Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender o contexto histórico e cultural da ditadura militar brasileira (1964-1985) e seu impacto na produção literária;
- Identificar as características da Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo): linguagem coloquial, humor, ironia, produção independente e recusa do academicismo;
- Conhecer os principais poetas marginais — Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chacal, Paulo Leminski e Francisco Alvim — e analisar seus poemas;
- Identificar as características da Literatura de Resistência ao regime militar, com sua denúncia da violência, do exílio e da censura, destacando obras como "Poema Sujo" (Ferreira Gullar) e "O Que É Isso, Companheiro?" (Fernando Gabeira).
Por que isso é importante?
Na Aula 1, você conheceu o panorama diversificado da literatura contemporânea brasileira. Agora, vamos mergulhar em duas de suas vertentes fundamentais, que nasceram sob o signo da repressão: a Poesia Marginal e a Literatura de Resistência.
A ditadura militar (1964-1985) foi um período de sombras, censura, perseguição e exílio. A cultura, no entanto, não se calou. Nas ruas, nos bares, nos mimeógrafos, uma nova geração de poetas fazia da palavra uma arma — não necessariamente panfletária, mas libertária. Eles recusaram o "bom mocismo" da poesia acadêmica e criaram uma poesia coloquial, irreverente, que cabia no bolso e era vendida de mão em mão.
Ao mesmo tempo, escritores consagrados ou exilados produziram obras que denunciavam a tortura, a violência de Estado e o desenraizamento. "Poema Sujo", de Ferreira Gullar, escrito no exílio argentino, é um grito de amor e dor entrelaçados. "O Que É Isso, Companheiro?", de Fernando Gabeira, é um relato eletrizante da luta armada. Estudar essas vertentes é compreender como a literatura brasileira respondeu ao autoritarismo com criatividade e coragem. É conteúdo frequente em vestibulares, que cobram o reconhecimento do contexto histórico, as marcas estilísticas da poesia marginal e a análise de obras de resistência.
A ditadura militar (1964-1985) foi um período de sombras, censura, perseguição e exílio. A cultura, no entanto, não se calou. Nas ruas, nos bares, nos mimeógrafos, uma nova geração de poetas fazia da palavra uma arma — não necessariamente panfletária, mas libertária. Eles recusaram o "bom mocismo" da poesia acadêmica e criaram uma poesia coloquial, irreverente, que cabia no bolso e era vendida de mão em mão.
Ao mesmo tempo, escritores consagrados ou exilados produziram obras que denunciavam a tortura, a violência de Estado e o desenraizamento. "Poema Sujo", de Ferreira Gullar, escrito no exílio argentino, é um grito de amor e dor entrelaçados. "O Que É Isso, Companheiro?", de Fernando Gabeira, é um relato eletrizante da luta armada. Estudar essas vertentes é compreender como a literatura brasileira respondeu ao autoritarismo com criatividade e coragem. É conteúdo frequente em vestibulares, que cobram o reconhecimento do contexto histórico, as marcas estilísticas da poesia marginal e a análise de obras de resistência.
Contexto Curioso
O ano de 1968 foi um terremoto global. Em Paris, estudantes erguiam barricadas; nos Estados Unidos, o movimento pelos direitos civis incendiava as ruas; no Brasil, a Passeata dos Cem Mil no Rio de Janeiro protestava contra a ditadura. Mas a resposta do regime foi o Ato Institucional nº 5 (AI-5), em dezembro de 1968, que fechou o Congresso, suspendeu o habeas corpus e inaugurou os "anos de chumbo". A censura prévia a livros, jornais, músicas e peças de teatro tornou-se implacável.
Foi nesse clima que surgiu a "Geração Mimeógrafo". Sem dinheiro para publicar em grandes editoras, que também temiam a repressão, jovens poetas compravam resmas de papel, rodavam seus poemas em mimeógrafos (uma máquina de impressão barata e artesanal), grampeavam as folhas e saíam vendendo nas calçadas, nos bares, nas portas de teatros. O gesto era político em si: furar o bloqueio da censura e da indústria cultural. Como disse Chacal, um dos líderes do grupo, "a poesia marginal é a poesia que não está nos livros, está na vida".
Ao mesmo tempo, a literatura de resistência se infiltrava pelas frestas. Muitos escritores recorriam à alegoria e à metáfora para driblar os censores — um conto sobre um jardim devastado podia ser, na verdade, sobre o Brasil. Outros, exilados, escreviam sem medo no exterior. Ferreira Gullar começou "Poema Sujo" em Buenos Aires, em 1975, e o terminou em Roma, em 1976, com a ajuda do poeta Vinicius de Moraes. Gullar achava que ia morrer (ameaçado pela repressão argentina), e queria deixar um "testamento poético". O poema foi publicado no Brasil em 1977, em plena censura, e se tornou um símbolo da resistência.
Foi nesse clima que surgiu a "Geração Mimeógrafo". Sem dinheiro para publicar em grandes editoras, que também temiam a repressão, jovens poetas compravam resmas de papel, rodavam seus poemas em mimeógrafos (uma máquina de impressão barata e artesanal), grampeavam as folhas e saíam vendendo nas calçadas, nos bares, nas portas de teatros. O gesto era político em si: furar o bloqueio da censura e da indústria cultural. Como disse Chacal, um dos líderes do grupo, "a poesia marginal é a poesia que não está nos livros, está na vida".
Ao mesmo tempo, a literatura de resistência se infiltrava pelas frestas. Muitos escritores recorriam à alegoria e à metáfora para driblar os censores — um conto sobre um jardim devastado podia ser, na verdade, sobre o Brasil. Outros, exilados, escreviam sem medo no exterior. Ferreira Gullar começou "Poema Sujo" em Buenos Aires, em 1975, e o terminou em Roma, em 1976, com a ajuda do poeta Vinicius de Moraes. Gullar achava que ia morrer (ameaçado pela repressão argentina), e queria deixar um "testamento poético". O poema foi publicado no Brasil em 1977, em plena censura, e se tornou um símbolo da resistência.
Teoria Explicada do Zero
Contexto Histórico: A Ditadura Militar e a Censura
O golpe militar de 1964 instaurou no Brasil uma ditadura que duraria 21 anos. A repressão se intensificou com o AI-5 em 1968, que permitiu a censura prévia a todas as manifestações culturais. A imprensa, o teatro, a música e a literatura passaram a ser vigiados. Escritores foram presos, torturados, exilados. Livros foram apreendidos. Diante desse cenário, a literatura se viu forçada a reinventar suas formas de existir e circular.
Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo)
A Poesia Marginal foi um movimento literário informal que floresceu nos anos 1970, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não tinha um manifesto único, mas seus praticantes compartilhavam uma atitude de recusa do sistema literário tradicional.
Características da Poesia Marginal:
· Coloquialismo e Oralidade: A poesia marginal incorpora a fala cotidiana, as gírias, as expressões populares e o humor. É uma poesia que "fala", e não que "declamava".
· Ironia e Autodepreciação: O poeta marginal não se apresenta como um gênio inspirado; ao contrário, zomba de si mesmo e da própria poesia.
· Produção Independente (Mimeógrafo): Os livros eram artesanais — impressos em mimeógrafos, com baixíssimo custo, distribuídos de mão em mão. Isso permitia furar a censura e o controle editorial.
· Linguagem Simples e Direta: Nada de vocabulário raro, hermetismo ou erudição ostensiva. A poesia marginal queria se comunicar com o maior número possível de pessoas.
· Temas do Cotidiano: O amor, o sexo, a política, a vida na cidade, as frustrações pessoais — tudo vira poesia.
Principais Poetas Marginais:
· Ana Cristina Cesar (1952-1983): A mais importante poeta da geração. Sua poesia é marcada pelo tom intimista e por uma aparente simplicidade que esconde grande complexidade. Ela usa cartas, diários e confissões como matéria poética. Obra emblemática: "A Teus Pés" (1982).
· Cacaso (1944-1987): Letrista e poeta, sua poesia é irônica, sensual e marcada pelo amor e pelo cotidiano carioca. Obra: "Segunda Classe" (1975).
· Chacal (1951-): Poeta performático, conhecido por seus recitais em praias e teatros. Sua poesia é bem-humorada, direta e voltada para a oralidade. Obra: "Muito Prazer" (1971).
· Paulo Leminski (1944-1989): Poeta e letrista, um dos mais inventivos da geração. Sua poesia é concisa, rítmica e cheia de trocadilhos. Obra: "Distraídos Venceremos" (1987).
· Francisco Alvim (1938-): Poeta de linguagem enxuta e irônica, que transforma fragmentos de conversas em poesia. Obra: "Passatempo" (1974).
Literatura de Resistência
Ao lado da poesia marginal, muitos escritores fizeram da literatura um instrumento de denúncia da violência de Estado.
Características da Literatura de Resistência:
· Denúncia da Violência e da Tortura: A literatura expõe os porões da ditadura, a perseguição política e o sofrimento dos presos e exilados.
· Alegoria e Metáfora (para driblar a censura): Muitas obras usaram o disfarce simbólico para falar do que era proibido.
· Testemunho e Memória: A literatura de resistência tem um forte caráter testemunhal — narra experiências reais, ainda que ficcionalizadas.
· Engajamento Político: A literatura assume um lado, defende valores democráticos e se opõe ao regime.
Principais Autores da Literatura de Resistência:
· Ferreira Gullar (1930-2016): Poeta e ensaísta, exilou-se na Argentina durante a ditadura. Seu "Poema Sujo" (1975) é um dos mais belos e dolorosos poemas da língua portuguesa, no qual ele retoma suas memórias de São Luís do Maranhão como forma de resistir ao exílio e ao silêncio.
· Fernando Gabeira (1941-): Ex-guerrilheiro, narrou sua experiência no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick em "O Que É Isso, Companheiro?" (1979). O livro é um relato jornalístico e emocionante sobre a luta armada e a repressão.
· Renato Tapajós (1943-2015): Autor de "Em Câmara Lenta" (1977), um dos primeiros romances a retratar a tortura. O livro foi apreendido e proibido pela censura.
Quadro-Resumo: Poesia Marginal e Literatura de Resistência
O golpe militar de 1964 instaurou no Brasil uma ditadura que duraria 21 anos. A repressão se intensificou com o AI-5 em 1968, que permitiu a censura prévia a todas as manifestações culturais. A imprensa, o teatro, a música e a literatura passaram a ser vigiados. Escritores foram presos, torturados, exilados. Livros foram apreendidos. Diante desse cenário, a literatura se viu forçada a reinventar suas formas de existir e circular.
Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo)
A Poesia Marginal foi um movimento literário informal que floresceu nos anos 1970, especialmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não tinha um manifesto único, mas seus praticantes compartilhavam uma atitude de recusa do sistema literário tradicional.
Características da Poesia Marginal:
· Coloquialismo e Oralidade: A poesia marginal incorpora a fala cotidiana, as gírias, as expressões populares e o humor. É uma poesia que "fala", e não que "declamava".
· Ironia e Autodepreciação: O poeta marginal não se apresenta como um gênio inspirado; ao contrário, zomba de si mesmo e da própria poesia.
· Produção Independente (Mimeógrafo): Os livros eram artesanais — impressos em mimeógrafos, com baixíssimo custo, distribuídos de mão em mão. Isso permitia furar a censura e o controle editorial.
· Linguagem Simples e Direta: Nada de vocabulário raro, hermetismo ou erudição ostensiva. A poesia marginal queria se comunicar com o maior número possível de pessoas.
· Temas do Cotidiano: O amor, o sexo, a política, a vida na cidade, as frustrações pessoais — tudo vira poesia.
Principais Poetas Marginais:
· Ana Cristina Cesar (1952-1983): A mais importante poeta da geração. Sua poesia é marcada pelo tom intimista e por uma aparente simplicidade que esconde grande complexidade. Ela usa cartas, diários e confissões como matéria poética. Obra emblemática: "A Teus Pés" (1982).
· Cacaso (1944-1987): Letrista e poeta, sua poesia é irônica, sensual e marcada pelo amor e pelo cotidiano carioca. Obra: "Segunda Classe" (1975).
· Chacal (1951-): Poeta performático, conhecido por seus recitais em praias e teatros. Sua poesia é bem-humorada, direta e voltada para a oralidade. Obra: "Muito Prazer" (1971).
· Paulo Leminski (1944-1989): Poeta e letrista, um dos mais inventivos da geração. Sua poesia é concisa, rítmica e cheia de trocadilhos. Obra: "Distraídos Venceremos" (1987).
· Francisco Alvim (1938-): Poeta de linguagem enxuta e irônica, que transforma fragmentos de conversas em poesia. Obra: "Passatempo" (1974).
Literatura de Resistência
Ao lado da poesia marginal, muitos escritores fizeram da literatura um instrumento de denúncia da violência de Estado.
Características da Literatura de Resistência:
· Denúncia da Violência e da Tortura: A literatura expõe os porões da ditadura, a perseguição política e o sofrimento dos presos e exilados.
· Alegoria e Metáfora (para driblar a censura): Muitas obras usaram o disfarce simbólico para falar do que era proibido.
· Testemunho e Memória: A literatura de resistência tem um forte caráter testemunhal — narra experiências reais, ainda que ficcionalizadas.
· Engajamento Político: A literatura assume um lado, defende valores democráticos e se opõe ao regime.
Principais Autores da Literatura de Resistência:
· Ferreira Gullar (1930-2016): Poeta e ensaísta, exilou-se na Argentina durante a ditadura. Seu "Poema Sujo" (1975) é um dos mais belos e dolorosos poemas da língua portuguesa, no qual ele retoma suas memórias de São Luís do Maranhão como forma de resistir ao exílio e ao silêncio.
· Fernando Gabeira (1941-): Ex-guerrilheiro, narrou sua experiência no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick em "O Que É Isso, Companheiro?" (1979). O livro é um relato jornalístico e emocionante sobre a luta armada e a repressão.
· Renato Tapajós (1943-2015): Autor de "Em Câmara Lenta" (1977), um dos primeiros romances a retratar a tortura. O livro foi apreendido e proibido pela censura.
Quadro-Resumo: Poesia Marginal e Literatura de Resistência
| Vertente | Período | Características | Principais Autores |
| Poesia Marginal | Anos 1970 | Coloquial, irônica, produção artesanal, independente, oralidade. | Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chacal, Leminski, Francisco Alvim. |
| Literatura de Resistência | Anos 1960-1980 | Denúncia da violência, testemunho, alegoria, engajamento, exílio. | Ferreira Gullar, Fernando Gabeira, Renato Tapajós. |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Ana Cristina Cesar, "A Teus Pés" (Intimismo e Coloquialidade):
"Meu coração é uma lata de lixo
cheia de papéis picados.
Não adianta vasculhar:
tudo o que eu escrevi
são coisas que eu não quero mais."
-> Análise: A imagem do coração como "lata de lixo" é antilírica e irônica, típica da poesia marginal. O poema fala do fazer poético e da autocrítica, com uma linguagem simples e direta.
Exemplo 2 – Paulo Leminski (Síntese e Humor):
"Viver é super difícil
o mais fundo
está sempre
na superfície"
-> Análise: Leminski condensa uma reflexão filosófica em poucas palavras. O paradoxo final ("o mais fundo está sempre na superfície") é uma sacada poética típica do autor.
Exemplo 3 – Ferreira Gullar, "Poema Sujo" (Memória e Resistência):
"turvo, turvo,
a turva
mão do vento
em meu rosto
a fala
emudecida
no poço
da noite
a voz
nenhuma"
-> Análise: A linguagem é fragmentada e musical, carregada de angústia. O poema foi escrito no exílio, e as imagens de mudez e escuridão refletem a dor do desenraizamento.
"Meu coração é uma lata de lixo
cheia de papéis picados.
Não adianta vasculhar:
tudo o que eu escrevi
são coisas que eu não quero mais."
-> Análise: A imagem do coração como "lata de lixo" é antilírica e irônica, típica da poesia marginal. O poema fala do fazer poético e da autocrítica, com uma linguagem simples e direta.
Exemplo 2 – Paulo Leminski (Síntese e Humor):
"Viver é super difícil
o mais fundo
está sempre
na superfície"
-> Análise: Leminski condensa uma reflexão filosófica em poucas palavras. O paradoxo final ("o mais fundo está sempre na superfície") é uma sacada poética típica do autor.
Exemplo 3 – Ferreira Gullar, "Poema Sujo" (Memória e Resistência):
"turvo, turvo,
a turva
mão do vento
em meu rosto
a fala
emudecida
no poço
da noite
a voz
nenhuma"
-> Análise: A linguagem é fragmentada e musical, carregada de angústia. O poema foi escrito no exílio, e as imagens de mudez e escuridão refletem a dor do desenraizamento.
O Essencial (Guarde Isso)
- Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo): Anos 1970. Poesia coloquial, irônica, produzida artesanalmente e vendida nas ruas. Principais poetas: Ana Cristina Cesar, Cacaso, Chacal, Paulo Leminski.
- Literatura de Resistência: Anos 1960-1980. Denúncia da ditadura, testemunho, alegoria. Principais autores: Ferreira Gullar ("Poema Sujo"), Fernando Gabeira ("O Que É Isso, Companheiro?").
Dicas Práticas
Dica 1 (Identifique a poesia marginal pelo tom coloquial e pela ironia): Se o poema parece uma conversa, tem humor e evita palavras pomposas, é poesia marginal.
Dica 2 (Associe o autor ao gênero): Gullar → "Poema Sujo" (poesia de resistência, memória); Gabeira → "O Que É Isso, Companheiro?" (relato de resistência); Ana Cristina Cesar → "A Teus Pés" (poesia marginal intimista).
Dica 3 (Lembre-se do contexto): A produção independente (mimeógrafo) foi uma resposta à censura e à concentração do mercado editorial. Essa atitude é tão importante quanto o conteúdo dos poemas.
Dica 2 (Associe o autor ao gênero): Gullar → "Poema Sujo" (poesia de resistência, memória); Gabeira → "O Que É Isso, Companheiro?" (relato de resistência); Ana Cristina Cesar → "A Teus Pés" (poesia marginal intimista).
Dica 3 (Lembre-se do contexto): A produção independente (mimeógrafo) foi uma resposta à censura e à concentração do mercado editorial. Essa atitude é tão importante quanto o conteúdo dos poemas.
Dúvidas Frequentes
A poesia marginal era contra a política?
Era contra o autoritarismo, mas não necessariamente engajada em partidos. Sua política estava no gesto de liberdade, na linguagem coloquial e na recusa dos padrões acadêmicos.
"Poema Sujo" é um poema político?
Sim, mas não panfletário. É político porque nasce do exílio forçado e porque recupera a memória da infância como forma de resistir ao silenciamento imposto pela ditadura.
Ana Cristina Cesar era uma poeta marginal?
Sim, ela circulou entre os poetas da geração mimeógrafo, e sua obra compartilha o tom coloquial e a despretensão formal do grupo. No entanto, sua poesia é altamente elaborada e dialoga com a tradição literária, o que a torna uma figura singular.
Era contra o autoritarismo, mas não necessariamente engajada em partidos. Sua política estava no gesto de liberdade, na linguagem coloquial e na recusa dos padrões acadêmicos.
"Poema Sujo" é um poema político?
Sim, mas não panfletário. É político porque nasce do exílio forçado e porque recupera a memória da infância como forma de resistir ao silenciamento imposto pela ditadura.
Ana Cristina Cesar era uma poeta marginal?
Sim, ela circulou entre os poetas da geração mimeógrafo, e sua obra compartilha o tom coloquial e a despretensão formal do grupo. No entanto, sua poesia é altamente elaborada e dialoga com a tradição literária, o que a torna uma figura singular.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual foi o principal meio de produção e distribuição da Poesia Marginal nos anos 1970?
a) Grandes editoras e livrarias.
b) Mimeógrafos e venda ambulante.
c) Revistas acadêmicas e universidades.
d) Programas de rádio e televisão.
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"Meu coração é uma lata de lixo
cheia de papéis picados."
a) Identifique a poeta e a vertente literária a que pertence.
b) Explique a imagem do coração como "lata de lixo" no contexto da poesia marginal.
Questão 4 – Compare o tom da poesia marginal com o tom da poesia de João Cabral de Melo Neto. Qual a principal diferença de atitude diante da linguagem poética?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando como a poesia marginal e a literatura de resistência representaram, cada uma a seu modo, uma reação ao autoritarismo da ditadura militar.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Autor) | Coluna B (Obra / Característica) |
| 1. Ana Cristina Cesar | ( ) Autor de "Poema Sujo", escrito no exílio. |
| 2. Ferreira Gullar | ( ) Poeta marginal, autora de "A Teus Pés". |
| 3. Paulo Leminski | ( ) Poeta marginal, concisão e trocadilhos. |
Questão 2 – Qual foi o principal meio de produção e distribuição da Poesia Marginal nos anos 1970?
a) Grandes editoras e livrarias.
b) Mimeógrafos e venda ambulante.
c) Revistas acadêmicas e universidades.
d) Programas de rádio e televisão.
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento e responda.
"Meu coração é uma lata de lixo
cheia de papéis picados."
a) Identifique a poeta e a vertente literária a que pertence.
b) Explique a imagem do coração como "lata de lixo" no contexto da poesia marginal.
Questão 4 – Compare o tom da poesia marginal com o tom da poesia de João Cabral de Melo Neto. Qual a principal diferença de atitude diante da linguagem poética?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando como a poesia marginal e a literatura de resistência representaram, cada uma a seu modo, uma reação ao autoritarismo da ditadura militar.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) A geração mimeógrafo usava impressoras artesanais para produzir e vender livros diretamente ao público.
Questão 3
a) Ana Cristina Cesar, Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo).
b) A imagem é antilírica e irônica — o coração, tradicionalmente associado ao amor e à inspiração, é comparado a um objeto descartável e desprezível. Isso expressa a autocrítica e a dessacralização do fazer poético, marcas da poesia marginal.
Questão 4
João Cabral pratica uma poesia cerebral, rigorosa, construída como uma estrutura matemática — o "poeta-engenheiro". A poesia marginal pratica uma poesia coloquial, irônica, que parece improvisada e fala o cotidiano. Cabral contém a emoção pela forma; os marginais a extravasam pelo humor e pela simplicidade.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "A poesia marginal reagiu à ditadura recusando os canais tradicionais de publicação e adotando o mimeógrafo como forma de furar a censura. Sua linguagem coloquial e seu humor desafiavam o discurso oficial. Já a literatura de resistência denunciou diretamente a violência do regime, seja pelo testemunho, como em 'O Que É Isso, Companheiro?', seja pela metáfora e pela memória, como em 'Poema Sujo'."
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) A geração mimeógrafo usava impressoras artesanais para produzir e vender livros diretamente ao público.
Questão 3
a) Ana Cristina Cesar, Poesia Marginal (Geração Mimeógrafo).
b) A imagem é antilírica e irônica — o coração, tradicionalmente associado ao amor e à inspiração, é comparado a um objeto descartável e desprezível. Isso expressa a autocrítica e a dessacralização do fazer poético, marcas da poesia marginal.
Questão 4
João Cabral pratica uma poesia cerebral, rigorosa, construída como uma estrutura matemática — o "poeta-engenheiro". A poesia marginal pratica uma poesia coloquial, irônica, que parece improvisada e fala o cotidiano. Cabral contém a emoção pela forma; os marginais a extravasam pelo humor e pela simplicidade.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "A poesia marginal reagiu à ditadura recusando os canais tradicionais de publicação e adotando o mimeógrafo como forma de furar a censura. Sua linguagem coloquial e seu humor desafiavam o discurso oficial. Já a literatura de resistência denunciou diretamente a violência do regime, seja pelo testemunho, como em 'O Que É Isso, Companheiro?', seja pela metáfora e pela memória, como em 'Poema Sujo'."
Checklist da Aula 2
- Compreendi o contexto da ditadura e seu impacto na literatura.
- Identifico as características da Poesia Marginal e seus principais autores.
- Identifico as características da Literatura de Resistência e seus principais autores.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 3 – Rubem Fonseca e a Literatura Urbana Violenta.
Ligação com a Próxima Aula
Você conheceu a poesia que se fez nas ruas e a literatura que resistiu nas sombras. Mas a literatura contemporânea brasileira também se embrenhou no submundo das grandes cidades. Rubem Fonseca, com sua linguagem crua e seus personagens marginais, foi o grande retratista da violência urbana.
Na Aula 3 – Rubem Fonseca e a Literatura Urbana Violenta, você mergulhará nos contos e romances de um dos escritores mais impactantes da literatura brasileira recente. Até lá!
Na Aula 3 – Rubem Fonseca e a Literatura Urbana Violenta, você mergulhará nos contos e romances de um dos escritores mais impactantes da literatura brasileira recente. Até lá!