam da frieza científica típica do Naturalismo. Ele é um autor de transição.
Qual o significado de "Hércules-Quasímodo"?
Hércules é o herói da força; Quasímodo, o corcunda deformado. A metáfora une os dois: o sertanejo tem a força de Hércules e a aparência disforme de Quasímodo.
Não exatamente. É um livro híbrido — mescla relato jornalístico, ensaio sociológico, tratado geográfico e narrativa épica. A maioria das questões o classifica como "obra pré-modernista" ou "livro-reportagem".
Euclides da Cunha é naturalista?
Ele sofreu forte influência do Naturalismo (determinismo do meio), mas sua prosa grandiosa e seu tom épico o afastam da frieza científica típica do Naturalismo. Ele é um autor de transição.
Qual o significado de "Hércules-Quasímodo"?
Hércules é o herói da força; Quasímodo, o corcunda deformado. A metáfora une os dois: o sertanejo tem a força de Hércules e a aparência disforme de Quasímodo.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual frase de Euclides da Cunha sintetiza a visão do autor sobre o sertanejo?
a) "O sertanejo é, antes de tudo, um fraco."
b) "O sertanejo é, antes de tudo, um forte."
c) "O sertanejo é um herói romântico."
d) "O sertanejo é um selvagem indomável."
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário."
a) Explique o contraste entre a aparência e a essência do sertanejo segundo Euclides da Cunha.
b) Identifique a figura de linguagem predominante no trecho e justifique.
Questão 4 – Leia o fragmento e responda.
"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo."
a) Qual o tom do narrador nesse trecho final de "Os Sertões"?
b) Como essa conclusão se relaciona com a visão de Euclides sobre a guerra de Canudos?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que "Os Sertões" é considerado um livro híbrido, que mistura literatura, ciência e história.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Parte de "Os Sertões") | Coluna B (Conteúdo) |
| 1. A Terra | ( ) A guerra de Canudos e suas expedições. |
| 2. O Homem | ( ) Estudo do meio físico — geografia — clima — seca. |
| 3. A Luta | ( ) Estudo do sertanejo — origem — psicologia — cultura. |
Questão 2 – Qual frase de Euclides da Cunha sintetiza a visão do autor sobre o sertanejo?
a) "O sertanejo é, antes de tudo, um fraco."
b) "O sertanejo é, antes de tudo, um forte."
c) "O sertanejo é um herói romântico."
d) "O sertanejo é um selvagem indomável."
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário."
a) Explique o contraste entre a aparência e a essência do sertanejo segundo Euclides da Cunha.
b) Identifique a figura de linguagem predominante no trecho e justifique.
Questão 4 – Leia o fragmento e responda.
"Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo."
a) Qual o tom do narrador nesse trecho final de "Os Sertões"?
b) Como essa conclusão se relaciona com a visão de Euclides sobre a guerra de Canudos?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que "Os Sertões" é considerado um livro híbrido, que mistura literatura, ciência e história.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (3), (1), (2).
Questão 2
Resposta correta: b) "O sertanejo é, antes de tudo, um forte." A frase expressa a tese central de Euclides da Cunha sobre o homem do sertão.
Questão 3
a) O contraste está entre a aparência física do sertanejo ("desgracioso, desengonçado, torto") e sua essência ("forte"). O ambiente hostil do sertão moldou um homem de grande resistência interior, embora seu corpo revelasse cansaço e privação.
b) A antítese (ou oxímoro). A oposição entre "forte" (essência) e a aparência de fraqueza (revelada pelo corpo) expressa a contradição fundamental que Euclides vê no sertanejo.
Questão 4
a) O tom é trágico e de denúncia. O narrador não celebra a vitória militar — ele lamenta o massacre e exalta a resistência heroica dos sertanejos.
b) Euclides vê a guerra de Canudos como um crime cometido pelo Brasil contra si mesmo. A conclusão denuncia a brutalidade do Exército e transforma os últimos defensores de Canudos em mártires da resistência.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Os Sertões é um livro híbrido porque reúne três dimensões: a científica (Euclides estuda o solo, o clima e a fauna da caatinga), a histórica (narra os acontecimentos da Guerra de Canudos e analisa suas causas sociais) e a literária (sua prosa grandiosa e metafórica constrói imagens de grande impacto, como a do sertanejo 'Hércules-Quasímodo'). Essa fusão faz da obra um marco único na literatura brasileira."
Ordem correta: (3), (1), (2).
Questão 2
Resposta correta: b) "O sertanejo é, antes de tudo, um forte." A frase expressa a tese central de Euclides da Cunha sobre o homem do sertão.
Questão 3
a) O contraste está entre a aparência física do sertanejo ("desgracioso, desengonçado, torto") e sua essência ("forte"). O ambiente hostil do sertão moldou um homem de grande resistência interior, embora seu corpo revelasse cansaço e privação.
b) A antítese (ou oxímoro). A oposição entre "forte" (essência) e a aparência de fraqueza (revelada pelo corpo) expressa a contradição fundamental que Euclides vê no sertanejo.
Questão 4
a) O tom é trágico e de denúncia. O narrador não celebra a vitória militar — ele lamenta o massacre e exalta a resistência heroica dos sertanejos.
b) Euclides vê a guerra de Canudos como um crime cometido pelo Brasil contra si mesmo. A conclusão denuncia a brutalidade do Exército e transforma os últimos defensores de Canudos em mártires da resistência.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Os Sertões é um livro híbrido porque reúne três dimensões: a científica (Euclides estuda o solo, o clima e a fauna da caatinga), a histórica (narra os acontecimentos da Guerra de Canudos e analisa suas causas sociais) e a literária (sua prosa grandiosa e metafórica constrói imagens de grande impacto, como a do sertanejo 'Hércules-Quasímodo'). Essa fusão faz da obra um marco único na literatura brasileira."
Checklist da Aula 2
- Conheço Euclides da Cunha e sua obra-prima, "Os Sertões".
- Compreendo a estrutura tripartite da obra: A Terra, O Homem, A Luta.
- Identifico as marcas estilísticas de Euclides da Cunha.
- Sei analisar trechos famosos e a tese central sobre o sertanejo.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 3 – Lima Barreto e o Romance Urbano Crítico.
Ligação com a Próxima Aula
Você mergulhou em "Os Sertões" e conheceu o olhar de Euclides da Cunha sobre o Brasil profundo. Mas o Pré-Modernismo também teve um grande intérprete do Brasil urbano: Lima Barreto, o cronista dos subúrbios cariocas, da burocracia e da exclusão.
Na Aula 3 – Lima Barreto e o Romance Urbano Crítico, você conhecerá a obra de um dos escritores mais corajosos e injustiçados da nossa literatura, que denunciou o racismo e a hipocrisia da República Velha com uma prosa coloquial e uma ironia mordaz. Até lá!
Na Aula 3 – Lima Barreto e o Romance Urbano Crítico, você conhecerá a obra de um dos escritores mais corajosos e injustiçados da nossa literatura, que denunciou o racismo e a hipocrisia da República Velha com uma prosa coloquial e uma ironia mordaz. Até lá!