Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender o conceito de intertextualidade: o diálogo que todo texto estabelece com outros textos que o antecederam;
- Perceber que a intertextualidade está presente não apenas na literatura, mas também na publicidade, no cinema, na música e nas conversas do dia a dia;
- Reconhecer que entender a intertextualidade enriquece a leitura, pois permite acessar camadas mais profundas de significado.
Por que isso é importante?
Você já dedicou muitos módulos a estudar a estrutura da língua, os sentidos das palavras, as figuras de linguagem e os mecanismos de coesão. Agora, é hora de ampliar o olhar: nenhum texto existe sozinho. Toda vez que alguém escreve, está, conscientemente ou não, dialogando com textos que leu, ouviu ou viveu.
Imagine uma publicidade que, para vender um carro, usa a imagem de uma nave espacial. Ou um cartaz que, para promover a leitura, imita visualmente a estrutura de uma famosa rede social. Essas criações não surgem do nada. Elas estão, na verdade, "conversando" com outras obras, filmes ou ideias que já fazem parte do nosso repertório cultural. Esse fenômeno é a intertextualidade.
Compreender esse fenômeno é importante para:
· Ler textos com mais profundidade, percebendo camadas de sentido que escapam a um leitor desatento;
· Escrever com mais riqueza, dialogando intencionalmente com outros textos para criar humor, crítica ou homenagem;
· Resolver questões de prova, especialmente do ENEM e de vestibulares, que cobram com frequência a identificação de diferentes formas de intertextualidade.
Imagine uma publicidade que, para vender um carro, usa a imagem de uma nave espacial. Ou um cartaz que, para promover a leitura, imita visualmente a estrutura de uma famosa rede social. Essas criações não surgem do nada. Elas estão, na verdade, "conversando" com outras obras, filmes ou ideias que já fazem parte do nosso repertório cultural. Esse fenômeno é a intertextualidade.
Compreender esse fenômeno é importante para:
· Ler textos com mais profundidade, percebendo camadas de sentido que escapam a um leitor desatento;
· Escrever com mais riqueza, dialogando intencionalmente com outros textos para criar humor, crítica ou homenagem;
· Resolver questões de prova, especialmente do ENEM e de vestibulares, que cobram com frequência a identificação de diferentes formas de intertextualidade.
Contexto Curioso
A etimologia nos ajuda a fixar o conceito: inter- (entre) + texto + -idade (qualidade). A intertextualidade é, portanto, a qualidade daquilo que está entre os textos.
Pense na sensação de ver um filme e, de repente, perceber que uma cena é uma clara referência a outro filme que você ama. Nesse momento, você está experimentando a intertextualidade. O autor não copiou; ele fez uma "piscadela", confiando que você, como espectador, tem o repertório necessário para entender a referência e se sentir parte de um círculo de conhecedores.
Essa ideia de que um texto é sempre uma resposta a outros textos é antiga, mas foi especialmente desenvolvida por estudiosos da linguagem no século XX, que perceberam que a comunicação humana é fundamentalmente dialógica. Para eles, o sujeito falante não é o primeiro a enunciar uma ideia, e seu discurso sempre se encontra com os discursos de outros, concordando, discordando ou transformando-os.
Pense na sensação de ver um filme e, de repente, perceber que uma cena é uma clara referência a outro filme que você ama. Nesse momento, você está experimentando a intertextualidade. O autor não copiou; ele fez uma "piscadela", confiando que você, como espectador, tem o repertório necessário para entender a referência e se sentir parte de um círculo de conhecedores.
Essa ideia de que um texto é sempre uma resposta a outros textos é antiga, mas foi especialmente desenvolvida por estudiosos da linguagem no século XX, que perceberam que a comunicação humana é fundamentalmente dialógica. Para eles, o sujeito falante não é o primeiro a enunciar uma ideia, e seu discurso sempre se encontra com os discursos de outros, concordando, discordando ou transformando-os.
Teoria Explicada do Zero
O Mosaico de Vozes
Um texto nunca é uma ilha isolada. Ele é construído a partir de fragmentos, referências, ecos e memórias de inúmeros outros textos que o autor leu, ouviu e viveu. Essa característica faz com que todo texto seja, na verdade, um grande mosaico de vozes que se encontram e dialogam.
A intertextualidade é justamente a propriedade que os textos têm de conversar entre si. Esse diálogo pode acontecer de muitas maneiras: pode ser uma referência explícita (como uma citação), uma imitação estilizada (como uma paródia), ou uma simples alusão sutil que apenas os leitores mais atentos perceberão.
Intertextualidade Explícita e Implícita
O diálogo entre os textos pode se manifestar de duas formas principais:
Intertextualidade Explícita: Quando a fonte da referência é claramente indicada. É o caso da citação direta, em que o autor transcreve um trecho de outro texto e o atribui ao seu autor original. Também é o caso da epígrafe, aquela frase curta colocada no início de um livro ou capítulo. (Essas formas serão estudadas em detalhes na Aula 3).
Intertextualidade Implícita: Quando a fonte não é mencionada, e o leitor precisa perceber a referência por conta própria. É o caso da paródia (que imita outro texto para criticar ou fazer humor) e da paráfrase (que o reescreve com outras palavras). (Essas formas serão estudadas em detalhes nas Aulas 4, 5, 6 e 7).
Um Exemplo para Visualizar
Imagine que um escritor contemporâneo inicia seu conto com a seguinte frase:
"Era uma vez uma cidade que não dormia."
Essa simples frase estabelece, no mínimo, dois diálogos intertextuais:
1. Com os contos de fadas tradicionais, que classicamente se iniciam com "Era uma vez..." — o que gera no leitor a expectativa de uma história maravilhosa.
2. Com a expressão popular "cidade que nunca dorme" — apelido famoso de uma grande metrópole mundial —, o que transporta o leitor para um cenário urbano, moderno e agitado.
Em uma única frase, o autor mobiliza dois universos distintos (o dos contos de fadas e o da metrópole contemporânea), criando um efeito de sentido que só é possível graças à intertextualidade.
Um texto nunca é uma ilha isolada. Ele é construído a partir de fragmentos, referências, ecos e memórias de inúmeros outros textos que o autor leu, ouviu e viveu. Essa característica faz com que todo texto seja, na verdade, um grande mosaico de vozes que se encontram e dialogam.
A intertextualidade é justamente a propriedade que os textos têm de conversar entre si. Esse diálogo pode acontecer de muitas maneiras: pode ser uma referência explícita (como uma citação), uma imitação estilizada (como uma paródia), ou uma simples alusão sutil que apenas os leitores mais atentos perceberão.
Intertextualidade Explícita e Implícita
O diálogo entre os textos pode se manifestar de duas formas principais:
Intertextualidade Explícita: Quando a fonte da referência é claramente indicada. É o caso da citação direta, em que o autor transcreve um trecho de outro texto e o atribui ao seu autor original. Também é o caso da epígrafe, aquela frase curta colocada no início de um livro ou capítulo. (Essas formas serão estudadas em detalhes na Aula 3).
Intertextualidade Implícita: Quando a fonte não é mencionada, e o leitor precisa perceber a referência por conta própria. É o caso da paródia (que imita outro texto para criticar ou fazer humor) e da paráfrase (que o reescreve com outras palavras). (Essas formas serão estudadas em detalhes nas Aulas 4, 5, 6 e 7).
Um Exemplo para Visualizar
Imagine que um escritor contemporâneo inicia seu conto com a seguinte frase:
"Era uma vez uma cidade que não dormia."
Essa simples frase estabelece, no mínimo, dois diálogos intertextuais:
1. Com os contos de fadas tradicionais, que classicamente se iniciam com "Era uma vez..." — o que gera no leitor a expectativa de uma história maravilhosa.
2. Com a expressão popular "cidade que nunca dorme" — apelido famoso de uma grande metrópole mundial —, o que transporta o leitor para um cenário urbano, moderno e agitado.
Em uma única frase, o autor mobiliza dois universos distintos (o dos contos de fadas e o da metrópole contemporânea), criando um efeito de sentido que só é possível graças à intertextualidade.
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Intertextualidade explícita em um artigo:
· "Em seu discurso de posse, a nova diretora citou um antigo educador da casa: 'A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo'."
-> Análise: O artigo faz uma citação direta da fala da diretora, que, por sua vez, cita o educador. Essa é uma forma explícita de intertextualidade, que busca dar credibilidade ao texto e conectar as ideias da nova diretora às do antigo educador. O leitor sabe exatamente de onde veio a frase.
Exemplo 2 – Intertextualidade implícita em uma propaganda:
· "Navegar é preciso, estacionar não é."
-> Análise: O slogan da propaganda de um novo carro com sensor de estacionamento estabelece um diálogo implícito com uma famosa frase do universo da literatura. A propaganda não cita a fonte, mas confia que o leitor reconhecerá a referência. Ao fazer isso, associa o carro à ideia de aventura, precisão e ousadia, ao mesmo tempo que faz um trocadilho com o ato de estacionar.
Exemplo 3 – Intertextualidade em uma conversa cotidiana:
· "Fulano pisou na bola com o chefe e agora está procurando outro emprego."
-> Análise: A expressão "pisar na bola" é uma gíria do futebol que significa "cometer um erro". Quem usa essa expressão está, mesmo sem perceber, fazendo uma referência a um universo discursivo (o futebol) que todos os brasileiros compartilham. Essa é uma forma de intertextualidade tão enraizada na cultura que já nem a notamos.
· "Em seu discurso de posse, a nova diretora citou um antigo educador da casa: 'A educação não transforma o mundo. A educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo'."
-> Análise: O artigo faz uma citação direta da fala da diretora, que, por sua vez, cita o educador. Essa é uma forma explícita de intertextualidade, que busca dar credibilidade ao texto e conectar as ideias da nova diretora às do antigo educador. O leitor sabe exatamente de onde veio a frase.
Exemplo 2 – Intertextualidade implícita em uma propaganda:
· "Navegar é preciso, estacionar não é."
-> Análise: O slogan da propaganda de um novo carro com sensor de estacionamento estabelece um diálogo implícito com uma famosa frase do universo da literatura. A propaganda não cita a fonte, mas confia que o leitor reconhecerá a referência. Ao fazer isso, associa o carro à ideia de aventura, precisão e ousadia, ao mesmo tempo que faz um trocadilho com o ato de estacionar.
Exemplo 3 – Intertextualidade em uma conversa cotidiana:
· "Fulano pisou na bola com o chefe e agora está procurando outro emprego."
-> Análise: A expressão "pisar na bola" é uma gíria do futebol que significa "cometer um erro". Quem usa essa expressão está, mesmo sem perceber, fazendo uma referência a um universo discursivo (o futebol) que todos os brasileiros compartilham. Essa é uma forma de intertextualidade tão enraizada na cultura que já nem a notamos.
O Essencial (Guarde Isso)
- Intertextualidade: É o diálogo que um texto estabelece com outros textos. Nenhum texto está sozinho no mundo; todos são feitos de ecos e referências.
- Ela pode ser explícita (quando a fonte é citada) ou implícita (quando a fonte fica subentendida).
- Reconhecer a intertextualidade é como "ouvir a conversa" que os textos estão tendo entre si, o que torna a leitura muito mais rica e interessante.
Dicas Práticas
Dica 1 (Leia com o radar ligado): Ao ler um texto, pergunte-se: "Isso que estou lendo me lembra de quê? Já vi essa ideia, essa frase ou essa estrutura em algum outro lugar?" Esse é o primeiro passo para identificar a intertextualidade.
Dica 2 (A "piscadela" do autor): Muitas vezes, a intertextualidade funciona como uma "piscadela" que o autor dá para o leitor. É um convite para que o leitor faça parte de um círculo de conhecedores. Se você "captar" a piscadela, a leitura fica muito mais divertida e significativa.
Dica 3 (Pesquise as epígrafes): As epígrafes (aquelas frases no início de livros e capítulos) são portas de entrada para a intertextualidade. Ao ler uma epígrafe, procure saber de onde ela veio e quem a escreveu. Isso já te dará pistas sobre o tema e o tom do texto que você vai ler.
Dica 2 (A "piscadela" do autor): Muitas vezes, a intertextualidade funciona como uma "piscadela" que o autor dá para o leitor. É um convite para que o leitor faça parte de um círculo de conhecedores. Se você "captar" a piscadela, a leitura fica muito mais divertida e significativa.
Dica 3 (Pesquise as epígrafes): As epígrafes (aquelas frases no início de livros e capítulos) são portas de entrada para a intertextualidade. Ao ler uma epígrafe, procure saber de onde ela veio e quem a escreveu. Isso já te dará pistas sobre o tema e o tom do texto que você vai ler.
Dúvidas Frequentes
Intertextualidade é a mesma coisa que plágio?
Não. O plágio é copiar o texto de outra pessoa e apresentá-lo como seu, sem dar crédito. É um crime. A intertextualidade é um diálogo criativo e intencional, que enriquece o novo texto, seja citando a fonte (explícita) ou fazendo uma referência que o leitor deve perceber (implícita).
Toda referência é intertextualidade?
Sim, a referência a outra obra é uma forma de intertextualidade. Quando um filme faz uma cena que lembra outro filme famoso, ou quando uma música sampleia um trecho de outra, isso é intertextualidade.
Não. O plágio é copiar o texto de outra pessoa e apresentá-lo como seu, sem dar crédito. É um crime. A intertextualidade é um diálogo criativo e intencional, que enriquece o novo texto, seja citando a fonte (explícita) ou fazendo uma referência que o leitor deve perceber (implícita).
Toda referência é intertextualidade?
Sim, a referência a outra obra é uma forma de intertextualidade. Quando um filme faz uma cena que lembra outro filme famoso, ou quando uma música sampleia um trecho de outra, isso é intertextualidade.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Marque a opção que melhor define intertextualidade.
a) A propriedade que um texto tem de ser original e não se parecer com nenhum outro.
b) O diálogo que um texto estabelece com outros textos que o antecederam.
c) A análise da estrutura interna das frases de um texto.
d) A correção ortográfica e gramatical de um texto.
Questão 2 – Observe a situação:
Uma propaganda de um novo carro usa o seguinte slogan: "Navegar é preciso, mas estacionar também é."
a) Esse slogan estabelece um diálogo com qual tipo de frase famosa?
b) Esse diálogo é explícito ou implícito? Por quê?
a) A propriedade que um texto tem de ser original e não se parecer com nenhum outro.
b) O diálogo que um texto estabelece com outros textos que o antecederam.
c) A análise da estrutura interna das frases de um texto.
d) A correção ortográfica e gramatical de um texto.
Questão 2 – Observe a situação:
Uma propaganda de um novo carro usa o seguinte slogan: "Navegar é preciso, mas estacionar também é."
a) Esse slogan estabelece um diálogo com qual tipo de frase famosa?
b) Esse diálogo é explícito ou implícito? Por quê?
Gabarito Comentado
Questão 1
b) A intertextualidade é justamente o diálogo que um texto estabelece com outros, seja por meio de citações, paródias, paráfrases ou alusões.
Questão 2
a) O slogan dialoga com uma famosa frase da literatura que associa o ato de navegar à precisão e à aventura.
b) O diálogo é implícito. O slogan não cita a fonte da frase original, mas confia que o leitor reconhecerá a referência e, a partir dela, associará o carro à ideia de aventura e precisão.
b) A intertextualidade é justamente o diálogo que um texto estabelece com outros, seja por meio de citações, paródias, paráfrases ou alusões.
Questão 2
a) O slogan dialoga com uma famosa frase da literatura que associa o ato de navegar à precisão e à aventura.
b) O diálogo é implícito. O slogan não cita a fonte da frase original, mas confia que o leitor reconhecerá a referência e, a partir dela, associará o carro à ideia de aventura e precisão.
Checklist da Aula 1
- Compreendi o conceito de intertextualidade como o diálogo entre textos.
- Sei diferenciar intertextualidade explícita de implícita.
- Percebo que a intertextualidade está em todo lugar, enriquecendo a comunicação.
- Estou preparado(a) para a Aula 2 – Polifonia: As Vozes do Texto.
Ligação com a Próxima Aula
Agora você já sabe que os textos vivem em constante diálogo. Na Aula 2 – Polifonia: As Vozes do Texto , vamos nos aprofundar na teoria que explica esse fenômeno. Você entenderá por que, para a linguística moderna, nenhum texto é neutro ou absolutamente original, e como a nossa própria fala é um mosaico de vozes que se encontram.
Até lá!
Até lá!