Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender como as Vanguardas Europeias chegaram ao Brasil e foram recebidas pelos artistas e intelectuais do início do século XX;
- Conhecer os principais eventos e manifestos que marcaram a primeira fase do Modernismo brasileiro, em especial a Semana de Arte Moderna de 1922;
- Identificar as marcas das vanguardas — Cubismo, Futurismo, Dadaísmo, Surrealismo e Expressionismo — nas obras dos modernistas brasileiros;
- Analisar como o conceito de "antropofagia cultural" de Oswald de Andrade transformou a influência estrangeira em um projeto artístico original.
Por que isso é importante?
Nas Aulas 5 e 6, você mergulhou nas Vanguardas Europeias — Cubismo, Futurismo, Expressionismo, Dadaísmo e Surrealismo — e viu como elas explodiram as convenções artísticas do século XIX. Agora, é hora de responder à pergunta: como essas ideias chegaram ao Brasil e o que os nossos artistas fizeram com elas?
O Modernismo brasileiro não foi uma cópia das vanguardas europeias. Foi um processo de deglutição — os artistas brasileiros absorveram as novidades estrangeiras, mas as transformaram em algo próprio, que falasse do Brasil e para o Brasil. Oswald de Andrade chamou isso de "antropofagia cultural": devorar o estrangeiro, digeri-lo e produzir algo novo e genuinamente nacional.
Estudar o impacto das vanguardas no Brasil é importante para os vestibulares porque a Semana de Arte Moderna de 1922 e o Modernismo da primeira geração são conteúdos centrais. As questões costumam cobrar as relações entre as vanguardas europeias e os manifestos brasileiros, a identificação de marcas vanguardistas em poemas e obras de arte, e a compreensão do projeto modernista de redescobrir o Brasil.
O Modernismo brasileiro não foi uma cópia das vanguardas europeias. Foi um processo de deglutição — os artistas brasileiros absorveram as novidades estrangeiras, mas as transformaram em algo próprio, que falasse do Brasil e para o Brasil. Oswald de Andrade chamou isso de "antropofagia cultural": devorar o estrangeiro, digeri-lo e produzir algo novo e genuinamente nacional.
Estudar o impacto das vanguardas no Brasil é importante para os vestibulares porque a Semana de Arte Moderna de 1922 e o Modernismo da primeira geração são conteúdos centrais. As questões costumam cobrar as relações entre as vanguardas europeias e os manifestos brasileiros, a identificação de marcas vanguardistas em poemas e obras de arte, e a compreensão do projeto modernista de redescobrir o Brasil.
Contexto Curioso
Em 1917, uma jovem pintora brasileira, Anita Malfatti, voltou de uma temporada de estudos nos Estados Unidos e na Europa e realizou uma exposição em São Paulo. Suas telas — cores fortes, traços distorcidos, figuras que pareciam deformadas — chocaram o público. O escritor Monteiro Lobato, ainda um crítico conservador, publicou um artigo feroz intitulado "Paranoia ou Mistificação?", no qual atacava a arte moderna. Mal sabia ele que aquele ataque seria o estopim para unir um grupo de jovens artistas — Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Menotti del Picchia e outros — em torno da defesa da nova arte. Cinco anos depois, esse grupo lideraria a Semana de Arte Moderna.
A Semana aconteceu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo. Foram três noites de escândalo. O público vaiava, atirava objetos no palco, xingava. Mário de Andrade leu seu ensaio sobre a música moderna enquanto o teatro rugia. Ronald de Carvalho declamava poemas sob gritos de "Volta para a Europa!". Oswald de Andrade lia o manifesto "Pau-Brasil". O pianista Ernani Braga tocava Villa-Lobos. A Semana foi um fracasso de público e um sucesso histórico.
Oswald de Andrade, filho de uma família abastada, havia passado uma temporada em Paris e conhecera as vanguardas de perto. Foi ele quem trouxe o poeta francês Blaise Cendrars ao Brasil, que ficou fascinado pela nossa cultura popular e incentivou os modernistas a olharem para o próprio país. Desse encontro nasceram as viagens de "descoberta do Brasil" — como a caravana de Mário de Andrade, Oswald, Tarsila do Amaral e outros a cidades históricas mineiras em 1924.
Tarsila pintou, nesse mesmo ano, uma tela que daria nome ao movimento antropofágico: "Abaporu" — palavra tupi que significa "homem que come homem". A figura solitária, de pés enormes, sentada ao lado de um cacto, tornou-se o símbolo do Brasil que devorava a Europa para construir sua própria identidade.
A Semana aconteceu nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo. Foram três noites de escândalo. O público vaiava, atirava objetos no palco, xingava. Mário de Andrade leu seu ensaio sobre a música moderna enquanto o teatro rugia. Ronald de Carvalho declamava poemas sob gritos de "Volta para a Europa!". Oswald de Andrade lia o manifesto "Pau-Brasil". O pianista Ernani Braga tocava Villa-Lobos. A Semana foi um fracasso de público e um sucesso histórico.
Oswald de Andrade, filho de uma família abastada, havia passado uma temporada em Paris e conhecera as vanguardas de perto. Foi ele quem trouxe o poeta francês Blaise Cendrars ao Brasil, que ficou fascinado pela nossa cultura popular e incentivou os modernistas a olharem para o próprio país. Desse encontro nasceram as viagens de "descoberta do Brasil" — como a caravana de Mário de Andrade, Oswald, Tarsila do Amaral e outros a cidades históricas mineiras em 1924.
Tarsila pintou, nesse mesmo ano, uma tela que daria nome ao movimento antropofágico: "Abaporu" — palavra tupi que significa "homem que come homem". A figura solitária, de pés enormes, sentada ao lado de um cacto, tornou-se o símbolo do Brasil que devorava a Europa para construir sua própria identidade.
Teoria Explicada do Zero
A Chegada das Vanguardas ao Brasil
As Vanguardas Europeias não chegaram ao Brasil de uma só vez, nem foram recebidas passivamente. Elas vieram por meio de artistas que viajavam para a Europa e voltavam com ideias novas, de revistas importadas, de exposições e, principalmente, do desejo de uma geração de romper com o academicismo que dominava a arte brasileira.
Caminhos da influência vanguardista no Brasil:
· Artistas brasileiros na Europa: Anita Malfatti estudou expressionismo em Berlim e Nova York; Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral frequentaram os círculos de vanguarda em Paris; Villa-Lobos absorveu as dissonâncias modernas.
· Revistas e manifestos: Publicações europeias circulavam entre a intelectualidade paulista e carioca, trazendo o ideário futurista, dadaísta e surrealista.
· Reação ao academicismo: O Brasil vivia um domínio absoluto do Parnasianismo na poesia e do academicismo nas artes plásticas. As vanguardas ofereciam as armas para derrubar esse edifício.
A Semana de Arte Moderna de 1922
A Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, foi o evento-síntese da ruptura com o passado. Seu objetivo declarado era "acabar com o espírito de imitação" e criar uma arte brasileira independente.
Características da Semana:
· Escândalo e provocação: A Semana foi concebida para chocar. O público conservador reagiu com vaias, gritos e até objetos atirados ao palco. Esse choque era parte do programa: tirar a arte da zona de conforto.
· Intervenção em várias artes: Música (Villa-Lobos), poesia (Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho), artes plásticas (Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret), palestras (Graça Aranha).
· Inspiração futurista e dadá: A própria atitude provocadora, o tom dos manifestos, a rejeição violenta do passado e o uso de poemas-piada traziam a marca do Futurismo e do Dadaísmo.
· Busca de uma identidade nacional: A Semana não queria apenas copiar a Europa. Queria usar as vanguardas como ferramenta para redescobrir o Brasil — o índio, o negro, o caipira, o cotidiano das cidades.
O Manifesto Pau-Brasil e a Antropofagia Cultural
Oswald de Andrade (1890-1954) foi o grande teórico do Modernismo brasileiro. Seu "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" (1924) e o "Manifesto Antropófago" (1928) são os documentos centrais do movimento.
Manifesto Pau-Brasil (1924):
· Propõe uma poesia de exportação — assim como o pau-brasil foi a primeira riqueza exportada pelo país, a poesia brasileira deveria ser uma "mercadoria" cultural original, e não uma imitação da Europa.
· Valorização do cotidiano, da fala brasileira, da paisagem nacional.
· Poesia sintética, livre dos ornamentos parnasianos.
Manifesto Antropófago (1928):
· A metáfora central é a antropofagia: o índio que devora o inimigo para absorver suas qualidades. O Brasil deveria "devorar" a cultura europeia, digeri-la e transformá-la em algo próprio.
· Recusa da lógica colonial de submissão. "Tupi or not tupi, that is the question" — a frase-síntese do manifesto — troca o inglês de Shakespeare pelo tupi, subvertendo a relação de dependência cultural.
· Valorização do primitivismo, do humor e da irreverência.
4.4 A Poesia Modernista e a Libertação da Linguagem
Mário de Andrade (1893-1945) foi o grande experimentalista da primeira geração modernista. Seu livro "Paulicéia Desvairada" (1922) é um marco da nova poesia.
Características da poesia de Mário de Andrade (e da primeira geração):
· Verso livre e ritmo da fala: Abandono da métrica e da rima fixas. O poema busca o ritmo da fala cotidiana, com coloquialismos e expressões populares.
· Simultaneísmo e fragmentação cubista: A cidade moderna (São Paulo) é captada em múltiplos fragmentos, como uma colagem de sensações.
· Poema-piada: Influência dadaísta. O humor e a irreverência são usados como arma contra a seriedade acadêmica.
· Inconsciente e surrealismo: Imagens oníricas, associações livres e o mergulho no "eu" profundo.
As Artes Plásticas e o Diálogo com as Vanguardas
· Anita Malfatti: Sua exposição de 1917, com influências do Expressionismo e do Cubismo, foi o estopim do Modernismo. As distorções e as cores fortes chocaram o público.
· Tarsila do Amaral: Criou uma pintura brasileira moderna, que misturava a paleta de cores do campo, o cubismo e o surrealismo. "Abaporu" (1928) é a obra-símbolo do movimento antropofágico. Suas figuras alongadas e paisagens estilizadas recriavam o Brasil com um olhar ao mesmo tempo primitivo e vanguardista.
· Di Cavalcanti: Pintor do povo brasileiro, do samba, das mulatas, dos morros. Combinava a elegância do art déco com a temática social e popular.
· Victor Brecheret: Escultor que trouxe a estética modernista para a escultura brasileira.
Quadro-Resumo: As Vanguardas Europeias e o Modernismo Brasileiro
As Vanguardas Europeias não chegaram ao Brasil de uma só vez, nem foram recebidas passivamente. Elas vieram por meio de artistas que viajavam para a Europa e voltavam com ideias novas, de revistas importadas, de exposições e, principalmente, do desejo de uma geração de romper com o academicismo que dominava a arte brasileira.
Caminhos da influência vanguardista no Brasil:
· Artistas brasileiros na Europa: Anita Malfatti estudou expressionismo em Berlim e Nova York; Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral frequentaram os círculos de vanguarda em Paris; Villa-Lobos absorveu as dissonâncias modernas.
· Revistas e manifestos: Publicações europeias circulavam entre a intelectualidade paulista e carioca, trazendo o ideário futurista, dadaísta e surrealista.
· Reação ao academicismo: O Brasil vivia um domínio absoluto do Parnasianismo na poesia e do academicismo nas artes plásticas. As vanguardas ofereciam as armas para derrubar esse edifício.
A Semana de Arte Moderna de 1922
A Semana de Arte Moderna, realizada no Theatro Municipal de São Paulo, foi o evento-síntese da ruptura com o passado. Seu objetivo declarado era "acabar com o espírito de imitação" e criar uma arte brasileira independente.
Características da Semana:
· Escândalo e provocação: A Semana foi concebida para chocar. O público conservador reagiu com vaias, gritos e até objetos atirados ao palco. Esse choque era parte do programa: tirar a arte da zona de conforto.
· Intervenção em várias artes: Música (Villa-Lobos), poesia (Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Ronald de Carvalho), artes plásticas (Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Victor Brecheret), palestras (Graça Aranha).
· Inspiração futurista e dadá: A própria atitude provocadora, o tom dos manifestos, a rejeição violenta do passado e o uso de poemas-piada traziam a marca do Futurismo e do Dadaísmo.
· Busca de uma identidade nacional: A Semana não queria apenas copiar a Europa. Queria usar as vanguardas como ferramenta para redescobrir o Brasil — o índio, o negro, o caipira, o cotidiano das cidades.
O Manifesto Pau-Brasil e a Antropofagia Cultural
Oswald de Andrade (1890-1954) foi o grande teórico do Modernismo brasileiro. Seu "Manifesto da Poesia Pau-Brasil" (1924) e o "Manifesto Antropófago" (1928) são os documentos centrais do movimento.
Manifesto Pau-Brasil (1924):
· Propõe uma poesia de exportação — assim como o pau-brasil foi a primeira riqueza exportada pelo país, a poesia brasileira deveria ser uma "mercadoria" cultural original, e não uma imitação da Europa.
· Valorização do cotidiano, da fala brasileira, da paisagem nacional.
· Poesia sintética, livre dos ornamentos parnasianos.
Manifesto Antropófago (1928):
· A metáfora central é a antropofagia: o índio que devora o inimigo para absorver suas qualidades. O Brasil deveria "devorar" a cultura europeia, digeri-la e transformá-la em algo próprio.
· Recusa da lógica colonial de submissão. "Tupi or not tupi, that is the question" — a frase-síntese do manifesto — troca o inglês de Shakespeare pelo tupi, subvertendo a relação de dependência cultural.
· Valorização do primitivismo, do humor e da irreverência.
4.4 A Poesia Modernista e a Libertação da Linguagem
Mário de Andrade (1893-1945) foi o grande experimentalista da primeira geração modernista. Seu livro "Paulicéia Desvairada" (1922) é um marco da nova poesia.
Características da poesia de Mário de Andrade (e da primeira geração):
· Verso livre e ritmo da fala: Abandono da métrica e da rima fixas. O poema busca o ritmo da fala cotidiana, com coloquialismos e expressões populares.
· Simultaneísmo e fragmentação cubista: A cidade moderna (São Paulo) é captada em múltiplos fragmentos, como uma colagem de sensações.
· Poema-piada: Influência dadaísta. O humor e a irreverência são usados como arma contra a seriedade acadêmica.
· Inconsciente e surrealismo: Imagens oníricas, associações livres e o mergulho no "eu" profundo.
As Artes Plásticas e o Diálogo com as Vanguardas
· Anita Malfatti: Sua exposição de 1917, com influências do Expressionismo e do Cubismo, foi o estopim do Modernismo. As distorções e as cores fortes chocaram o público.
· Tarsila do Amaral: Criou uma pintura brasileira moderna, que misturava a paleta de cores do campo, o cubismo e o surrealismo. "Abaporu" (1928) é a obra-símbolo do movimento antropofágico. Suas figuras alongadas e paisagens estilizadas recriavam o Brasil com um olhar ao mesmo tempo primitivo e vanguardista.
· Di Cavalcanti: Pintor do povo brasileiro, do samba, das mulatas, dos morros. Combinava a elegância do art déco com a temática social e popular.
· Victor Brecheret: Escultor que trouxe a estética modernista para a escultura brasileira.
Quadro-Resumo: As Vanguardas Europeias e o Modernismo Brasileiro
| Vanguarda Europeia | Característica Central | Como se manifestou no Brasil |
| Futurismo | Rejeição do passado — exaltação da modernidade — palavras em liberdade. | Provocações da Semana de 22 — poemas dinâmicos e coloquiais de Mário de Andrade. |
| Cubismo | Fragmentação — simultaneísmo — colagem. | Poemas de justaposição de imagens em Mário de Andrade e Oswald de Andrade — pintura de Tarsila. |
| Dadaísmo | Absurdo — niilismo — antiarte — humor corrosivo. | Poema-piada de Oswald — irreverência e dessacralização da arte na Semana de 22. |
| Surrealismo | Inconsciente — sonhos — escrita automática — imagens oníricas. | Imagens oníricas em Murilo Mendes e na pintura de Tarsila — mergulho no "eu" profundo. |
| Expressionismo | Distorção da realidade — angústia — subjetividade. | Exposição de Anita Malfatti (1917) — crítica social na prosa de Graciliano Ramos (já na 2ª geração). |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Oswald de Andrade (Poema-Piada, influência dadá):
"Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados"
-> Análise: O poema é uma colagem da fala popular brasileira, sem as correções da norma culta. O humor e a simplicidade são armas contra o academicismo. A última frase ("E vão fazendo telhados") subverte a lógica esperada, num gesto dadá. Oswald valoriza a língua falada no Brasil, um dos pilares do Modernismo.
Exemplo 2 – Mário de Andrade (Simultaneísmo e Fragmentação Cubista):
"Não sei que há de errado
Nesta minha cidade...
São Paulo! comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!"
-> Análise: O poema capta São Paulo em fragmentos. O verso "Galicismo a berrar nos desertos da América" é uma imagem de choque cultural — a cidade moderna no meio do continente. A linguagem é coloquial e fragmentada, típica do Modernismo.
Exemplo 3 – Tarsila do Amaral (Antropofagia e Surrealismo):
Descrição de "Abaporu" (1928): uma figura humana solitária, com pés e mãos enormes, sentada ao lado de um cacto, sob um céu intensamente azul. A figura é uma síntese do Brasil — o corpo desproporcional, a paisagem árida, o sol forte.
-> Análise: Tarsila combina a lição cubista (formas geometrizadas) com a imaginação surrealista. A figura antropofágica dialoga com o manifesto de Oswald: o gigante de pés fincados no chão devora a cultura estrangeira para gerar algo novo. O quadro se tornou o ícone do Modernismo brasileiro.
"Vício na fala
Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados"
-> Análise: O poema é uma colagem da fala popular brasileira, sem as correções da norma culta. O humor e a simplicidade são armas contra o academicismo. A última frase ("E vão fazendo telhados") subverte a lógica esperada, num gesto dadá. Oswald valoriza a língua falada no Brasil, um dos pilares do Modernismo.
Exemplo 2 – Mário de Andrade (Simultaneísmo e Fragmentação Cubista):
"Não sei que há de errado
Nesta minha cidade...
São Paulo! comoção de minha vida...
Galicismo a berrar nos desertos da América!"
-> Análise: O poema capta São Paulo em fragmentos. O verso "Galicismo a berrar nos desertos da América" é uma imagem de choque cultural — a cidade moderna no meio do continente. A linguagem é coloquial e fragmentada, típica do Modernismo.
Exemplo 3 – Tarsila do Amaral (Antropofagia e Surrealismo):
Descrição de "Abaporu" (1928): uma figura humana solitária, com pés e mãos enormes, sentada ao lado de um cacto, sob um céu intensamente azul. A figura é uma síntese do Brasil — o corpo desproporcional, a paisagem árida, o sol forte.
-> Análise: Tarsila combina a lição cubista (formas geometrizadas) com a imaginação surrealista. A figura antropofágica dialoga com o manifesto de Oswald: o gigante de pés fincados no chão devora a cultura estrangeira para gerar algo novo. O quadro se tornou o ícone do Modernismo brasileiro.
O Essencial (Guarde Isso)
- As Vanguardas Europeias chegaram ao Brasil principalmente por meio de artistas que estudaram na Europa e de revistas e exposições. O Modernismo brasileiro não as copiou — as "devorou" e transformou em algo próprio.
- A Semana de Arte Moderna de 1922, no Theatro Municipal de São Paulo, foi o grande marco da ruptura. Reuniu música, poesia, artes plásticas e palestras.
- Oswald de Andrade formulou a antropofagia cultural: devorar o estrangeiro e produzir o nacional ("Manifesto Antropófago", 1928).
- A poesia modernista (Mário de Andrade, Oswald) adotou o verso livre, a linguagem coloquial e o humor.
- Nas artes plásticas, Anita Malfatti (1917), Tarsila do Amaral ("Abaporu", 1928), Di Cavalcanti e Victor Brecheret traduziram as vanguardas em imagens brasileiras.
Dicas Práticas
Dica 1 (Associe cada vanguarda ao seu reflexo no Brasil): Futurismo → Semana de 22 (provocação); Cubismo → fragmentação na poesia e na pintura; Dadá → poema-piada; Surrealismo → imagens oníricas; Expressionismo → Exposição de Anita Malfatti.
Dica 2 (Decore os manifestos e suas datas): Manifesto Pau-Brasil (1924), Manifesto Antropófago (1928), Semana de Arte Moderna (1922), Exposição de Anita (1917).
Dica 3 (A Semana de 22 não foi o início, foi o estopim): O movimento modernista já vinha se gestando. A Semana foi o evento-síntese que deu visibilidade e coesão ao grupo.
Dica 4 (Entenda a antropofagia como chave de leitura): Oswald não queria isolar o Brasil da Europa, mas inverter a relação: o colonizado devora o colonizador e se fortalece.
Dica 2 (Decore os manifestos e suas datas): Manifesto Pau-Brasil (1924), Manifesto Antropófago (1928), Semana de Arte Moderna (1922), Exposição de Anita (1917).
Dica 3 (A Semana de 22 não foi o início, foi o estopim): O movimento modernista já vinha se gestando. A Semana foi o evento-síntese que deu visibilidade e coesão ao grupo.
Dica 4 (Entenda a antropofagia como chave de leitura): Oswald não queria isolar o Brasil da Europa, mas inverter a relação: o colonizado devora o colonizador e se fortalece.
Dúvidas Frequentes
Os modernistas brasileiros eram futuristas?
Não exatamente. Eles foram acusados de futuristas pelos jornais da época, e de fato o Futurismo os influenciou (rejeição do passado, culto à modernidade). Mas Oswald de Andrade logo se distanciou do rótulo, dizendo que o Modernismo brasileiro tinha "digestão própria".
A Semana de Arte Moderna foi um sucesso?
Na hora, foi um escândalo e um fracasso de público. Mas a longo prazo, foi a pedra fundamental da renovação artística brasileira.
Tarsila do Amaral foi surrealista?
Ela foi influenciada pelo Surrealismo, especialmente na imaginação onírica, mas sua obra é uma síntese original que combina cubismo, surrealismo e temática brasileira.
Não exatamente. Eles foram acusados de futuristas pelos jornais da época, e de fato o Futurismo os influenciou (rejeição do passado, culto à modernidade). Mas Oswald de Andrade logo se distanciou do rótulo, dizendo que o Modernismo brasileiro tinha "digestão própria".
A Semana de Arte Moderna foi um sucesso?
Na hora, foi um escândalo e um fracasso de público. Mas a longo prazo, foi a pedra fundamental da renovação artística brasileira.
Tarsila do Amaral foi surrealista?
Ela foi influenciada pelo Surrealismo, especialmente na imaginação onírica, mas sua obra é uma síntese original que combina cubismo, surrealismo e temática brasileira.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Quem escreveu o "Manifesto Antropófago"?
a) Mário de Andrade
b) Oswald de Andrade
c) Graça Aranha
d) Monteiro Lobato
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento do poema "Vício na fala", de Oswald de Andrade:
"Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió"
a) Qual característica do Modernismo está presente nesse poema? Justifique.
b) Relacione essa característica a uma vanguarda europeia.
Questão 4 – Explique o conceito de "antropofagia cultural" criado por Oswald de Andrade e cite uma obra que o representa.
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que a Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Evento/Manifesto) | Coluna B (Ano) |
| 1. Semana de Arte Moderna | ( ) 1928 |
| 2. Manifesto Antropófago | ( ) 1922 |
| 3. Exposição de Anita Malfatti | ( ) 1917 |
Questão 2 – Quem escreveu o "Manifesto Antropófago"?
a) Mário de Andrade
b) Oswald de Andrade
c) Graça Aranha
d) Monteiro Lobato
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento do poema "Vício na fala", de Oswald de Andrade:
"Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió"
a) Qual característica do Modernismo está presente nesse poema? Justifique.
b) Relacione essa característica a uma vanguarda europeia.
Questão 4 – Explique o conceito de "antropofagia cultural" criado por Oswald de Andrade e cite uma obra que o representa.
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que a Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) Oswald de Andrade.
Questão 3
a) A valorização da língua falada no Brasil, com o uso de coloquialismos e a recusa da norma culta. O poema registra a pronúncia popular, abandonando a correção gramatical.
b) Relaciona-se ao Dadaísmo (pelo humor, pela irreverência e pela quebra da lógica esperada no último verso) e ao Futurismo (pela rejeição dos padrões acadêmicos e busca de uma linguagem dinâmica e direta).
Questão 4
A antropofagia cultural é a ideia de que o Brasil deveria "devorar" a cultura estrangeira, digeri-la e transformá-la em algo próprio e original, em vez de simplesmente imitá-la. O conceito está no "Manifesto Antropófago" (1928) e tem como obra-símbolo o quadro "Abaporu", de Tarsila do Amaral, que representa o homem que come o homem — a deglutição cultural.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "A Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro porque foi o evento que reuniu artistas de várias áreas — literatura, música, artes plásticas — em torno de um projeto de ruptura com o academicismo e de construção de uma arte genuinamente nacional. Embora tenha sido um escândalo na época, a Semana consolidou um grupo e lançou as bases estéticas que transformariam a cultura brasileira nas décadas seguintes."
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) Oswald de Andrade.
Questão 3
a) A valorização da língua falada no Brasil, com o uso de coloquialismos e a recusa da norma culta. O poema registra a pronúncia popular, abandonando a correção gramatical.
b) Relaciona-se ao Dadaísmo (pelo humor, pela irreverência e pela quebra da lógica esperada no último verso) e ao Futurismo (pela rejeição dos padrões acadêmicos e busca de uma linguagem dinâmica e direta).
Questão 4
A antropofagia cultural é a ideia de que o Brasil deveria "devorar" a cultura estrangeira, digeri-la e transformá-la em algo próprio e original, em vez de simplesmente imitá-la. O conceito está no "Manifesto Antropófago" (1928) e tem como obra-símbolo o quadro "Abaporu", de Tarsila do Amaral, que representa o homem que come o homem — a deglutição cultural.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "A Semana de Arte Moderna de 1922 é considerada o marco inicial do Modernismo brasileiro porque foi o evento que reuniu artistas de várias áreas — literatura, música, artes plásticas — em torno de um projeto de ruptura com o academicismo e de construção de uma arte genuinamente nacional. Embora tenha sido um escândalo na época, a Semana consolidou um grupo e lançou as bases estéticas que transformariam a cultura brasileira nas décadas seguintes."
Checklist da Aula 7
- Compreendi como as Vanguardas Europeias influenciaram o Modernismo brasileiro.
- Conheço a importância da Semana de Arte Moderna de 1922.
- Entendo o conceito de antropofagia cultural de Oswald de Andrade.
- Identifico as marcas das vanguardas na poesia e na pintura modernistas.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 8 – Revisão do Módulo (Mapa Mental e Resumo Integrado).
Ligação com a Próxima Aula
Você acaba de completar o estudo do impacto das Vanguardas Europeias no Brasil. Com isso, encerramos o conteúdo teórico do Módulo 7, que nos levou do Pré-Modernismo de Euclides da Cunha e Lima Barreto até a explosão modernista de 1922 e a antropofagia de Oswald de Andrade.
Na Aula 8 – Revisão do Módulo (Mapa Mental e Resumo Integrado), você consolidará todo esse conhecimento em um único mapa visual, preparando-se para os exercícios de fixação e o encerramento do módulo. Até lá!
Na Aula 8 – Revisão do Módulo (Mapa Mental e Resumo Integrado), você consolidará todo esse conhecimento em um único mapa visual, preparando-se para os exercícios de fixação e o encerramento do módulo. Até lá!