Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Conhecer José Eduardo Agualusa como um dos principais escritores angolanos contemporâneos e sua contribuição para a literatura em língua portuguesa;
- Compreender os temas centrais de sua obra: identidade cultural, memória, trânsito entre Angola, Brasil e Portugal, e a reinvenção do passado;
- Identificar as características de sua prosa: realismo mágico, ironia, humor, estrutura narrativa não linear e diálogo com a história;
- Analisar trechos de romances como "Nação Crioula" (1997), "O Vendedor de Passados" (2004) e "Teoria Geral do Esquecimento" (2012).
Por que isso é importante?
Na Aula 2, você conheceu Pepetela, o escritor-guerrilheiro que fez da literatura angolana um instrumento de crítica política e social. Agora, vamos conhecer outro grande nome da literatura de Angola — e um dos autores mais lidos e premiados da língua portuguesa contemporânea: José Eduardo Agualusa.
Se Pepetela escreve a partir da experiência direta da guerra e da construção da nação, Agualusa explora as fronteiras — geográficas, culturais e temporais — que conectam Angola ao Brasil e a Portugal. Sua literatura é um espaço de encontro e de trânsito, onde os personagens cruzam oceanos, reinventam identidades e questionam o que é verdade e o que é ficção. A memória, para Agualusa, não é algo fixo — é um território movediço, que pode ser reescrito.
Estudar Agualusa é importante para os vestibulares porque seus romances figuram entre as obras africanas mais cobradas, especialmente "O Vendedor de Passados" e "Teoria Geral do Esquecimento". Sua prosa, que mescla realismo e fantasia com uma ironia sutil, oferece um contraponto fascinante à literatura mais explicitamente engajada de Pepetela.
Se Pepetela escreve a partir da experiência direta da guerra e da construção da nação, Agualusa explora as fronteiras — geográficas, culturais e temporais — que conectam Angola ao Brasil e a Portugal. Sua literatura é um espaço de encontro e de trânsito, onde os personagens cruzam oceanos, reinventam identidades e questionam o que é verdade e o que é ficção. A memória, para Agualusa, não é algo fixo — é um território movediço, que pode ser reescrito.
Estudar Agualusa é importante para os vestibulares porque seus romances figuram entre as obras africanas mais cobradas, especialmente "O Vendedor de Passados" e "Teoria Geral do Esquecimento". Sua prosa, que mescla realismo e fantasia com uma ironia sutil, oferece um contraponto fascinante à literatura mais explicitamente engajada de Pepetela.
Contexto Curioso
José Eduardo Agualusa nasceu em 1960, na cidade de Huambo, em Angola. Descendente de portugueses e brasileiros, sua própria biografia é um reflexo dos temas que ele explora em seus romances: a mistura, o trânsito, a identidade múltipla. Ele estudou Agronomia em Lisboa, mas logo se dedicou ao jornalismo e à literatura. Viveu em Portugal, no Brasil e em Angola, e essa experiência de "estar entre mundos" impregna toda a sua obra.
Agualusa gosta de brincar com a fronteira entre realidade e ficção. Em "O Vendedor de Passados", o protagonista é um homem que falsifica genealogias — cria passados fictícios para clientes que querem se reinventar. Em "Teoria Geral do Esquecimento", a protagonista, Ludovica, uma portuguesa que vive em Angola, empareda-se em seu apartamento às vésperas da independência e passa décadas isolada, enquanto o país se transforma lá fora. Em "Nação Crioula", Agualusa revisita o século XIX e o tráfico de escravos entre Angola e o Brasil, criando uma narrativa que mistura personagens históricos e fictícios.
Sua literatura é profundamente marcada pelo realismo mágico — a mesma tradição de Gabriel García Márquez e, no Brasil, de Jorge Amado e Murilo Mendes. Em seus romances, o fantástico irrompe no cotidiano com naturalidade. Um camaleão que narra a história, uma mulher que sobrevive décadas emparedada, um albino que vende passados — tudo isso é contado com uma prosa cristalina e um humor que desarma o leitor.
Agualusa recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Prêmio Camões (o mais importante da língua portuguesa, que ele ainda não ganhou, mas foi finalista) e o Prêmio Internacional de Literatura de Dublin. Suas obras são traduzidas para mais de vinte idiomas, e ele é um dos escritores africanos mais lidos no mundo.
Agualusa gosta de brincar com a fronteira entre realidade e ficção. Em "O Vendedor de Passados", o protagonista é um homem que falsifica genealogias — cria passados fictícios para clientes que querem se reinventar. Em "Teoria Geral do Esquecimento", a protagonista, Ludovica, uma portuguesa que vive em Angola, empareda-se em seu apartamento às vésperas da independência e passa décadas isolada, enquanto o país se transforma lá fora. Em "Nação Crioula", Agualusa revisita o século XIX e o tráfico de escravos entre Angola e o Brasil, criando uma narrativa que mistura personagens históricos e fictícios.
Sua literatura é profundamente marcada pelo realismo mágico — a mesma tradição de Gabriel García Márquez e, no Brasil, de Jorge Amado e Murilo Mendes. Em seus romances, o fantástico irrompe no cotidiano com naturalidade. Um camaleão que narra a história, uma mulher que sobrevive décadas emparedada, um albino que vende passados — tudo isso é contado com uma prosa cristalina e um humor que desarma o leitor.
Agualusa recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Prêmio Camões (o mais importante da língua portuguesa, que ele ainda não ganhou, mas foi finalista) e o Prêmio Internacional de Literatura de Dublin. Suas obras são traduzidas para mais de vinte idiomas, e ele é um dos escritores africanos mais lidos no mundo.
Teoria Explicada do Zero
Agualusa e a Geração Pós-Colonial
José Eduardo Agualusa (1960-) pertence a uma geração de escritores angolanos que já nasceu durante a guerra de libertação e amadureceu no pós-independência. Diferentemente da geração de Pepetela, que fez da literatura um instrumento direto de combate, Agualusa explora as questões da identidade, da memória e da história com um olhar mais irônico e cosmopolita.
Sua obra é marcada pelo trânsito entre Angola, Brasil e Portugal. Ele não vê esses países como mundos separados, mas como partes de um mesmo universo cultural — o "mundo atlântico" que a colonização e o tráfico de escravos criaram. Seus personagens são frequentemente viajantes, exilados, deslocados, pessoas que estão sempre "entre" lugares.
Principais Obras
· "Nação Crioula" (1997): Romance epistolar que recria o século XIX e as relações entre Angola e o Brasil através da história de Fradique Mendes, um aventureiro português que se envolve com o tráfico de escravos e com a sociedade angolana. O título remete à ideia de uma "nação crioula" — uma identidade mestiça, híbrida, que nasce do encontro (muitas vezes violento) entre africanos, europeus e brasileiros.
· "O Vendedor de Passados" (2004): O protagonista, Félix Ventura, é um homem que se dedica a criar passados fictícios para seus clientes — pessoas que querem apagar suas origens humildes e adotar genealogias nobres. A chegada de um misterioso estrangeiro desencadeia uma trama que questiona a natureza da memória e da verdade.
· "Teoria Geral do Esquecimento" (2012): Romance inspirado na história real de uma mulher que se isolou em seu apartamento em Luanda por quase trinta anos, durante a guerra civil angolana. A protagonista, Ludovica Fernandes Mano, empareda as portas e janelas e vive isolada, enquanto o país se transforma violentamente lá fora. O romance explora o isolamento, o medo, a memória e a reconstrução da identidade.
Características da Prosa de Agualusa
· Realismo Mágico e Fantástico: O sobrenatural e o absurdo irrompem na narrativa com naturalidade, sem alarde. Um camaleão que sonha, uma mulher que sobrevive décadas emparedada, um albino que vende passados — tudo é tratado como parte da realidade.
· Ironia e Humor Sutil: Agualusa não faz sátira agressiva como Pepetela. Sua ironia é mais delicada, quase afetuosa, e frequentemente se mistura ao humor.
· Estrutura Fragmentada e Não Linear: As narrativas de Agualusa são construídas como mosaicos — fragmentos que o leitor precisa montar. Em "Teoria Geral do Esquecimento", a história de Ludovica é entrecortada por outras vozes e outros tempos.
· Trânsito entre Angola, Brasil e Portugal: Personagens atravessam o Atlântico, e a história dos três países está entrelaçada. Agualusa é um escritor do "mundo atlântico", e sua literatura reflete essa conexão.
· Memória, Identidade e Reinvenção do Passado: A memória não é um dado fixo, mas algo que pode ser recriado, falsificado, apagado. Seus personagens estão sempre tentando reconstruir ou inventar seu passado. "O Vendedor de Passados" é a metáfora perfeita desse tema.
· Personagens à Margem: Os protagonistas de Agualusa são frequentemente excêntricos, solitários, deslocados. São pessoas que não se encaixam, que vivem nas bordas da sociedade.
Quadro-Resumo: Agualusa
José Eduardo Agualusa (1960-) pertence a uma geração de escritores angolanos que já nasceu durante a guerra de libertação e amadureceu no pós-independência. Diferentemente da geração de Pepetela, que fez da literatura um instrumento direto de combate, Agualusa explora as questões da identidade, da memória e da história com um olhar mais irônico e cosmopolita.
Sua obra é marcada pelo trânsito entre Angola, Brasil e Portugal. Ele não vê esses países como mundos separados, mas como partes de um mesmo universo cultural — o "mundo atlântico" que a colonização e o tráfico de escravos criaram. Seus personagens são frequentemente viajantes, exilados, deslocados, pessoas que estão sempre "entre" lugares.
Principais Obras
· "Nação Crioula" (1997): Romance epistolar que recria o século XIX e as relações entre Angola e o Brasil através da história de Fradique Mendes, um aventureiro português que se envolve com o tráfico de escravos e com a sociedade angolana. O título remete à ideia de uma "nação crioula" — uma identidade mestiça, híbrida, que nasce do encontro (muitas vezes violento) entre africanos, europeus e brasileiros.
· "O Vendedor de Passados" (2004): O protagonista, Félix Ventura, é um homem que se dedica a criar passados fictícios para seus clientes — pessoas que querem apagar suas origens humildes e adotar genealogias nobres. A chegada de um misterioso estrangeiro desencadeia uma trama que questiona a natureza da memória e da verdade.
· "Teoria Geral do Esquecimento" (2012): Romance inspirado na história real de uma mulher que se isolou em seu apartamento em Luanda por quase trinta anos, durante a guerra civil angolana. A protagonista, Ludovica Fernandes Mano, empareda as portas e janelas e vive isolada, enquanto o país se transforma violentamente lá fora. O romance explora o isolamento, o medo, a memória e a reconstrução da identidade.
Características da Prosa de Agualusa
· Realismo Mágico e Fantástico: O sobrenatural e o absurdo irrompem na narrativa com naturalidade, sem alarde. Um camaleão que sonha, uma mulher que sobrevive décadas emparedada, um albino que vende passados — tudo é tratado como parte da realidade.
· Ironia e Humor Sutil: Agualusa não faz sátira agressiva como Pepetela. Sua ironia é mais delicada, quase afetuosa, e frequentemente se mistura ao humor.
· Estrutura Fragmentada e Não Linear: As narrativas de Agualusa são construídas como mosaicos — fragmentos que o leitor precisa montar. Em "Teoria Geral do Esquecimento", a história de Ludovica é entrecortada por outras vozes e outros tempos.
· Trânsito entre Angola, Brasil e Portugal: Personagens atravessam o Atlântico, e a história dos três países está entrelaçada. Agualusa é um escritor do "mundo atlântico", e sua literatura reflete essa conexão.
· Memória, Identidade e Reinvenção do Passado: A memória não é um dado fixo, mas algo que pode ser recriado, falsificado, apagado. Seus personagens estão sempre tentando reconstruir ou inventar seu passado. "O Vendedor de Passados" é a metáfora perfeita desse tema.
· Personagens à Margem: Os protagonistas de Agualusa são frequentemente excêntricos, solitários, deslocados. São pessoas que não se encaixam, que vivem nas bordas da sociedade.
Quadro-Resumo: Agualusa
| Aspecto | Características |
| Autor | José Eduardo Agualusa (1960-). |
| País | Angola. |
| Geração | Pós-colonial (amadureceu após a independência). |
| Temas centrais | Identidade, memória, trânsito Angola-Brasil-Portugal, realismo mágico. |
| Obras principais | "Nação Crioula" (1997), "O Vendedor de Passados" (2004), "Teoria Geral do Esquecimento" (2012). |
| Estilo | Prosa límpida, ironia sutil, estrutura fragmentada, humor. |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – "O Vendedor de Passados" (Abertura — A Reinvenção do Passado):
"Félix Ventura, o vendedor de passados, vivia num casarão antigo, no centro da cidade, entre livros e memórias alheias. A sua profissão era inventar genealogias. Para os seus clientes, ele criava antepassados ilustres, brasões de família, feitos heroicos. Tudo falso. Tudo verdadeiro. Porque a verdade, dizia Félix, é uma questão de ponto de vista."
-> Análise: O narrador apresenta o protagonista e sua profissão insólita com naturalidade. A frase final condensa o tema central do romance: a verdade é uma construção, não um dado objetivo. A linguagem é clara e elegante, típica de Agualusa.
Exemplo 2 – "Teoria Geral do Esquecimento" (Isolamento e Resistência):
"Ludovica não queria ver o mundo. O mundo era feio, barulhento, injusto. Por isso, ela fechou as portas e janelas, tapou as frestas com jornais e cimento. Durante quase trinta anos, viveu ali, naquele apartamento, com o seu cão, as suas plantas, os seus livros. O mundo lá fora explodia e se reconstruía, e ela não queria saber."
-> Análise: A história de Ludovica é baseada em um caso real, mas Agualusa a transforma em literatura. O isolamento da protagonista é, ao mesmo tempo, uma fuga e uma forma de resistência. A linguagem é simples e direta, mas de grande força poética.
Exemplo 3 – "Nação Crioula" (O Atlântico como Ponte):
"O mar não separa Angola do Brasil. O mar os une. É a mesma água, o mesmo sal, os mesmos peixes. Os navios que partiam de Luanda carregavam escravos. Os que voltavam traziam açúcar, tabaco, ideias. O Atlântico era uma rua de mão dupla."
-> Análise: Agualusa subverte a visão do oceano como barreira. Para ele, o Atlântico é um espaço de conexão — trágico, violento, mas também fértil. Essa visão do "mundo atlântico" como uma unidade cultural é uma das marcas centrais de sua obra.
"Félix Ventura, o vendedor de passados, vivia num casarão antigo, no centro da cidade, entre livros e memórias alheias. A sua profissão era inventar genealogias. Para os seus clientes, ele criava antepassados ilustres, brasões de família, feitos heroicos. Tudo falso. Tudo verdadeiro. Porque a verdade, dizia Félix, é uma questão de ponto de vista."
-> Análise: O narrador apresenta o protagonista e sua profissão insólita com naturalidade. A frase final condensa o tema central do romance: a verdade é uma construção, não um dado objetivo. A linguagem é clara e elegante, típica de Agualusa.
Exemplo 2 – "Teoria Geral do Esquecimento" (Isolamento e Resistência):
"Ludovica não queria ver o mundo. O mundo era feio, barulhento, injusto. Por isso, ela fechou as portas e janelas, tapou as frestas com jornais e cimento. Durante quase trinta anos, viveu ali, naquele apartamento, com o seu cão, as suas plantas, os seus livros. O mundo lá fora explodia e se reconstruía, e ela não queria saber."
-> Análise: A história de Ludovica é baseada em um caso real, mas Agualusa a transforma em literatura. O isolamento da protagonista é, ao mesmo tempo, uma fuga e uma forma de resistência. A linguagem é simples e direta, mas de grande força poética.
Exemplo 3 – "Nação Crioula" (O Atlântico como Ponte):
"O mar não separa Angola do Brasil. O mar os une. É a mesma água, o mesmo sal, os mesmos peixes. Os navios que partiam de Luanda carregavam escravos. Os que voltavam traziam açúcar, tabaco, ideias. O Atlântico era uma rua de mão dupla."
-> Análise: Agualusa subverte a visão do oceano como barreira. Para ele, o Atlântico é um espaço de conexão — trágico, violento, mas também fértil. Essa visão do "mundo atlântico" como uma unidade cultural é uma das marcas centrais de sua obra.
O Essencial (Guarde Isso)
- José Eduardo Agualusa (1960-): Escritor angolano, um dos mais premiados da língua portuguesa contemporânea.
- Temas centrais: Identidade, memória, trânsito Angola-Brasil-Portugal, realismo mágico.
- Principais obras: "Nação Crioula" (1997), "O Vendedor de Passados" (2004), "Teoria Geral do Esquecimento" (2012).
- Estilo: Prosa límpida e elegante, ironia sutil, humor, estrutura fragmentada.
Dicas Práticas
Dica 1 (Associe Agualusa à memória e à identidade): Se o texto trata de passados inventados, genealogias falsas, personagens que se isolam ou cruzam o Atlântico, é Agualusa. Se fala de guerra, guerrilha e corrupção, é Pepetela.
Dica 2 (Decore as obras e seus temas): "O Vendedor de Passados" → falsificação de identidades. "Teoria Geral do Esquecimento" → isolamento e guerra civil. "Nação Crioula" → tráfico de escravos e conexão Angola-Brasil.
Dica 3 (Realismo mágico com naturalidade): Diferentemente de García Márquez, que descreve o fantástico com exuberância, Agualusa o faz com simplicidade. Um albino que vende passados é apresentado como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Dica 4 (Observe o humor sutil): Agualusa não faz sátira agressiva. Seu humor é delicado, irônico, às vezes melancólico. É uma ironia que faz sorrir, não gargalhar.
Dica 2 (Decore as obras e seus temas): "O Vendedor de Passados" → falsificação de identidades. "Teoria Geral do Esquecimento" → isolamento e guerra civil. "Nação Crioula" → tráfico de escravos e conexão Angola-Brasil.
Dica 3 (Realismo mágico com naturalidade): Diferentemente de García Márquez, que descreve o fantástico com exuberância, Agualusa o faz com simplicidade. Um albino que vende passados é apresentado como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Dica 4 (Observe o humor sutil): Agualusa não faz sátira agressiva. Seu humor é delicado, irônico, às vezes melancólico. É uma ironia que faz sorrir, não gargalhar.
Dúvidas Frequentes
Agualusa é um escritor realista?
Não exatamente. Ele pratica o realismo mágico, incorporando elementos fantásticos à narrativa com naturalidade. Um camaleão que sonha ou um albino que vende passados são exemplos dessa mistura entre o real e o fantástico.
"Teoria Geral do Esquecimento" é baseado em uma história real?
Sim, o romance é inspirado na história de uma mulher angolana que se isolou em seu apartamento durante a guerra civil. Agualusa recria essa história com licença poética, transformando o fato real em literatura.
Qual a relação de Agualusa com o Brasil?
Ele viveu no Brasil, e muitos de seus romances exploram a conexão histórica e cultural entre Angola e o Brasil, especialmente através do tráfico de escravos e da herança africana na cultura brasileira.
Não exatamente. Ele pratica o realismo mágico, incorporando elementos fantásticos à narrativa com naturalidade. Um camaleão que sonha ou um albino que vende passados são exemplos dessa mistura entre o real e o fantástico.
"Teoria Geral do Esquecimento" é baseado em uma história real?
Sim, o romance é inspirado na história de uma mulher angolana que se isolou em seu apartamento durante a guerra civil. Agualusa recria essa história com licença poética, transformando o fato real em literatura.
Qual a relação de Agualusa com o Brasil?
Ele viveu no Brasil, e muitos de seus romances exploram a conexão histórica e cultural entre Angola e o Brasil, especialmente através do tráfico de escravos e da herança africana na cultura brasileira.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual das alternativas abaixo descreve corretamente uma característica da obra de Agualusa?
a) Denúncia política direta e engajamento partidário.
b) Realismo mágico e reflexão sobre memória e identidade.
c) Foco exclusivo na vida rural e na oralidade tradicional.
d) Rejeição total de elementos fantásticos e sobrenaturais.
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de "O Vendedor de Passados" e responda.
"A verdade, dizia Félix, é uma questão de ponto de vista."
a) Explique como essa frase condensa o tema central do romance.
b) Relacione essa ideia à história recente de Angola.
Questão 4 – Compare a crítica social em Pepetela ("O Cão e os Caluandas") e em Agualusa ("O Vendedor de Passados"). Qual a principal diferença de tom e de estratégia narrativa?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que o Atlântico, na obra de Agualusa, é visto como uma ponte, e não como uma barreira.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Autor) | Coluna B (Obra) |
| 1. Pepetela | ( ) "O Vendedor de Passados" |
| 2. José Eduardo Agualusa | ( ) "Mayombe" |
Questão 2 – Qual das alternativas abaixo descreve corretamente uma característica da obra de Agualusa?
a) Denúncia política direta e engajamento partidário.
b) Realismo mágico e reflexão sobre memória e identidade.
c) Foco exclusivo na vida rural e na oralidade tradicional.
d) Rejeição total de elementos fantásticos e sobrenaturais.
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de "O Vendedor de Passados" e responda.
"A verdade, dizia Félix, é uma questão de ponto de vista."
a) Explique como essa frase condensa o tema central do romance.
b) Relacione essa ideia à história recente de Angola.
Questão 4 – Compare a crítica social em Pepetela ("O Cão e os Caluandas") e em Agualusa ("O Vendedor de Passados"). Qual a principal diferença de tom e de estratégia narrativa?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que o Atlântico, na obra de Agualusa, é visto como uma ponte, e não como uma barreira.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: b) Realismo mágico e reflexão sobre memória e identidade. As demais (a, c, d) são incorretas.
Questão 3
a) A frase condensa o tema central do romance porque Félix Ventura ganha a vida falsificando passados. Se a verdade é uma questão de ponto de vista, então a identidade também é — e todos os clientes de Félix estão, de algum modo, reinventando quem são.
b) Angola passou por décadas de guerra civil e reconfigurações políticas. Nesse contexto, a memória e a verdade histórica são disputadas. O romance de Agualusa reflete essa realidade, mostrando que o passado pode ser tão inventado quanto o futuro.
Questão 4
Pepetela faz uma sátira agressiva e explícita, usando o humor corrosivo para denunciar a burocracia e a corrupção. Agualusa faz uma crítica mais sutil, através da ironia e do realismo mágico — ele não ataca diretamente, mas mostra como a própria ideia de "verdade" é frágil. Pepetela denuncia os vícios do poder; Agualusa questiona a própria noção de verdade.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Para Agualusa, o Atlântico não é uma barreira, mas uma ponte que conecta Angola, Brasil e Portugal. Ele vê esses países como partes de um mesmo universo cultural, formado pela colonização e pelo tráfico de escravos. Em suas obras, os personagens cruzam o oceano, e a história de um país está sempre entrelaçada com a do outro. O mar, em vez de separar, une."
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: b) Realismo mágico e reflexão sobre memória e identidade. As demais (a, c, d) são incorretas.
Questão 3
a) A frase condensa o tema central do romance porque Félix Ventura ganha a vida falsificando passados. Se a verdade é uma questão de ponto de vista, então a identidade também é — e todos os clientes de Félix estão, de algum modo, reinventando quem são.
b) Angola passou por décadas de guerra civil e reconfigurações políticas. Nesse contexto, a memória e a verdade histórica são disputadas. O romance de Agualusa reflete essa realidade, mostrando que o passado pode ser tão inventado quanto o futuro.
Questão 4
Pepetela faz uma sátira agressiva e explícita, usando o humor corrosivo para denunciar a burocracia e a corrupção. Agualusa faz uma crítica mais sutil, através da ironia e do realismo mágico — ele não ataca diretamente, mas mostra como a própria ideia de "verdade" é frágil. Pepetela denuncia os vícios do poder; Agualusa questiona a própria noção de verdade.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Para Agualusa, o Atlântico não é uma barreira, mas uma ponte que conecta Angola, Brasil e Portugal. Ele vê esses países como partes de um mesmo universo cultural, formado pela colonização e pelo tráfico de escravos. Em suas obras, os personagens cruzam o oceano, e a história de um país está sempre entrelaçada com a do outro. O mar, em vez de separar, une."
Checklist da Aula 3
- Conheço José Eduardo Agualusa e sua importância na literatura angolana e mundial.
- Identifico os temas centrais de sua obra: identidade, memória, trânsito Angola-Brasil-Portugal.
- Compreendi as características de "O Vendedor de Passados", "Teoria Geral do Esquecimento" e "Nação Crioula".
- Sei diferenciar a prosa de Agualusa da de Pepetela.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 4 – Moçambique: Mia Couto e a Reinvenção da Língua Portuguesa.
Ligação com a Próxima Aula
Você conheceu a literatura angolana em duas de suas maiores expressões: Pepetela, o escritor do engajamento político, e Agualusa, o escritor da memória e da identidade. Agora, vamos atravessar o continente africano e chegar a Moçambique, onde um escritor-biólogo reinventou a língua portuguesa com uma criatividade que fascina leitores no mundo inteiro.
Na Aula 4 – Moçambique: Mia Couto e a Reinvenção da Língua Portuguesa, você mergulhará na obra de um dos autores mais originais da atualidade, conhecendo seus neologismos, sua oralidade e seu realismo mágico. Até lá!
Na Aula 4 – Moçambique: Mia Couto e a Reinvenção da Língua Portuguesa, você mergulhará na obra de um dos autores mais originais da atualidade, conhecendo seus neologismos, sua oralidade e seu realismo mágico. Até lá!