Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
Por que isso é importante?
O Módulo 10 encerrou o longo percurso do Tópico de Literatura, que nos levou do Trovadorismo medieval à poesia marginal, passando pelo Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Modernismo e pela pluralidade de vozes da literatura contemporânea. Este simulado final reúne questões que integram os diversos autores e vertentes estudados no módulo — da poesia de resistência de Ferreira Gullar à escrevivência de Conceição Evaristo, do submundo violento de Rubem Fonseca à oralidade de Geovani Martins.
- Aplicar de forma integrada os conhecimentos sobre a literatura contemporânea brasileira em exercícios que mesclam diferentes vertentes, autores e obras;
- Resolver questões de múltipla escolha, análise comparativa e produção textual com segurança;
- Avaliar seu domínio completo do módulo e do tópico de Literatura, identificando pontos que ainda merecem revisão.
Por que isso é importante?
O Módulo 10 encerrou o longo percurso do Tópico de Literatura, que nos levou do Trovadorismo medieval à poesia marginal, passando pelo Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Modernismo e pela pluralidade de vozes da literatura contemporânea. Este simulado final reúne questões que integram os diversos autores e vertentes estudados no módulo — da poesia de resistência de Ferreira Gullar à escrevivência de Conceição Evaristo, do submundo violento de Rubem Fonseca à oralidade de Geovani Martins.
Por que isso é importante?
O Módulo 10 encerrou o longo percurso do Tópico de Literatura, que nos levou do Trovadorismo medieval à poesia marginal, passando pelo Barroco, Arcadismo, Romantismo, Realismo, Modernismo e pela pluralidade de vozes da literatura contemporânea. Este simulado final reúne questões que integram os diversos autores e vertentes estudados no módulo — da poesia de resistência de Ferreira Gullar à escrevivência de Conceição Evaristo, do submundo violento de Rubem Fonseca à oralidade de Geovani Martins.
Exercícios Mistos
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas, relacionando os perfis estéticos contemporâneos aos seus respectivos representantes técnicos na produção textual recente.
Questão 2 – Na tentativa de aproximar o refinamento das estruturas artísticas europeias ao universo mítico, religioso e cultural do Nordeste brasileiro, destaca-se uma produção teatral cômica de grande repercussão nacional que resgata as tradições dos autos e das farsas. Essa definição descreve a proposta contida na seguinte obra:
a) "Viva o Povo Brasileiro"
b) "O Auto da Compadecida"
c) "Dois Irmãos"
d) "Torto Arado"
Questão 3 – Leia o fragmento a seguir:
"Luísa olhava para os trapos velhos no fundo do baú e via neles os nós que sua mãe atava para moldar bonecas de pano. Não eram simples tecidos; eram pedaços de histórias costurados com o choro contido de três gerações que o tempo tentou apagar e a palavra escrita agora insistia em erguer."
O projeto estético fundamentado na recuperação de trajetórias apagadas e na valorização da ancestralidade, evidenciado no trecho anterior, identifica-se diretamente com a autoria de:
a) Geovani Martins
b) Conceição Evaristo
c) Milton Hatoum
d) João Ubaldo Ribeiro
Nível MédioQuestão 4 – Examine atentamente os dois fragmentos a seguir:
Fragmento A
"as palavras presas na garganta
o medo na calçada escura
a noite sem estrelas
e o grito sufocado que a cidade não ouve"
Fragmento B
"colei meu poema no poste da esquina
rasguei a sintaxe acadêmica
publiquei minha vida em papel de embrulho
para quem quiser ver"
Com base na correlação entre as tendências da Literatura Contemporânea do final do século XX:
a) Identifique a vertente literária correspondente a cada um dos fragmentos, justificando a diferença entre o tom engajado de um e o caráter cotidiano/independente do outro.
b) Explique qual dos trechos apresenta marcas evidentes da chamada "Geração Mimeógrafo" e indique uma característica de sua linguagem.
Questão 5 – Leia o fragmento textual abaixo:
"O garoto desceu o morro correndo, o chinelo estourado preso por um prego. Passou batido pela barricada enquanto os gringos tiravam foto da paisagem lá embaixo. Naquela tarde, a operação na comunidade transformou o céu de azul para cinza em poucos minutos."
Diante da representação dos cenários sociais na ficção brasileira atual:
a) Aponte a principal inovação de perspectiva social presente na literatura de Geovani Martins ao tratar de ambientes periféricos.
b) Trace um contraste entre essa abordagem do cotidiano das comunidades e a representação da violência crua presente nos contos urbanos de Rubem Fonseca.
Questão 6 – Leia o fragmento textual a seguir, construído de acordo com o universo ficcional de Milton Hatoum:
"O casarão à beira do rio exalava o cheiro de especiarias antigas misturado ao mofo das cheias. No pátio, as videiras plantadas pelo patriarca libanês secavam sob o calor sufocante da floresta. Aquela arquitetura em ruínas parecia o espelho exato dos ressentimentos que, há décadas, separavam os membros da família em silêncios intransponíveis."
Com base na leitura do trecho e na proposta estética do autor:
a) Identifique o espaço geográfico sugerido e explique como os elementos materiais da casa e da natureza se relacionam com a crise familiar descrita.
b) Explique como a imigração e o choque cultural são articulados pelo autor para tratar da construção da identidade na região amazônica.
Questão 7 – Produção textual.
A literatura brasileira recente tem se valido da oralidade, do registro coloquial e das variedades linguísticas populares como ferramentas de afirmação estética e política.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) justificando como o uso dessas marcas da fala comum funciona como um instrumento de revisão crítica da sociedade, citando o nome de ao menos um autor do período contemporâneo.
Seu parágrafo:
Nível AvançadoQuestão 8 – Examine os fragmentos abaixo:
Fragmento A
"O capitão-mor ordenava o açoitamento na praça pública para que todos os degredados e nativos compreendessem o peso da Coroa. Mal sabia ele que a crônica oficial omitiria os sussurros de revolta que nasciam nas cozinhas e nos canaviais, onde a verdadeira história do território estava sendo moldada."
Fragmento B
"Tereza não carecia de certidão de nascimento para saber de onde vinha; as cicatrizes nas costas de sua bisavó, transmitidas em relatos sussurrados à beira do fogão a lenha, eram o documento mais legítimo de sua permanência e o motor de sua insubmissão."
Considerando os projetos estéticos de João Ubaldo Ribeiro e Conceição Evaristo na reescrita das trajetórias históricas nacionais:
a) Compare as abordagens narrativas dos dois autores, explicando como o Fragmento A se apoia na ironia e na revisão histórica, enquanto o Fragmento B se ancora na memória íntima e corpórea.
b) Demonstre como ambos os fragmentos combatem a chamada "história oficial" do Brasil.
Questão 9 – Analise os seguintes trechos:
Fragmento A
"A enxada cortava a terra dura com um som seco. Severina sabia que cada gota de suor despejada naquele chão não comprava um centímetro de liberdade. A plantação pertencia ao coronel, o rio pertencia ao coronel, e até o ar que ela respirava parecia cobrado a juros na caderneta do armazém."
Fragmento B
"O sertão aceitava Fabiano, mas o expulsava quando bem entendia. A caatinga era um monstro de galhos secos e espinhos que reduzia o homem à sua carcaça, transformando o pensamento em pura necessidade de sobrevivência, igualando o vaqueiro aos bichos do mato."
A partir da leitura dos fragmentos e da evolução do regionalismo na literatura brasileira:
a) Compare o papel da natureza e do trabalho rural em ambos os trechos, destacando como eles afetam a dignidade ou a resistência dos personagens.
b) Aponte a principal diferença de perspectiva entre o Realismo de 1930 (representado por Graciliano Ramos no Fragmento B) e a ficção agrária contemporânea (como a de Itamar Vieira Junior no Fragmento A).
Questão 10 – Produção textual integrada.
A Literatura Contemporânea Brasileira estabelece um diálogo tenso e produtivo com as tradições do passado (como o Romantismo, o Realismo e o Modernismo), seja assimilando suas heranças, seja rompendo drasticamente com elas para dar voz a novos sujeitos.
Escolha um autor contemporâneo estudado no módulo e escreva um parágrafo (5 a 6 linhas) explicando de que maneira a sua produção estética desconstrói ou resgata os modelos formais e temáticos de alguma escola literária anterior da tradição brasileira.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Perfil Estético) | Coluna B (Autor) |
| 1. Versos diretos, informais e confessionais, marcados pela produção independente e distribuição alternativa dos anos 1970. | ( ) Rubem Fonseca |
| 2. Narrativas secas e impactantes, ambientadas no caos das metrópoles, focando na criminalidade e na indiferença das classes privilegiadas. | ( ) Conceição Evaristo |
| 3. Prosa que resgata a identidade e a herança histórica das mulheres negras a partir da fusão entre a dor íntima e a memória coletiva. | ( ) Ana Cristina Cesar |
Questão 2 – Na tentativa de aproximar o refinamento das estruturas artísticas europeias ao universo mítico, religioso e cultural do Nordeste brasileiro, destaca-se uma produção teatral cômica de grande repercussão nacional que resgata as tradições dos autos e das farsas. Essa definição descreve a proposta contida na seguinte obra:
a) "Viva o Povo Brasileiro"
b) "O Auto da Compadecida"
c) "Dois Irmãos"
d) "Torto Arado"
Questão 3 – Leia o fragmento a seguir:
"Luísa olhava para os trapos velhos no fundo do baú e via neles os nós que sua mãe atava para moldar bonecas de pano. Não eram simples tecidos; eram pedaços de histórias costurados com o choro contido de três gerações que o tempo tentou apagar e a palavra escrita agora insistia em erguer."
O projeto estético fundamentado na recuperação de trajetórias apagadas e na valorização da ancestralidade, evidenciado no trecho anterior, identifica-se diretamente com a autoria de:
a) Geovani Martins
b) Conceição Evaristo
c) Milton Hatoum
d) João Ubaldo Ribeiro
Nível MédioQuestão 4 – Examine atentamente os dois fragmentos a seguir:
Fragmento A
"as palavras presas na garganta
o medo na calçada escura
a noite sem estrelas
e o grito sufocado que a cidade não ouve"
Fragmento B
"colei meu poema no poste da esquina
rasguei a sintaxe acadêmica
publiquei minha vida em papel de embrulho
para quem quiser ver"
Com base na correlação entre as tendências da Literatura Contemporânea do final do século XX:
a) Identifique a vertente literária correspondente a cada um dos fragmentos, justificando a diferença entre o tom engajado de um e o caráter cotidiano/independente do outro.
b) Explique qual dos trechos apresenta marcas evidentes da chamada "Geração Mimeógrafo" e indique uma característica de sua linguagem.
Questão 5 – Leia o fragmento textual abaixo:
"O garoto desceu o morro correndo, o chinelo estourado preso por um prego. Passou batido pela barricada enquanto os gringos tiravam foto da paisagem lá embaixo. Naquela tarde, a operação na comunidade transformou o céu de azul para cinza em poucos minutos."
Diante da representação dos cenários sociais na ficção brasileira atual:
a) Aponte a principal inovação de perspectiva social presente na literatura de Geovani Martins ao tratar de ambientes periféricos.
b) Trace um contraste entre essa abordagem do cotidiano das comunidades e a representação da violência crua presente nos contos urbanos de Rubem Fonseca.
Questão 6 – Leia o fragmento textual a seguir, construído de acordo com o universo ficcional de Milton Hatoum:
"O casarão à beira do rio exalava o cheiro de especiarias antigas misturado ao mofo das cheias. No pátio, as videiras plantadas pelo patriarca libanês secavam sob o calor sufocante da floresta. Aquela arquitetura em ruínas parecia o espelho exato dos ressentimentos que, há décadas, separavam os membros da família em silêncios intransponíveis."
Com base na leitura do trecho e na proposta estética do autor:
a) Identifique o espaço geográfico sugerido e explique como os elementos materiais da casa e da natureza se relacionam com a crise familiar descrita.
b) Explique como a imigração e o choque cultural são articulados pelo autor para tratar da construção da identidade na região amazônica.
Questão 7 – Produção textual.
A literatura brasileira recente tem se valido da oralidade, do registro coloquial e das variedades linguísticas populares como ferramentas de afirmação estética e política.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) justificando como o uso dessas marcas da fala comum funciona como um instrumento de revisão crítica da sociedade, citando o nome de ao menos um autor do período contemporâneo.
Seu parágrafo:
Nível AvançadoQuestão 8 – Examine os fragmentos abaixo:
Fragmento A
"O capitão-mor ordenava o açoitamento na praça pública para que todos os degredados e nativos compreendessem o peso da Coroa. Mal sabia ele que a crônica oficial omitiria os sussurros de revolta que nasciam nas cozinhas e nos canaviais, onde a verdadeira história do território estava sendo moldada."
Fragmento B
"Tereza não carecia de certidão de nascimento para saber de onde vinha; as cicatrizes nas costas de sua bisavó, transmitidas em relatos sussurrados à beira do fogão a lenha, eram o documento mais legítimo de sua permanência e o motor de sua insubmissão."
Considerando os projetos estéticos de João Ubaldo Ribeiro e Conceição Evaristo na reescrita das trajetórias históricas nacionais:
a) Compare as abordagens narrativas dos dois autores, explicando como o Fragmento A se apoia na ironia e na revisão histórica, enquanto o Fragmento B se ancora na memória íntima e corpórea.
b) Demonstre como ambos os fragmentos combatem a chamada "história oficial" do Brasil.
Questão 9 – Analise os seguintes trechos:
Fragmento A
"A enxada cortava a terra dura com um som seco. Severina sabia que cada gota de suor despejada naquele chão não comprava um centímetro de liberdade. A plantação pertencia ao coronel, o rio pertencia ao coronel, e até o ar que ela respirava parecia cobrado a juros na caderneta do armazém."
Fragmento B
"O sertão aceitava Fabiano, mas o expulsava quando bem entendia. A caatinga era um monstro de galhos secos e espinhos que reduzia o homem à sua carcaça, transformando o pensamento em pura necessidade de sobrevivência, igualando o vaqueiro aos bichos do mato."
A partir da leitura dos fragmentos e da evolução do regionalismo na literatura brasileira:
a) Compare o papel da natureza e do trabalho rural em ambos os trechos, destacando como eles afetam a dignidade ou a resistência dos personagens.
b) Aponte a principal diferença de perspectiva entre o Realismo de 1930 (representado por Graciliano Ramos no Fragmento B) e a ficção agrária contemporânea (como a de Itamar Vieira Junior no Fragmento A).
Questão 10 – Produção textual integrada.
A Literatura Contemporânea Brasileira estabelece um diálogo tenso e produtivo com as tradições do passado (como o Romantismo, o Realismo e o Modernismo), seja assimilando suas heranças, seja rompendo drasticamente com elas para dar voz a novos sujeitos.
Escolha um autor contemporâneo estudado no módulo e escreva um parágrafo (5 a 6 linhas) explicando de que maneira a sua produção estética desconstrói ou resgata os modelos formais e temáticos de alguma escola literária anterior da tradição brasileira.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Associação Correta: (2), (3), (1).
Aprenda com a Correção:
O perfil (2) relaciona-se a Rubem Fonseca. Ele consagrou na nossa literatura o romance policial e urbano cru, jogando luz na criminalidade das grandes metrópoles e no comportamento cínico das elites intelectuais ou financeiras que convivem com a barbárie.
O perfil (3) conecta-se a Conceição Evaristo. Sua obra é o pilar da literatura afro-brasileira recente através do conceito de escrevivência, que usa a condição da mulher negra como ponto de partida para falar sobre memórias coletivas e dores ancestrais.
O perfil (1) associa-se a Ana Cristina Cesar. Ela foi uma das vozes mais marcantes da Geração Mimeógrafo nos anos 1970, caracterizada por versos de tom intimista, confessional, fragmentado e que circulavam fora das editoras comerciais.
Questão 2
Alternativa Correta: b) "O Auto da Compadecida"
Aprenda com a Correção: A peça de Ariano Suassuna é a obra definitiva que alcança esse equilíbrio. Ele pega as estruturas clássicas europeias, vindas do teatro medieval de Gil Vicente (os autos religiosos e moralizantes), e as funde com a riqueza do folclore do Nordeste, a literatura de cordel e o humor astuto do sertanejo. As outras alternativas trazem romances sociais, históricos ou urbanos (como João Ubaldo, Hatoum e Itamar), que não entram no gênero teatral da comédia popular.
Questão 3
Alternativa Correta: b) Conceição Evaristo.
Aprenda com a Correção: O fragmento trabalha com o resgate das memórias familiares femininas ("mãe", "três gerações") e usa elementos da vida diária ("bonecas de pano") para transformá-los em resistência e documento histórico através da literatura ("a palavra escrita agora insistia em erguer"). Esse projeto de dar voz aos que foram apagados pela história oficial a partir de uma ótica íntima e identitária é a exata definição da escrevivência de Conceição Evaristo.
Nível MédioQuestão 4
Aprenda com a Correção:
a) Vertentes e Contextos: O Fragmento A pertence à Literatura de Resistência, típica dos anos de chumbo da ditadura militar. O tom é de angústia, isolamento e silenciamento sufocante ("palavras presas na garganta", "medo"). O Fragmento B pertence à Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo) da década de 1970. Embora ambas reajam ao mesmo período histórico, a Poesia Marginal escolhe a ironia, o deboche, o cotidiano despretensioso e a quebra das regras formais como forma de protesto.
b) Geração Mimeógrafo: O Fragmento B traz a marca dessa geração. Sua linguagem é marcadamente coloquial, ágil e antilinear ("colei meu poema no poste", "rasguei a sintaxe"). Ele escancara o processo de produção e circulação independente e alternativo da época, em que o poema não precisava dos livros tradicionais para existir, ganhando as ruas diretamente.
Questão 5
Aprenda com a Correção:
a) Inovação de Perspectiva: A grande virada de Geovani Martins é construir a narrativa de dentro para fora. A periferia e a favela não são vistas pelo olhar de um observador externo ou de forma puramente criminalizada; o texto traz o cotidiano sob a perspectiva dos próprios jovens moradores. Elementos como a violência e as operações policiais ("operação na comunidade") cruzam o texto, mas dividem espaço com a humanidade, os desejos e a rotina comum desses sujeitos.
b) Contraste com Rubem Fonseca: Em Rubem Fonseca, a violência urbana é um espetáculo cru, muitas vezes conduzido pela mente fria e calculista de criminosos ou pela hipocrisia burguesa; a linguagem é seca e o foco é o choque institucional ou moral. Em Geovani Martins, a violência é uma barreira física e social diária que os personagens precisam driblar, retratada com uma linguagem cheia de marcas orais e gírias locais que conferem proximidade e afeto à narrativa.
Questão 6
Aprenda com a Correção:
a) Espaço e Crise Familiar: O espaço geográfico sugerido é Manaus e a região amazônica, marcados pelo "calor sufocante da floresta" e pelas "cheias" do rio. Milton Hatoum usa a decadência material da casa (o mofo, as videiras secando, a arquitetura em ruínas) como um reflexo direto da própria ruína emocional da família. A decadência física do casarão caminha lado a lado com o isolamento e o ressentimento que separam os moradores.
b) Imigração e Identidade: A presença da imigração libanesa (evidenciada pelo "patriarca libanês" e pelas "especiarias") mostra o choque entre as tradições do Velho Mundo e a realidade da Amazônia. O autor articula isso mostrando que a identidade desses sujeitos é cindida: eles tentam manter vivos os laços e a honra da cultura de origem, mas estão inevitavelmente cercados pelo esquecimento, pela distância e pelas transformações históricas e sociais da região que os acolheu.
Questão 7
Aprenda com a Correção (Exemplo de resposta esperado do aluno): "A incorporação da oralidade e das variantes populares na literatura contemporânea funciona como um ato político de inclusão social. Autores como Geovani Martins, em 'O Sol na Cabeça', rompem com a norma-padrão rígida para dar legitimidade histórica e cultural à voz das periferias. Ao colocar as gírias, o ritmo das ruas e o falar comum no mesmo patamar da linguagem literária tradicional, a literatura contemporânea critica a exclusão social e desconstrói o preconceito linguístico, mostrando que o povo anônimo é o verdadeiro protagonista da cultura nacional."
Nível AvançadoQuestão 8
Aprenda com a Correção:
a) Comparação das Estratégias: João Ubaldo Ribeiro (Fragmento A) constrói sua denúncia por meio da sátira e da ironia política, expondo os bastidores do poder ("capitão-mor") para ridicularizar os opressores e valorizar as revoltas anônimas. Já Conceição Evaristo (Fragmento B) prefere a escala íntima, subjetiva e corpórea. A denúncia do trauma da escravidão não é feita por grandes fatos históricos, mas pelas "cicatrizes nas costas da bisavó" transmitidas pelo afeto e pela tradição oral na beira do fogão.
b) Combate à História Oficial: Ambos os textos atacam a "história oficial" (aquela escrita pelos vencedores e registrada nos documentos do Estado) ao provar que ela é incompleta e mentirosa. O Fragmento A diz claramente que a crônica oficial omitiria os sussurros de revolta dos canaviais. O Fragmento B mostra que os relatos familiares e a vivência na própria pele são documentos muito mais legítimos de permanência e insubmissão do que qualquer certidão de nascimento ou registro burocrático.
Questão 9
Aprenda com a Correção:
a) Natureza e Trabalho: No Fragmento A, a natureza (a terra) surge associada à injustiça socioeconômica: o trabalho de Severina não gera liberdade porque a estrutura agrária a aprisiona às dívidas e ao coronelismo. No Fragmento B, a natureza (a caatinga) assume um papel de antagonista brutal e biológica: a seca hostil desumaniza o indivíduo, reduzindo Fabiano à pura sobrevivência biológica, tirando-lhe a capacidade de articulação do pensamento.
b) Diferença de Perspectivas: O Realismo de 30 (Graciliano Ramos) foca no determinismo do meio e na denúncia da exploração social que animaliza o sertanejo ("transformando o vaqueiro em bicho"). A ficção agrária contemporânea (Itamar Vieira Junior) mantém a denúncia da opressão, mas se recusa a animalizar o trabalhador. Na literatura contemporânea, há um espaço profundo para a subjetividade, o lirismo, a ancestralidade e a resistência mística do oprimido, que, apesar de sofrer com o coronelismo, preserva sua dignidade e identidade cultural.
Questão 10
Aprenda com a Correção (Exemplo de resposta esperado do aluno): "O autor contemporâneo Itamar Vieira Junior estabelece um diálogo de resgate e desconstrução com o Romance Regionalista de 30. Em sua obra, ele recupera a temática agrária, a denúncia do latifúndio e a opressão social no interior do Nordeste, elementos típicos de obras como 'Vidas Secas', de Graciliano Ramos. No entanto, Itamar desconstrói o modelo antigo ao abandonar o determinismo biológico e a linguagem seca daquela época. Ele insere na narrativa contemporânea um tom poético, místico e focado no protagonismo feminino e quilombola. Dessa forma, enquanto a tradição de 30 mostrava o sertanejo esmagado e sem voz pelo meio hostil, a literatura contemporânea resgata esse cenário para evidenciar a riqueza de sua ancestralidade e a potência de sua resistência cultural."
Associação Correta: (2), (3), (1).
Aprenda com a Correção:
O perfil (2) relaciona-se a Rubem Fonseca. Ele consagrou na nossa literatura o romance policial e urbano cru, jogando luz na criminalidade das grandes metrópoles e no comportamento cínico das elites intelectuais ou financeiras que convivem com a barbárie.
O perfil (3) conecta-se a Conceição Evaristo. Sua obra é o pilar da literatura afro-brasileira recente através do conceito de escrevivência, que usa a condição da mulher negra como ponto de partida para falar sobre memórias coletivas e dores ancestrais.
O perfil (1) associa-se a Ana Cristina Cesar. Ela foi uma das vozes mais marcantes da Geração Mimeógrafo nos anos 1970, caracterizada por versos de tom intimista, confessional, fragmentado e que circulavam fora das editoras comerciais.
Questão 2
Alternativa Correta: b) "O Auto da Compadecida"
Aprenda com a Correção: A peça de Ariano Suassuna é a obra definitiva que alcança esse equilíbrio. Ele pega as estruturas clássicas europeias, vindas do teatro medieval de Gil Vicente (os autos religiosos e moralizantes), e as funde com a riqueza do folclore do Nordeste, a literatura de cordel e o humor astuto do sertanejo. As outras alternativas trazem romances sociais, históricos ou urbanos (como João Ubaldo, Hatoum e Itamar), que não entram no gênero teatral da comédia popular.
Questão 3
Alternativa Correta: b) Conceição Evaristo.
Aprenda com a Correção: O fragmento trabalha com o resgate das memórias familiares femininas ("mãe", "três gerações") e usa elementos da vida diária ("bonecas de pano") para transformá-los em resistência e documento histórico através da literatura ("a palavra escrita agora insistia em erguer"). Esse projeto de dar voz aos que foram apagados pela história oficial a partir de uma ótica íntima e identitária é a exata definição da escrevivência de Conceição Evaristo.
Nível MédioQuestão 4
Aprenda com a Correção:
a) Vertentes e Contextos: O Fragmento A pertence à Literatura de Resistência, típica dos anos de chumbo da ditadura militar. O tom é de angústia, isolamento e silenciamento sufocante ("palavras presas na garganta", "medo"). O Fragmento B pertence à Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo) da década de 1970. Embora ambas reajam ao mesmo período histórico, a Poesia Marginal escolhe a ironia, o deboche, o cotidiano despretensioso e a quebra das regras formais como forma de protesto.
b) Geração Mimeógrafo: O Fragmento B traz a marca dessa geração. Sua linguagem é marcadamente coloquial, ágil e antilinear ("colei meu poema no poste", "rasguei a sintaxe"). Ele escancara o processo de produção e circulação independente e alternativo da época, em que o poema não precisava dos livros tradicionais para existir, ganhando as ruas diretamente.
Questão 5
Aprenda com a Correção:
a) Inovação de Perspectiva: A grande virada de Geovani Martins é construir a narrativa de dentro para fora. A periferia e a favela não são vistas pelo olhar de um observador externo ou de forma puramente criminalizada; o texto traz o cotidiano sob a perspectiva dos próprios jovens moradores. Elementos como a violência e as operações policiais ("operação na comunidade") cruzam o texto, mas dividem espaço com a humanidade, os desejos e a rotina comum desses sujeitos.
b) Contraste com Rubem Fonseca: Em Rubem Fonseca, a violência urbana é um espetáculo cru, muitas vezes conduzido pela mente fria e calculista de criminosos ou pela hipocrisia burguesa; a linguagem é seca e o foco é o choque institucional ou moral. Em Geovani Martins, a violência é uma barreira física e social diária que os personagens precisam driblar, retratada com uma linguagem cheia de marcas orais e gírias locais que conferem proximidade e afeto à narrativa.
Questão 6
Aprenda com a Correção:
a) Espaço e Crise Familiar: O espaço geográfico sugerido é Manaus e a região amazônica, marcados pelo "calor sufocante da floresta" e pelas "cheias" do rio. Milton Hatoum usa a decadência material da casa (o mofo, as videiras secando, a arquitetura em ruínas) como um reflexo direto da própria ruína emocional da família. A decadência física do casarão caminha lado a lado com o isolamento e o ressentimento que separam os moradores.
b) Imigração e Identidade: A presença da imigração libanesa (evidenciada pelo "patriarca libanês" e pelas "especiarias") mostra o choque entre as tradições do Velho Mundo e a realidade da Amazônia. O autor articula isso mostrando que a identidade desses sujeitos é cindida: eles tentam manter vivos os laços e a honra da cultura de origem, mas estão inevitavelmente cercados pelo esquecimento, pela distância e pelas transformações históricas e sociais da região que os acolheu.
Questão 7
Aprenda com a Correção (Exemplo de resposta esperado do aluno): "A incorporação da oralidade e das variantes populares na literatura contemporânea funciona como um ato político de inclusão social. Autores como Geovani Martins, em 'O Sol na Cabeça', rompem com a norma-padrão rígida para dar legitimidade histórica e cultural à voz das periferias. Ao colocar as gírias, o ritmo das ruas e o falar comum no mesmo patamar da linguagem literária tradicional, a literatura contemporânea critica a exclusão social e desconstrói o preconceito linguístico, mostrando que o povo anônimo é o verdadeiro protagonista da cultura nacional."
Nível AvançadoQuestão 8
Aprenda com a Correção:
a) Comparação das Estratégias: João Ubaldo Ribeiro (Fragmento A) constrói sua denúncia por meio da sátira e da ironia política, expondo os bastidores do poder ("capitão-mor") para ridicularizar os opressores e valorizar as revoltas anônimas. Já Conceição Evaristo (Fragmento B) prefere a escala íntima, subjetiva e corpórea. A denúncia do trauma da escravidão não é feita por grandes fatos históricos, mas pelas "cicatrizes nas costas da bisavó" transmitidas pelo afeto e pela tradição oral na beira do fogão.
b) Combate à História Oficial: Ambos os textos atacam a "história oficial" (aquela escrita pelos vencedores e registrada nos documentos do Estado) ao provar que ela é incompleta e mentirosa. O Fragmento A diz claramente que a crônica oficial omitiria os sussurros de revolta dos canaviais. O Fragmento B mostra que os relatos familiares e a vivência na própria pele são documentos muito mais legítimos de permanência e insubmissão do que qualquer certidão de nascimento ou registro burocrático.
Questão 9
Aprenda com a Correção:
a) Natureza e Trabalho: No Fragmento A, a natureza (a terra) surge associada à injustiça socioeconômica: o trabalho de Severina não gera liberdade porque a estrutura agrária a aprisiona às dívidas e ao coronelismo. No Fragmento B, a natureza (a caatinga) assume um papel de antagonista brutal e biológica: a seca hostil desumaniza o indivíduo, reduzindo Fabiano à pura sobrevivência biológica, tirando-lhe a capacidade de articulação do pensamento.
b) Diferença de Perspectivas: O Realismo de 30 (Graciliano Ramos) foca no determinismo do meio e na denúncia da exploração social que animaliza o sertanejo ("transformando o vaqueiro em bicho"). A ficção agrária contemporânea (Itamar Vieira Junior) mantém a denúncia da opressão, mas se recusa a animalizar o trabalhador. Na literatura contemporânea, há um espaço profundo para a subjetividade, o lirismo, a ancestralidade e a resistência mística do oprimido, que, apesar de sofrer com o coronelismo, preserva sua dignidade e identidade cultural.
Questão 10
Aprenda com a Correção (Exemplo de resposta esperado do aluno): "O autor contemporâneo Itamar Vieira Junior estabelece um diálogo de resgate e desconstrução com o Romance Regionalista de 30. Em sua obra, ele recupera a temática agrária, a denúncia do latifúndio e a opressão social no interior do Nordeste, elementos típicos de obras como 'Vidas Secas', de Graciliano Ramos. No entanto, Itamar desconstrói o modelo antigo ao abandonar o determinismo biológico e a linguagem seca daquela época. Ele insere na narrativa contemporânea um tom poético, místico e focado no protagonismo feminino e quilombola. Dessa forma, enquanto a tradição de 30 mostrava o sertanejo esmagado e sem voz pelo meio hostil, a literatura contemporânea resgata esse cenário para evidenciar a riqueza de sua ancestralidade e a potência de sua resistência cultural."
Encerramento do Módulo 10
Você concluiu o Módulo 10 – Literatura Contemporânea Brasileira!
Ao longo de dez aulas, você percorreu a literatura brasileira das últimas cinco décadas — um período marcado pela diversidade de vozes, pela fragmentação estética e pelo compromisso com as questões mais urgentes do nosso tempo. Você aprendeu a:
Ao longo de dez aulas, você percorreu a literatura brasileira das últimas cinco décadas — um período marcado pela diversidade de vozes, pela fragmentação estética e pelo compromisso com as questões mais urgentes do nosso tempo. Você aprendeu a:
- Compreender o conceito de literatura contemporânea e sua multiplicidade de tendências.
- Identificar as características da Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo) e da Literatura de Resistência à ditadura militar.
- Analisar a prosa de Rubem Fonseca e seu retrato cru da violência urbana.
- Conhecer a narrativa nordestina de João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna, e a literatura da Amazônia de Milton Hatoum.
- Valorizar a escrevivência de Conceição Evaristo e a força da literatura afro-brasileira.
- Reconhecer as novas vozes do século XXI, como Itamar Vieira Junior e Geovani Martins.
Checklist Final do Módulo 10
- Compreendo o conceito e a diversidade da literatura contemporânea brasileira.
- Conheço a Poesia Marginal e seus autores (Ana Cristina Cesar, Paulo Leminski).
- Conheço a Literatura de Resistência (Ferreira Gullar, Fernando Gabeira).
- Identifico as características de Rubem Fonseca e sua literatura de violência urbana.
- Conheço João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna.
- Conheço Milton Hatoum e a literatura da Amazônia.
- Compreendo a escrevivência de Conceição Evaristo.
- Conheço Itamar Vieira Junior e Geovani Martins.
- Resolvi os exercícios mistos e compreendi meus erros.
Ligação com o Próximo Módulo
Você acaba de concluir o Módulo 10, que encerrou o estudo da literatura brasileira contemporânea. Mas a nossa jornada pela literatura em língua portuguesa ainda não terminou. Do outro lado do Atlântico, uma riqueza literária nos espera: as literaturas africanas de língua portuguesa, que nasceram do mesmo idioma, mas que floresceram em contextos completamente diferentes.
No Módulo 11 – Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, você conhecerá autores fundamentais como Mia Couto, Pepetela, Paulina Chiziane e José Eduardo Agualusa, e descobrirá como a oralidade, a história e a luta pela identidade moldaram essas obras. Até lá!
No Módulo 11 – Literaturas Africanas de Língua Portuguesa, você conhecerá autores fundamentais como Mia Couto, Pepetela, Paulina Chiziane e José Eduardo Agualusa, e descobrirá como a oralidade, a história e a luta pela identidade moldaram essas obras. Até lá!