Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender que a intenção do autor não está declarada em uma frase, mas espalhada em marcas que o texto deixa;
- Identificar três dessas marcas — vocabulário, tom e seleção de argumentos — e analisar como elas revelam o propósito comunicativo;
- Perceber que textos que se apresentam como neutros muitas vezes carregam intenções implícitas, acessíveis apenas ao leitor que sabe identificar essas marcas.
Por que isso é importante?
Nas três primeiras aulas do Módulo 2, você aprendeu a identificar ironia, humor, ambiguidade, duplo sentido e figuras de linguagem. Cada um desses recursos tem uma função: eles estão ali porque o autor quer produzir um efeito no leitor — criticar, convencer, emocionar, ironizar.
Mas a intenção não se revela apenas nos recursos mais chamativos. Ela está também nas escolhas aparentemente neutras: as palavras que o autor usa, o tom que adota, os argumentos que seleciona e os que omite. Um texto que descreve uma manifestação popular como "baderna" não está apenas informando — está tomando partido. Um artigo que só entrevista defensores de uma política e ignora os críticos não está sendo objetivo — está persuadindo.
Aprender a ler essas marcas sutis é o que separa o leitor ingênuo do leitor crítico. É o que permite responder com segurança a perguntas como "Qual a intenção do autor ao empregar a expressão X?" ou "Pode-se afirmar que o texto é imparcial?".
Mas a intenção não se revela apenas nos recursos mais chamativos. Ela está também nas escolhas aparentemente neutras: as palavras que o autor usa, o tom que adota, os argumentos que seleciona e os que omite. Um texto que descreve uma manifestação popular como "baderna" não está apenas informando — está tomando partido. Um artigo que só entrevista defensores de uma política e ignora os críticos não está sendo objetivo — está persuadindo.
Aprender a ler essas marcas sutis é o que separa o leitor ingênuo do leitor crítico. É o que permite responder com segurança a perguntas como "Qual a intenção do autor ao empregar a expressão X?" ou "Pode-se afirmar que o texto é imparcial?".
Contexto Curioso
Em 1946, George Orwell publicou o ensaio "A Política e a Língua Inglesa", no qual defendia que a degradação da linguagem política estava diretamente ligada à degradação do pensamento político. Para Orwell, palavras vagas, eufemismos e jargões não eram apenas defeitos de estilo — eram ferramentas de manipulação. Quando um governo chama um bombardeio de "intervenção cirúrgica", não está apenas sendo educado: está tentando fazer com que o leitor aceite a violência como algo limpo e preciso.
O que Orwell percebeu é exatamente o que esta aula pretende ensinar: as palavras não são inocentes. Cada escolha vocabular, cada tom, cada argumento selecionado carrega uma intenção. O leitor que não percebe essas marcas é conduzido sem saber. O leitor que as percebe conquista sua autonomia.
O que Orwell percebeu é exatamente o que esta aula pretende ensinar: as palavras não são inocentes. Cada escolha vocabular, cada tom, cada argumento selecionado carrega uma intenção. O leitor que não percebe essas marcas é conduzido sem saber. O leitor que as percebe conquista sua autonomia.
Teoria Explicada do Zero
O que são Marcas de Intenção?
Marcas de intenção são pistas que o texto oferece e que permitem ao leitor inferir o propósito comunicativo do autor. Elas podem ser mais evidentes (como uma ironia explícita) ou mais sutis (como a escolha de um adjetivo aparentemente inofensivo).
Nesta aula, focaremos em três marcas fundamentais: o vocabulário, o tom e a seleção de argumentos.
Primeira Marca: O Vocabulário
As palavras que o autor escolhe não são neutras. Elas carregam sentidos, associações e valores. Ao analisar o vocabulário de um texto, pergunte-se: as palavras têm carga positiva, negativa ou neutra? Elas são técnicas ou coloquiais? São precisas ou vagas?
Exemplo prático:
Compare estas duas frases que descrevem o mesmo fato:
· "Manifestantes ocuparam a avenida principal, interrompendo o tráfego por três horas."
· "Baderna na avenida: vândalos fecham o trânsito e causam prejuízo."
A primeira frase usa "manifestantes" (termo neutro), "ocuparam" (verbo sem carga negativa explícita), "interrompendo o tráfego" (descrição objetiva da consequência). A segunda usa "baderna" (substantivo pejorativo, que qualifica negativamente a manifestação), "vândalos" (termo criminalizante) e "causam prejuízo" (ênfase no dano).
As duas frases descrevem o mesmo fato. Mas a intenção da primeira é informar de forma relativamente neutra, enquanto a intenção da segunda é desqualificar a manifestação e seus participantes. A diferença está inteiramente no vocabulário.
O que observar no vocabulário:
· Adjetivos e substantivos valorativos: palavras como "herói", "mártir", "gênio" (carga positiva); "traidor", "desastre", "farsa", "vândalo" (carga negativa).
· Verbos que indicam ação ou julgamento: "anunciou" (neutro), "admitiu" (sugere que a informação foi arrancada), "confessou" (sugere culpa).
· Eufemismos e disfemismos: "reestruturação" no lugar de "demissão" (suavização); "massacre" no lugar de "confronto" (intensificação negativa).
· Palavras técnicas vs. coloquiais: vocabulário técnico pode indicar intenção de parecer objetivo; vocabulário coloquial pode indicar intenção de aproximação com o leitor.
Segunda Marca: O Tom
O tom é a atitude do autor em relação ao tema e ao leitor. Ele se manifesta na escolha do vocabulário, mas também na construção das frases, no uso de recursos expressivos e na postura geral do texto.
Tipos de tom e o que revelam sobre a intenção:
Exemplo de análise de tom:
Texto A: "Os senhores parlamentares, reunidos em sessão solene, deliberaram acerca da matéria com a gravidade que o tema exige."
Texto B: "Os deputados se reuniram, discutiram um pouco, bocejaram bastante e, no final, aprovaram o projeto sem nem ler."
O tema é o mesmo: uma votação parlamentar. Mas o tom do Texto A é solene e respeitoso — ele confere dignidade ao processo. O tom do Texto B é irônico e crítico — ele ridiculariza o processo e sugere desleixo. A intenção do Texto A é legitimar a votação; a do Texto B é deslegitimá-la.
Terceira Marca: A Seleção de Argumentos
Nenhum texto dá conta de todos os aspectos de um tema. O autor sempre escolhe o que incluir e o que omitir. Essa seleção é uma das marcas mais reveladoras da intenção, porque mostra qual lado da questão o autor quer que o leitor veja — e qual lado ele quer que o leitor ignore.
O que observar na seleção de argumentos:
· Quais vozes aparecem no texto? O autor dá espaço a diferentes perspectivas ou apenas a uma? Se um artigo sobre cotas raciais entrevista apenas contrários à política, a intenção não é informar, é persuadir contra as cotas.
· Quais argumentos são apresentados como fortes e quais como fracos? Um texto pode mencionar o argumento contrário apenas para ridicularizá-lo ou refutá-lo rapidamente, enquanto desenvolve longamente os argumentos favoráveis.
· O que é omitido? A omissão é a marca mais difícil de perceber, porque o leitor só nota o que está ausente se conhecer o tema. Se um texto sobre desmatamento na Amazônia não menciona o agronegócio, essa omissão pode revelar uma intenção de proteger o setor.
Exemplo de análise de seleção de argumentos:
Imagine dois textos sobre o mesmo tema: a redução da maioridade penal.
Texto A: "A redução da maioridade penal é uma medida necessária para conter a criminalidade juvenil. Países que adotaram a medida, como a Índia, tiveram queda nos índices de delitos cometidos por menores. Além disso, a sociedade clama por mais segurança."
Texto B: "A redução da maioridade penal é uma medida ineficaz e injusta. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que os menores representam apenas 1% dos crimes violentos no Brasil. Além disso, especialistas em direitos humanos alertam que a medida viola acordos internacionais e não resolve as causas da violência."
O Texto A seleciona argumentos favoráveis (comparação internacional, clamor social) e omite os dados sobre a baixa participação de menores nos crimes violentos. O Texto B seleciona argumentos contrários (dados do CNJ, direitos humanos). Ambos são parciais — a diferença está no que escolhem mostrar e esconder.
Quadro-Resumo: As Três Marcas e Suas Perguntas-Chave
Marcas de intenção são pistas que o texto oferece e que permitem ao leitor inferir o propósito comunicativo do autor. Elas podem ser mais evidentes (como uma ironia explícita) ou mais sutis (como a escolha de um adjetivo aparentemente inofensivo).
Nesta aula, focaremos em três marcas fundamentais: o vocabulário, o tom e a seleção de argumentos.
Primeira Marca: O Vocabulário
As palavras que o autor escolhe não são neutras. Elas carregam sentidos, associações e valores. Ao analisar o vocabulário de um texto, pergunte-se: as palavras têm carga positiva, negativa ou neutra? Elas são técnicas ou coloquiais? São precisas ou vagas?
Exemplo prático:
Compare estas duas frases que descrevem o mesmo fato:
· "Manifestantes ocuparam a avenida principal, interrompendo o tráfego por três horas."
· "Baderna na avenida: vândalos fecham o trânsito e causam prejuízo."
A primeira frase usa "manifestantes" (termo neutro), "ocuparam" (verbo sem carga negativa explícita), "interrompendo o tráfego" (descrição objetiva da consequência). A segunda usa "baderna" (substantivo pejorativo, que qualifica negativamente a manifestação), "vândalos" (termo criminalizante) e "causam prejuízo" (ênfase no dano).
As duas frases descrevem o mesmo fato. Mas a intenção da primeira é informar de forma relativamente neutra, enquanto a intenção da segunda é desqualificar a manifestação e seus participantes. A diferença está inteiramente no vocabulário.
O que observar no vocabulário:
· Adjetivos e substantivos valorativos: palavras como "herói", "mártir", "gênio" (carga positiva); "traidor", "desastre", "farsa", "vândalo" (carga negativa).
· Verbos que indicam ação ou julgamento: "anunciou" (neutro), "admitiu" (sugere que a informação foi arrancada), "confessou" (sugere culpa).
· Eufemismos e disfemismos: "reestruturação" no lugar de "demissão" (suavização); "massacre" no lugar de "confronto" (intensificação negativa).
· Palavras técnicas vs. coloquiais: vocabulário técnico pode indicar intenção de parecer objetivo; vocabulário coloquial pode indicar intenção de aproximação com o leitor.
Segunda Marca: O Tom
O tom é a atitude do autor em relação ao tema e ao leitor. Ele se manifesta na escolha do vocabulário, mas também na construção das frases, no uso de recursos expressivos e na postura geral do texto.
Tipos de tom e o que revelam sobre a intenção:
| Tom | Características | O que Revela? |
| Irônico | Diz o contrário do que pensa; usa exagero, contraste, humor ácido. | Crítica, denúncia de contradições. |
| Solene / Grave | Linguagem elevada, frases longas, vocabulário formal. | Conferir importância ao tema; emocionar ou impressionar. |
| Coloquial / Próximo | Linguagem informal, uso de "você", gírias, perguntas diretas. | Aproximar-se do leitor; criar intimidade; persuadir com simpatia. |
| Agressivo / Combativo | Verbos no imperativo, acusações diretas, vocabulário inflamado. | Mobilizar, indignar, atacar adversários. |
| Neutro / Impessoal | Terceira pessoa, ausência de adjetivos valorativos, dados objetivos. | Informar com aparência de imparcialidade (mas atenção: pode ser uma estratégia para disfarçar uma intenção). |
Exemplo de análise de tom:
Texto A: "Os senhores parlamentares, reunidos em sessão solene, deliberaram acerca da matéria com a gravidade que o tema exige."
Texto B: "Os deputados se reuniram, discutiram um pouco, bocejaram bastante e, no final, aprovaram o projeto sem nem ler."
O tema é o mesmo: uma votação parlamentar. Mas o tom do Texto A é solene e respeitoso — ele confere dignidade ao processo. O tom do Texto B é irônico e crítico — ele ridiculariza o processo e sugere desleixo. A intenção do Texto A é legitimar a votação; a do Texto B é deslegitimá-la.
Terceira Marca: A Seleção de Argumentos
Nenhum texto dá conta de todos os aspectos de um tema. O autor sempre escolhe o que incluir e o que omitir. Essa seleção é uma das marcas mais reveladoras da intenção, porque mostra qual lado da questão o autor quer que o leitor veja — e qual lado ele quer que o leitor ignore.
O que observar na seleção de argumentos:
· Quais vozes aparecem no texto? O autor dá espaço a diferentes perspectivas ou apenas a uma? Se um artigo sobre cotas raciais entrevista apenas contrários à política, a intenção não é informar, é persuadir contra as cotas.
· Quais argumentos são apresentados como fortes e quais como fracos? Um texto pode mencionar o argumento contrário apenas para ridicularizá-lo ou refutá-lo rapidamente, enquanto desenvolve longamente os argumentos favoráveis.
· O que é omitido? A omissão é a marca mais difícil de perceber, porque o leitor só nota o que está ausente se conhecer o tema. Se um texto sobre desmatamento na Amazônia não menciona o agronegócio, essa omissão pode revelar uma intenção de proteger o setor.
Exemplo de análise de seleção de argumentos:
Imagine dois textos sobre o mesmo tema: a redução da maioridade penal.
Texto A: "A redução da maioridade penal é uma medida necessária para conter a criminalidade juvenil. Países que adotaram a medida, como a Índia, tiveram queda nos índices de delitos cometidos por menores. Além disso, a sociedade clama por mais segurança."
Texto B: "A redução da maioridade penal é uma medida ineficaz e injusta. Dados do Conselho Nacional de Justiça mostram que os menores representam apenas 1% dos crimes violentos no Brasil. Além disso, especialistas em direitos humanos alertam que a medida viola acordos internacionais e não resolve as causas da violência."
O Texto A seleciona argumentos favoráveis (comparação internacional, clamor social) e omite os dados sobre a baixa participação de menores nos crimes violentos. O Texto B seleciona argumentos contrários (dados do CNJ, direitos humanos). Ambos são parciais — a diferença está no que escolhem mostrar e esconder.
Quadro-Resumo: As Três Marcas e Suas Perguntas-Chave
| Marca | O que Observar? | Pergunta para o Leitor |
| Vocabulário | Adjetivos, substantivos, verbos com carga valorativa; eufemismos; palavras técnicas ou coloquiais. | "As palavras escolhidas são neutras ou carregam juízo de valor?" |
| Tom | Ironia, solenidade, agressividade, proximidade, neutralidade. | "Qual a atitude do autor em relação ao tema e ao leitor?" |
| Seleção de argumentos | Vozes incluídas e omitidas; argumentos desenvolvidos e argumentos apenas mencionados. | "O que o autor escolheu mostrar e o que escolheu esconder?" |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Análise de Vocabulário:
Dois trechos sobre o mesmo fato: a reintegração de posse de um terreno ocupado.
Texto A: "A polícia cumpriu a ordem judicial de reintegração de posse. As famílias foram retiradas do local e encaminhadas a um abrigo provisório."
Texto B: "A tropa de choque invadiu o acampamento ao amanhecer. Crianças choravam enquanto os barracos eram destruídos pelos cassetetes."
· O Texto A usa vocabulário técnico e neutro: "cumpriu a ordem judicial", "retiradas", "encaminhadas", "abrigo provisório". A intenção é apresentar a ação como legal, ordenada e humanitária.
· O Texto B usa vocabulário carregado: "tropa de choque" (em vez de "polícia"), "invadiu" (em vez de "cumpriu a ordem"), "crianças choravam", "cassetetes". A intenção é denunciar a violência da operação e gerar comoção.
Exemplo 2 – Análise de Tom:
"A educação brasileira passa por dificuldades. Faltam recursos, sobram desafios. Mas, como dizia o educador Paulo Freire, é na esperança que se constrói o futuro."
· O tom é esperançoso e levemente solene. A citação de Paulo Freire e a construção "é na esperança que se constrói o futuro" conferem um ar de otimismo e reflexão. A intenção é encorajar, inspirar, apontar para um horizonte positivo apesar das dificuldades.
Exemplo 3 – Análise de Seleção de Argumentos:
Uma reportagem sobre uma nova usina hidrelétrica na Amazônia.
Se a reportagem entrevista apenas o presidente da empresa construtora (que fala dos empregos gerados) e o governador (que fala do desenvolvimento), mas não entrevista ambientalistas nem comunidades ribeirinhas que serão deslocadas, a seleção de vozes revela uma intenção: favorecer o empreendimento, omitindo os impactos negativos.
Dois trechos sobre o mesmo fato: a reintegração de posse de um terreno ocupado.
Texto A: "A polícia cumpriu a ordem judicial de reintegração de posse. As famílias foram retiradas do local e encaminhadas a um abrigo provisório."
Texto B: "A tropa de choque invadiu o acampamento ao amanhecer. Crianças choravam enquanto os barracos eram destruídos pelos cassetetes."
· O Texto A usa vocabulário técnico e neutro: "cumpriu a ordem judicial", "retiradas", "encaminhadas", "abrigo provisório". A intenção é apresentar a ação como legal, ordenada e humanitária.
· O Texto B usa vocabulário carregado: "tropa de choque" (em vez de "polícia"), "invadiu" (em vez de "cumpriu a ordem"), "crianças choravam", "cassetetes". A intenção é denunciar a violência da operação e gerar comoção.
Exemplo 2 – Análise de Tom:
"A educação brasileira passa por dificuldades. Faltam recursos, sobram desafios. Mas, como dizia o educador Paulo Freire, é na esperança que se constrói o futuro."
· O tom é esperançoso e levemente solene. A citação de Paulo Freire e a construção "é na esperança que se constrói o futuro" conferem um ar de otimismo e reflexão. A intenção é encorajar, inspirar, apontar para um horizonte positivo apesar das dificuldades.
Exemplo 3 – Análise de Seleção de Argumentos:
Uma reportagem sobre uma nova usina hidrelétrica na Amazônia.
Se a reportagem entrevista apenas o presidente da empresa construtora (que fala dos empregos gerados) e o governador (que fala do desenvolvimento), mas não entrevista ambientalistas nem comunidades ribeirinhas que serão deslocadas, a seleção de vozes revela uma intenção: favorecer o empreendimento, omitindo os impactos negativos.
O Essencial (Guarde Isso)
- As marcas de intenção são pistas que revelam o propósito comunicativo do autor.
- Vocabulário: palavras com carga positiva ou negativa, eufemismos, tecnicismos. Pergunte-se: "As palavras são neutras?"
- Tom: a atitude do autor (irônico, solene, agressivo, próximo, neutro). Pergunte-se: "Qual a postura do autor diante do tema?"
- Seleção de argumentos: o que é incluído e o que é omitido. Pergunte-se: "Quem tem voz no texto? Quem não tem?"
- A intenção geralmente não está declarada — o leitor precisa inferi-la a partir dessas marcas.
Dicas Práticas
Dica 1 (Sublinhe os adjetivos): Na leitura com grifos, dê atenção especial aos adjetivos e aos substantivos que carregam valor (herói, tragédia, farsa, avanço, desastre). Eles são as pistas mais visíveis da intenção.
Dica 2 (Compare com uma versão neutra imaginária): Se você quer saber se o texto é tendencioso, imagine como uma agência de notícias imparcial descreveria o mesmo fato. As diferenças entre as duas versões revelarão as marcas de intenção.
Dica 3 (Pergunte-se: "Quem está falando e o que essa pessoa ganha com isso?"): A intenção muitas vezes está ligada aos interesses de quem escreve. Um sindicato, um partido, uma empresa — cada um tem seus interesses, e isso transparece no texto.
Dica 4 (Desconfie da omissão): O que não está no texto pode ser tão revelador quanto o que está. Se um tema polêmico é tratado sem que se ouça um dos lados, a omissão é uma marca de intenção.
Dica 2 (Compare com uma versão neutra imaginária): Se você quer saber se o texto é tendencioso, imagine como uma agência de notícias imparcial descreveria o mesmo fato. As diferenças entre as duas versões revelarão as marcas de intenção.
Dica 3 (Pergunte-se: "Quem está falando e o que essa pessoa ganha com isso?"): A intenção muitas vezes está ligada aos interesses de quem escreve. Um sindicato, um partido, uma empresa — cada um tem seus interesses, e isso transparece no texto.
Dica 4 (Desconfie da omissão): O que não está no texto pode ser tão revelador quanto o que está. Se um tema polêmico é tratado sem que se ouça um dos lados, a omissão é uma marca de intenção.
Dúvidas Frequentes
Um texto pode ter vocabulário neutro e ainda assim ser tendencioso?
Sim. A aparente neutralidade pode ser uma estratégia para disfarçar a intenção. Um texto que usa vocabulário técnico e impessoal pode, pela seleção de argumentos, estar defendendo um ponto de vista sem parecer que o faz. Por isso, é importante analisar as três marcas em conjunto.
O tom irônico sempre indica intenção de criticar?
Quase sempre. A ironia é um recurso que cria um contraste entre o que é dito e o que é pretendido, e esse contraste geralmente está a serviço da crítica. Mas a ironia também pode ser usada de forma mais leve, apenas para provocar humor, sem uma crítica contundente.
A seleção de argumentos não é inevitável em qualquer texto?
Sim, todo texto seleciona. Mas o leitor crítico deve perceber essa seleção e perguntar-se: "O que foi deixado de fora e por quê?" A consciência da seleção é o que permite ler com autonomia.
Sim. A aparente neutralidade pode ser uma estratégia para disfarçar a intenção. Um texto que usa vocabulário técnico e impessoal pode, pela seleção de argumentos, estar defendendo um ponto de vista sem parecer que o faz. Por isso, é importante analisar as três marcas em conjunto.
O tom irônico sempre indica intenção de criticar?
Quase sempre. A ironia é um recurso que cria um contraste entre o que é dito e o que é pretendido, e esse contraste geralmente está a serviço da crítica. Mas a ironia também pode ser usada de forma mais leve, apenas para provocar humor, sem uma crítica contundente.
A seleção de argumentos não é inevitável em qualquer texto?
Sim, todo texto seleciona. Mas o leitor crítico deve perceber essa seleção e perguntar-se: "O que foi deixado de fora e por quê?" A consciência da seleção é o que permite ler com autonomia.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe cada marca de intenção à sua pergunta-chave.
Questão 2 – Leia a frase e identifique a marca de intenção mais evidente.
"O governante, em mais uma demonstração de sua incompetência, anunciou ontem o novo pacote de medidas."
a) Tom neutro
b) Vocabulário com carga negativa
c) Seleção equilibrada de argumentos
d) Tom solene
Nível MédioQuestão 3 – Os dois trechos abaixo descrevem o mesmo fato. Compare-os e identifique a intenção de cada um, justificando com as marcas de vocabulário e tom.
Texto A: "O governo anunciou um reajuste de 3% nos impostos sobre combustíveis. A medida visa recompor o orçamento e garantir investimentos em infraestrutura."
Texto B: "O governo meteu a mão no bolso do contribuinte mais uma vez. O aumento de 3% nos combustíveis vai pesar no bolso de quem já está sufocado."
Intenção do Texto A: ________________________________________________
Marcas que justificam: ________________________________________________
Intenção do Texto B: ________________________________________________
Marcas que justificam: ________________________________________________
Questão 4 – Leia o parágrafo e responda.
"O novo shopping center, construído onde antes havia uma área de preservação, gerou mais de dois mil empregos diretos e aqueceu a economia da região. Os moradores do entorno comemoram a chegada do empreendimento."
a) Que vozes aparecem no texto?
b) Que vozes estão ausentes?
c) O que essa seleção de argumentos revela sobre a intenção do texto?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva dois parágrafos curtos (3 a 4 linhas cada) sobre o mesmo tema: o fechamento de uma biblioteca pública no bairro. No primeiro, use vocabulário neutro e tom informativo. No segundo, use vocabulário com carga negativa e tom crítico.
Parágrafo 1 (neutro / informativo):
Parágrafo 2 (vocabulário negativo / tom crítico):
| Coluna A (Marca) | Coluna B (Pergunta-chave) |
| 1. Vocabulário | ( ) "Qual a atitude do autor em relação ao tema?" |
| 2. Tom | ( ) "O que foi incluído e o que foi omitido?" |
| 3. Seleção de argumentos | ( ) "As palavras são neutras ou carregam juízo de valor?" |
Questão 2 – Leia a frase e identifique a marca de intenção mais evidente.
"O governante, em mais uma demonstração de sua incompetência, anunciou ontem o novo pacote de medidas."
a) Tom neutro
b) Vocabulário com carga negativa
c) Seleção equilibrada de argumentos
d) Tom solene
Nível MédioQuestão 3 – Os dois trechos abaixo descrevem o mesmo fato. Compare-os e identifique a intenção de cada um, justificando com as marcas de vocabulário e tom.
Texto A: "O governo anunciou um reajuste de 3% nos impostos sobre combustíveis. A medida visa recompor o orçamento e garantir investimentos em infraestrutura."
Texto B: "O governo meteu a mão no bolso do contribuinte mais uma vez. O aumento de 3% nos combustíveis vai pesar no bolso de quem já está sufocado."
Intenção do Texto A: ________________________________________________
Marcas que justificam: ________________________________________________
Intenção do Texto B: ________________________________________________
Marcas que justificam: ________________________________________________
Questão 4 – Leia o parágrafo e responda.
"O novo shopping center, construído onde antes havia uma área de preservação, gerou mais de dois mil empregos diretos e aqueceu a economia da região. Os moradores do entorno comemoram a chegada do empreendimento."
a) Que vozes aparecem no texto?
b) Que vozes estão ausentes?
c) O que essa seleção de argumentos revela sobre a intenção do texto?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva dois parágrafos curtos (3 a 4 linhas cada) sobre o mesmo tema: o fechamento de uma biblioteca pública no bairro. No primeiro, use vocabulário neutro e tom informativo. No segundo, use vocabulário com carga negativa e tom crítico.
Parágrafo 1 (neutro / informativo):
Parágrafo 2 (vocabulário negativo / tom crítico):
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (3), (1).
Questão 2
Resposta correta: b. A expressão "em mais uma demonstração de sua incompetência" é um juízo de valor negativo, que revela a intenção de criticar o governante.
Questão 3
Intenção do Texto A: Informar de forma relativamente neutra, talvez com intenção de justificar a medida.
Marcas: Vocabulário técnico e neutro ("reajuste", "recompor o orçamento", "garantir investimentos"); ausência de adjetivos valorativos.
Intenção do Texto B: Criticar o governo e gerar indignação no leitor.
Marcas: Vocabulário carregado negativamente ("meteu a mão", "sufocado"); expressão coloquial ("pesar no bolso"); tom agressivo ("mais uma vez").
Questão 4
a) Vozes presentes: a do empreendedor (indiretamente, pelos dados de empregos e economia) e a dos "moradores do entorno" que comemoram.
b) Vozes ausentes: ambientalistas, defensores da área de preservação, moradores contrários ao empreendimento.
c) A seleção revela uma intenção de legitimar o shopping, apresentando-o como algo positivo (geração de empregos, aquecimento da economia, apoio popular), enquanto omite os impactos ambientais e as vozes discordantes.
Questão 5
Resposta livre. Exemplos esperados:
Parágrafo 1: "A biblioteca municipal do Jardim das Flores foi fechada nesta segunda-feira. Segundo a prefeitura, o prédio passará por uma reforma estrutural com previsão de reabertura em seis meses. Os livros foram transferidos para um galpão cedido por uma empresa parceira."
Parágrafo 2: "A prefeitura simplesmente fechou a única biblioteca do bairro. Sem aviso, sem planejamento. Os livros foram empilhados em um galpão empoeirado, e a comunidade perdeu, de um dia para o outro, seu principal espaço de cultura e convivência. É o descaso de sempre."
Ordem correta: (2), (3), (1).
Questão 2
Resposta correta: b. A expressão "em mais uma demonstração de sua incompetência" é um juízo de valor negativo, que revela a intenção de criticar o governante.
Questão 3
Intenção do Texto A: Informar de forma relativamente neutra, talvez com intenção de justificar a medida.
Marcas: Vocabulário técnico e neutro ("reajuste", "recompor o orçamento", "garantir investimentos"); ausência de adjetivos valorativos.
Intenção do Texto B: Criticar o governo e gerar indignação no leitor.
Marcas: Vocabulário carregado negativamente ("meteu a mão", "sufocado"); expressão coloquial ("pesar no bolso"); tom agressivo ("mais uma vez").
Questão 4
a) Vozes presentes: a do empreendedor (indiretamente, pelos dados de empregos e economia) e a dos "moradores do entorno" que comemoram.
b) Vozes ausentes: ambientalistas, defensores da área de preservação, moradores contrários ao empreendimento.
c) A seleção revela uma intenção de legitimar o shopping, apresentando-o como algo positivo (geração de empregos, aquecimento da economia, apoio popular), enquanto omite os impactos ambientais e as vozes discordantes.
Questão 5
Resposta livre. Exemplos esperados:
Parágrafo 1: "A biblioteca municipal do Jardim das Flores foi fechada nesta segunda-feira. Segundo a prefeitura, o prédio passará por uma reforma estrutural com previsão de reabertura em seis meses. Os livros foram transferidos para um galpão cedido por uma empresa parceira."
Parágrafo 2: "A prefeitura simplesmente fechou a única biblioteca do bairro. Sem aviso, sem planejamento. Os livros foram empilhados em um galpão empoeirado, e a comunidade perdeu, de um dia para o outro, seu principal espaço de cultura e convivência. É o descaso de sempre."
Checklist da Aula 4
- Compreendi que a intenção do autor se revela em marcas como vocabulário, tom e seleção de argumentos.
- Sei analisar o vocabulário e identificar palavras com carga valorativa.
- Sei identificar o tom do texto (irônico, solene, agressivo, próximo, neutro).
- Sei perceber a seleção de argumentos e as omissões.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 5 – As Marcas da Intenção (parte II): Ironia, Figuras e Implícitos a Serviço da Crítica e da Persuasão.
Ligação com a Próxima Aula
Você aprendeu que o vocabulário, o tom e a seleção de argumentos são marcas que revelam a intenção do autor. Mas há outras pistas igualmente importantes, que já apareceram nas aulas anteriores e que agora serão reunidas sob a perspectiva da intencionalidade: a ironia, as figuras de linguagem e os implícitos.
Na Aula 5 – As Marcas da Intenção (parte II), você verá como esses recursos — que você já conhece — funcionam como ferramentas a serviço da crítica e da persuasão. Até lá!
Na Aula 5 – As Marcas da Intenção (parte II), você verá como esses recursos — que você já conhece — funcionam como ferramentas a serviço da crítica e da persuasão. Até lá!