Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Conhecer Carlos Drummond de Andrade como o principal poeta da segunda geração modernista e um dos maiores da língua portuguesa;
- Identificar as fases da poesia de Drummond (poema-piada, lírica social, metafísica) e suas características;
- Analisar poemas como "No meio do caminho", "Poema de Sete Faces", "Mãos Dadas" e "José", reconhecendo a ironia, o cotidiano, a angústia existencial e a crítica social.
Por que isso é importante?
Na Aula 7, você conheceu os grandes prosadores do Romance de 30. Agora, voltamos o olhar para a poesia da segunda geração, que tem em Carlos Drummond de Andrade seu maior representante. Drummond é um poeta de múltiplas faces: irônico e contido, lírico e social, metafísico e prosaico. Sua obra atravessa o século XX e dialoga com as grandes questões do seu tempo — a guerra, a industrialização, a alienação do homem moderno — e, ao mesmo tempo, com as questões mais íntimas: o amor, a memória, a solidão.
Estudar Drummond é essencial para os vestibulares, que cobrem desde seus poemas mais famosos ("No meio do caminho", "Poema de Sete Faces", "José") até a análise de sua evolução estilística e temática. Sua poesia é um convite a olhar o mundo com olhos novos — e, muitas vezes, com um sorriso amargo no canto da boca.
Estudar Drummond é essencial para os vestibulares, que cobrem desde seus poemas mais famosos ("No meio do caminho", "Poema de Sete Faces", "José") até a análise de sua evolução estilística e temática. Sua poesia é um convite a olhar o mundo com olhos novos — e, muitas vezes, com um sorriso amargo no canto da boca.
Contexto Curioso
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) nasceu em Itabira, Minas Gerais, cidade que ele imortalizaria em seus versos. Formou-se em Farmácia, mas nunca exerceu a profissão. Foi funcionário público, jornalista e, acima de tudo, poeta. Sua estreia literária foi polêmica: em 1928, publicou na "Revista de Antropofagia" o poema "No meio do caminho", que gerou um escândalo. A repetição obsessiva do verso "No meio do caminho tinha uma pedra" foi considerada por muitos uma piada de mau gosto, e Drummond foi acusado de escrever "poesia de retardado mental". O tempo, no entanto, deu razão ao poeta: o poema se tornou um dos mais emblemáticos do Modernismo brasileiro.
Dois anos depois, em 1930, Drummond publicou "Alguma Poesia", seu primeiro livro. A obra já anunciava os traços que marcariam sua trajetória: a ironia, o humor, o gosto pelo prosaico e a desconfiança diante dos grandes sentimentos. Ao longo de sua longa carreira, Drummond passou por várias transformações — do poema-piada à poesia social, da angústia existencial à serenidade da velhice —, mas nunca abandonou a lucidez e a contenção que o tornaram um dos poetas mais queridos do Brasil.
Dois anos depois, em 1930, Drummond publicou "Alguma Poesia", seu primeiro livro. A obra já anunciava os traços que marcariam sua trajetória: a ironia, o humor, o gosto pelo prosaico e a desconfiança diante dos grandes sentimentos. Ao longo de sua longa carreira, Drummond passou por várias transformações — do poema-piada à poesia social, da angústia existencial à serenidade da velhice —, mas nunca abandonou a lucidez e a contenção que o tornaram um dos poetas mais queridos do Brasil.
Teoria Explicada do Zero
Drummond e a Segunda Geração Modernista
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é o grande nome da poesia da segunda geração modernista. Ao contrário dos poetas da primeira geração, que fizeram do experimentalismo radical sua bandeira, Drummond adota uma linguagem mais contida, mas não menos inovadora. Sua poesia incorpora o prosaico, o cotidiano, o coloquial, e os transforma em matéria lírica.
A obra de Drummond costuma ser dividida em três fases principais, que não são estanques, mas ajudam a compreender sua evolução:
· Primeira fase (1930-1940): Poema-piada e ironia. O poeta dessacraliza a poesia, usa o humor e o prosaico, e desconfia dos grandes sentimentos. Livros principais: "Alguma Poesia" (1930), "Brejo das Almas" (1934), "Sentimento do Mundo" (1940).
· Segunda fase (1940-1950): Poesia social e engajamento. O poeta volta-se para os problemas do mundo — a guerra, a injustiça social, a solidariedade humana. Livro principal: "A Rosa do Povo" (1945).
· Terceira fase (a partir de 1950): Poesia metafísica e memorialista. O poeta reflete sobre o tempo, a morte, a infância e o fazer poético. Livros principais: "Claro Enigma" (1951), "A Paixão Medida" (1980).
Características da Poesia de Drummond
· Ironia e Humor: Drummond não se leva a sério. Seus poemas frequentemente zombam de si mesmos, do leitor e da própria poesia. O "Poema de Sete Faces" começa com "Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida." — a autodefinição como "gauche" (canhestro, desajeitado) é irônica e auto-depreciativa.
· Cotidiano e Prosaico: A poesia de Drummond encontra beleza nas coisas mais simples e aparentemente antipoéticas: uma pedra no meio do caminho, um bonde, um escritório.
· Angústia Existencial e Metafísica: Por trás da ironia, há uma profunda angústia diante da solidão, da passagem do tempo e da morte. Em "José", o poeta pergunta repetidamente "E agora, José?", sem oferecer resposta.
· Lirismo Social: Em sua fase intermediária, Drummond escreveu poemas de forte engajamento, como "Mãos Dadas", que expressa solidariedade com os oprimidos e a crença de que o poeta não pode se alienar dos problemas do seu tempo.
· Linguagem Coloquial e Verso Livre: Como todo modernista, Drummond abandonou a métrica e a rima fixas. Seu verso é livre, sua linguagem é próxima da fala, mas sua musicalidade e seu ritmo são inconfundíveis.
Principais Poemas e Análise
· "No meio do caminho" (1928, publicado em "Alguma Poesia"): O poema causou escândalo pela repetição obsessiva do verso "No meio do caminho tinha uma pedra". A pedra é um símbolo do obstáculo, da interrupção, do imprevisto que desvia o caminho. O poema pode ser lido como uma metáfora da vida — ninguém passa incólume pela "pedra" que existe no meio de todo caminho.
· "Poema de Sete Faces" (1930, "Alguma Poesia"): O poema-emblema de Drummond. Nele, o poeta se apresenta como um "gauche", um desajustado, alguém que vê o mundo de um ângulo torto. O poema mistura humor, melancolia e uma profunda humanidade.
· "Mãos Dadas" (1940, "Sentimento do Mundo"): Um poema de transição para a fase social. Drummond declara que não cantará mais o amor, a paisagem ou a solidão individual — seu canto agora é coletivo, solidário com os homens de seu tempo. É um dos mais belos poemas engajados da literatura brasileira.
· "José" (1942, "Poesias"): Um dos poemas mais populares de Drummond. José é o homem comum que chega ao fim da noite (ou da vida) sem rumo, sem certezas, sem nada. A pergunta "E agora, José?" ecoa a angústia existencial do homem moderno. O poema termina sem resposta — apenas a repetição do nome "José", como um chamado sem eco.
Quadro-Resumo: A Poesia de Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é o grande nome da poesia da segunda geração modernista. Ao contrário dos poetas da primeira geração, que fizeram do experimentalismo radical sua bandeira, Drummond adota uma linguagem mais contida, mas não menos inovadora. Sua poesia incorpora o prosaico, o cotidiano, o coloquial, e os transforma em matéria lírica.
A obra de Drummond costuma ser dividida em três fases principais, que não são estanques, mas ajudam a compreender sua evolução:
· Primeira fase (1930-1940): Poema-piada e ironia. O poeta dessacraliza a poesia, usa o humor e o prosaico, e desconfia dos grandes sentimentos. Livros principais: "Alguma Poesia" (1930), "Brejo das Almas" (1934), "Sentimento do Mundo" (1940).
· Segunda fase (1940-1950): Poesia social e engajamento. O poeta volta-se para os problemas do mundo — a guerra, a injustiça social, a solidariedade humana. Livro principal: "A Rosa do Povo" (1945).
· Terceira fase (a partir de 1950): Poesia metafísica e memorialista. O poeta reflete sobre o tempo, a morte, a infância e o fazer poético. Livros principais: "Claro Enigma" (1951), "A Paixão Medida" (1980).
Características da Poesia de Drummond
· Ironia e Humor: Drummond não se leva a sério. Seus poemas frequentemente zombam de si mesmos, do leitor e da própria poesia. O "Poema de Sete Faces" começa com "Quando nasci, um anjo torto / desses que vivem na sombra / disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida." — a autodefinição como "gauche" (canhestro, desajeitado) é irônica e auto-depreciativa.
· Cotidiano e Prosaico: A poesia de Drummond encontra beleza nas coisas mais simples e aparentemente antipoéticas: uma pedra no meio do caminho, um bonde, um escritório.
· Angústia Existencial e Metafísica: Por trás da ironia, há uma profunda angústia diante da solidão, da passagem do tempo e da morte. Em "José", o poeta pergunta repetidamente "E agora, José?", sem oferecer resposta.
· Lirismo Social: Em sua fase intermediária, Drummond escreveu poemas de forte engajamento, como "Mãos Dadas", que expressa solidariedade com os oprimidos e a crença de que o poeta não pode se alienar dos problemas do seu tempo.
· Linguagem Coloquial e Verso Livre: Como todo modernista, Drummond abandonou a métrica e a rima fixas. Seu verso é livre, sua linguagem é próxima da fala, mas sua musicalidade e seu ritmo são inconfundíveis.
Principais Poemas e Análise
· "No meio do caminho" (1928, publicado em "Alguma Poesia"): O poema causou escândalo pela repetição obsessiva do verso "No meio do caminho tinha uma pedra". A pedra é um símbolo do obstáculo, da interrupção, do imprevisto que desvia o caminho. O poema pode ser lido como uma metáfora da vida — ninguém passa incólume pela "pedra" que existe no meio de todo caminho.
· "Poema de Sete Faces" (1930, "Alguma Poesia"): O poema-emblema de Drummond. Nele, o poeta se apresenta como um "gauche", um desajustado, alguém que vê o mundo de um ângulo torto. O poema mistura humor, melancolia e uma profunda humanidade.
· "Mãos Dadas" (1940, "Sentimento do Mundo"): Um poema de transição para a fase social. Drummond declara que não cantará mais o amor, a paisagem ou a solidão individual — seu canto agora é coletivo, solidário com os homens de seu tempo. É um dos mais belos poemas engajados da literatura brasileira.
· "José" (1942, "Poesias"): Um dos poemas mais populares de Drummond. José é o homem comum que chega ao fim da noite (ou da vida) sem rumo, sem certezas, sem nada. A pergunta "E agora, José?" ecoa a angústia existencial do homem moderno. O poema termina sem resposta — apenas a repetição do nome "José", como um chamado sem eco.
Quadro-Resumo: A Poesia de Carlos Drummond de Andrade
| Fase | Período | Características | Livros Principais | Poemas Emblemáticos |
| 1ª Fase | 1930-1940 | Poema-piada — ironia — humor — cotidiano — desconfiança dos grandes sentimentos. | "Alguma Poesia" (1930) — "Brejo das Almas" (1934) — "Sentimento do Mundo" (1940). | "No meio do caminho" — "Poema de Sete Faces". |
| 2ª Fase | 1940-1950 | Poesia social — engajamento — solidariedade — reflexão sobre a guerra e a injustiça. | "A Rosa do Povo" (1945). | "Mãos Dadas" — "A Flor e a Náusea". |
| 3ª Fase | A partir de 1950 | Poesia metafísica — memorialista — reflexão sobre o tempo, a morte e a poesia. | "Claro Enigma" (1951) — "A Paixão Medida" (1980). | "A Máquina do Mundo" — "Oficina Irritada". |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – "No meio do caminho" (Ironia e Provocação):
"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra."
-> Análise: A repetição obsessiva é o recurso central. A pedra é um obstáculo concreto e, ao mesmo tempo, um símbolo — pode ser a dificuldade, a monotonia, a própria poesia. Drummond transforma o banal em enigma.
Exemplo 2 – "Poema de Sete Faces" (Autoironia e Condição Humana):
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
-> Análise: O poema começa com uma anti-profecia: em vez de um anjo da guarda, um "anjo torto" condena o poeta a ser "gauche" — desajeitado, canhestro, fora de lugar. A ironia está em transformar essa inadequação em identidade.
Exemplo 3 – "Mãos Dadas" (Engajamento e Solidariedade):
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não cantarei amores, não cantarei a paisagem,
não cantarei a solidão.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."
-> Análise: Drummond recusa os temas líricos tradicionais (amor, paisagem, solidão) e abraça o presente coletivo. A repetição de "não cantarei" e de "presente" enfatiza a urgência do engajamento. É um poema de transição para a fase social, mas também uma declaração de princípios estéticos e éticos.
"No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra."
-> Análise: A repetição obsessiva é o recurso central. A pedra é um obstáculo concreto e, ao mesmo tempo, um símbolo — pode ser a dificuldade, a monotonia, a própria poesia. Drummond transforma o banal em enigma.
Exemplo 2 – "Poema de Sete Faces" (Autoironia e Condição Humana):
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
-> Análise: O poema começa com uma anti-profecia: em vez de um anjo da guarda, um "anjo torto" condena o poeta a ser "gauche" — desajeitado, canhestro, fora de lugar. A ironia está em transformar essa inadequação em identidade.
Exemplo 3 – "Mãos Dadas" (Engajamento e Solidariedade):
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não cantarei amores, não cantarei a paisagem,
não cantarei a solidão.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."
-> Análise: Drummond recusa os temas líricos tradicionais (amor, paisagem, solidão) e abraça o presente coletivo. A repetição de "não cantarei" e de "presente" enfatiza a urgência do engajamento. É um poema de transição para a fase social, mas também uma declaração de princípios estéticos e éticos.
O Essencial (Guarde Isso)
- Carlos Drummond de Andrade: Principal poeta da segunda geração modernista. Três fases: poema-piada, poesia social e poesia metafísica.
- Características: Ironia, humor, cotidiano, angústia existencial, engajamento social, verso livre.
- Poemas essenciais: "No meio do caminho", "Poema de Sete Faces", "Mãos Dadas", "José".
- Frases-chave: "Tinha uma pedra no meio do caminho"; "Vai, Carlos! ser gauche na vida"; "E agora, José?".
Dicas Práticas
Dica 1 (Identifique a fase pelo tema e pelo tom): Poema com humor e ironia, falando do cotidiano → 1ª fase. Poema engajado, falando de guerra ou injustiça → 2ª fase. Poema reflexivo, metafísico, falando de tempo e morte → 3ª fase.
Dica 2 (Decore os poemas mais famosos e seus versos iniciais): "No meio do caminho", "Poema de Sete Faces" e "José" são os mais cobrados. Saber o primeiro verso de cada um ajuda a identificar a obra rapidamente.
Dica 3 (Entenda o "gauche"): O gauche drummondiano é o homem comum, desajeitado, que não se encaixa no mundo — um anti-herói lírico. Essa autodefinição é uma chave de leitura para toda a sua obra.
Dica 4 (Compare com Manuel Bandeira): Ambos são poetas do cotidiano e do lirismo contido, mas Drummond é mais irônico e metafísico; Bandeira, mais sereno e resignado.
Dica 2 (Decore os poemas mais famosos e seus versos iniciais): "No meio do caminho", "Poema de Sete Faces" e "José" são os mais cobrados. Saber o primeiro verso de cada um ajuda a identificar a obra rapidamente.
Dica 3 (Entenda o "gauche"): O gauche drummondiano é o homem comum, desajeitado, que não se encaixa no mundo — um anti-herói lírico. Essa autodefinição é uma chave de leitura para toda a sua obra.
Dica 4 (Compare com Manuel Bandeira): Ambos são poetas do cotidiano e do lirismo contido, mas Drummond é mais irônico e metafísico; Bandeira, mais sereno e resignado.
Dúvidas Frequentes
Drummond pertence à primeira ou à segunda geração modernista?
À segunda geração (1930-1945). Embora sua estreia seja em 1928, sua obra se consolida na década de 1930, ao lado dos prosadores do Romance de 30.
O que significa "gauche"?
A palavra francesa significa "esquerdo", mas no contexto do poema designa alguém canhestro, desajeitado, inadequado. Drummond faz dessa inadequação uma marca de sua persona poética.
"No meio do caminho" é um poema ou uma provocação?
É as duas coisas. O poema provocou escândalo na época, mas também é uma reflexão séria sobre os obstáculos da vida. Sua aparente simplicidade esconde uma profundidade que o tempo revelou.
À segunda geração (1930-1945). Embora sua estreia seja em 1928, sua obra se consolida na década de 1930, ao lado dos prosadores do Romance de 30.
O que significa "gauche"?
A palavra francesa significa "esquerdo", mas no contexto do poema designa alguém canhestro, desajeitado, inadequado. Drummond faz dessa inadequação uma marca de sua persona poética.
"No meio do caminho" é um poema ou uma provocação?
É as duas coisas. O poema provocou escândalo na época, mas também é uma reflexão séria sobre os obstáculos da vida. Sua aparente simplicidade esconde uma profundidade que o tempo revelou.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual poema de Drummond tem como verso-chave a pergunta "E agora, José?"
a) "No meio do caminho"
b) "Poema de Sete Faces"
c) "Mãos Dadas"
d) "José"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de "Poema de Sete Faces" e responda.
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
a) Explique o significado da expressão "ser gauche" no contexto do poema.
b) Identifique o tom predominante nesses versos e justifique.
Questão 4 – Leia o fragmento de "Mãos Dadas" e responda.
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas."
a) A qual fase da poesia de Drummond pertence esse poema? Justifique.
b) Explique a atitude do poeta diante do mundo expressa nesses versos.
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando como a ironia e o cotidiano se manifestam na poesia da primeira fase de Drummond, usando como exemplo "No meio do caminho" ou "Poema de Sete Faces".
Seu parágrafo:
| Coluna A (Fase) | Coluna B (Característica) |
| 1. Primeira fase (1930-1940) | ( ) Poesia social — engajamento — solidariedade. |
| 2. Segunda fase (1940-1950) | ( ) Poema-piada — ironia e humor. |
Questão 2 – Qual poema de Drummond tem como verso-chave a pergunta "E agora, José?"
a) "No meio do caminho"
b) "Poema de Sete Faces"
c) "Mãos Dadas"
d) "José"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de "Poema de Sete Faces" e responda.
"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida."
a) Explique o significado da expressão "ser gauche" no contexto do poema.
b) Identifique o tom predominante nesses versos e justifique.
Questão 4 – Leia o fragmento de "Mãos Dadas" e responda.
"O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas."
a) A qual fase da poesia de Drummond pertence esse poema? Justifique.
b) Explique a atitude do poeta diante do mundo expressa nesses versos.
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando como a ironia e o cotidiano se manifestam na poesia da primeira fase de Drummond, usando como exemplo "No meio do caminho" ou "Poema de Sete Faces".
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: d) "José" (1942) é o poema que repete obsessivamente a pergunta "E agora, José?".
Questão 3
a) "Ser gauche" significa ser desajeitado, canhestro, inadequado. É a autodefinição do poeta como alguém que não se encaixa no mundo.
b) O tom predominante é irônico e auto-depreciativo. O poeta não se apresenta como um ser iluminado, mas como alguém marcado por um "anjo torto" — uma anti-profecia que mistura humor e melancolia.
Questão 4
a) Pertence à segunda fase (poesia social). Justificativa: o poema expressa engajamento e solidariedade coletiva, recusando os temas líricos tradicionais em favor do "tempo presente" e dos "homens presentes".
b) O poeta se recusa a se alienar e convoca à união e à ação coletiva. "Vamos de mãos dadas" é um chamado à solidariedade diante dos problemas do mundo.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Na primeira fase de Drummond, a ironia e o cotidiano são marcas centrais. Em 'No meio do caminho', a repetição obsessiva do verso sobre a pedra transforma um obstáculo banal em um enigma, ironizando a expectativa de uma poesia solene. Já em 'Poema de Sete Faces', o poeta se apresenta como um 'gauche', um desajeitado, subvertendo a imagem tradicional do poeta inspirado. A poesia está no chão, nas coisas simples, e o humor é a lente que revela sua profundidade."
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: d) "José" (1942) é o poema que repete obsessivamente a pergunta "E agora, José?".
Questão 3
a) "Ser gauche" significa ser desajeitado, canhestro, inadequado. É a autodefinição do poeta como alguém que não se encaixa no mundo.
b) O tom predominante é irônico e auto-depreciativo. O poeta não se apresenta como um ser iluminado, mas como alguém marcado por um "anjo torto" — uma anti-profecia que mistura humor e melancolia.
Questão 4
a) Pertence à segunda fase (poesia social). Justificativa: o poema expressa engajamento e solidariedade coletiva, recusando os temas líricos tradicionais em favor do "tempo presente" e dos "homens presentes".
b) O poeta se recusa a se alienar e convoca à união e à ação coletiva. "Vamos de mãos dadas" é um chamado à solidariedade diante dos problemas do mundo.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Na primeira fase de Drummond, a ironia e o cotidiano são marcas centrais. Em 'No meio do caminho', a repetição obsessiva do verso sobre a pedra transforma um obstáculo banal em um enigma, ironizando a expectativa de uma poesia solene. Já em 'Poema de Sete Faces', o poeta se apresenta como um 'gauche', um desajeitado, subvertendo a imagem tradicional do poeta inspirado. A poesia está no chão, nas coisas simples, e o humor é a lente que revela sua profundidade."
Checklist da Aula 8
- Conheço Carlos Drummond de Andrade e sua importância na poesia modernista.
- Identifico as três fases de sua poesia e suas características.
- Analisei poemas como "No meio do caminho", "Poema de Sete Faces", "Mãos Dadas" e "José".
- Compreendo a ironia, o cotidiano e a angústia existencial como marcas drummondianas.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 9 – Cecília Meireles e a Poesia de Introspecção.
Ligação com a Próxima Aula
Você conheceu a poesia de Carlos Drummond de Andrade, com sua ironia, seu cotidiano e sua angústia existencial. Mas a segunda geração modernista também produziu uma poesia de intenso lirismo e espiritualidade, que canta o amor, a morte e a passagem do tempo com uma musicalidade única. É a poesia de Cecília Meireles.
Na Aula 9 – Cecília Meireles e a Poesia de Introspecção, você mergulhará na obra de uma das maiores poetas da língua portuguesa, autora do célebre "Romanceiro da Inconfidência". Até lá!
Na Aula 9 – Cecília Meireles e a Poesia de Introspecção, você mergulhará na obra de uma das maiores poetas da língua portuguesa, autora do célebre "Romanceiro da Inconfidência". Até lá!