Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender o que define um texto como literário, diferenciando-o do texto não literário;
- Identificar as principais marcas da linguagem literária: conotação, plurissignificação, subjetividade, ficcionalidade e predomínio da função poética;
- Reconhecer que a literatura é uma manifestação artística que trabalha a palavra de forma intencional e criativa.
Por que isso é importante?
Antes de mergulhar nos períodos literários, nos grandes autores e nas obras que marcaram a história, é essencial responder a uma pergunta básica: o que faz de um texto literatura? Nem tudo o que está escrito é literatura. Uma receita de bolo, uma notícia de jornal e um poema de Drummond são todos textos — mas apenas o último é, de fato, um texto literário.
Compreender essa diferença é o ponto de partida para todo o estudo da literatura. Quando você entende o que torna a linguagem literária única — sua capacidade de gerar múltiplos sentidos, de provocar emoções, de recriar o mundo pela palavra —, você passa a ler com outros olhos. A literatura deixa de ser um "conteúdo de prova" e se revela como uma forma de arte que dialoga com a sua vida.
Além disso, as bancas de vestibular e concurso frequentemente cobram a distinção entre texto literário e não literário, pedindo que o candidato identifique as marcas de literariedade em um fragmento ou que compare dois textos de naturezas diferentes.
Compreender essa diferença é o ponto de partida para todo o estudo da literatura. Quando você entende o que torna a linguagem literária única — sua capacidade de gerar múltiplos sentidos, de provocar emoções, de recriar o mundo pela palavra —, você passa a ler com outros olhos. A literatura deixa de ser um "conteúdo de prova" e se revela como uma forma de arte que dialoga com a sua vida.
Além disso, as bancas de vestibular e concurso frequentemente cobram a distinção entre texto literário e não literário, pedindo que o candidato identifique as marcas de literariedade em um fragmento ou que compare dois textos de naturezas diferentes.
Contexto Curioso
A palavra "literatura" vem do latim litteratura, que deriva de littera, "letra". Originalmente, o termo designava qualquer texto escrito — uma carta, um documento, um tratado. Só a partir do século XVIII, com o surgimento da estética moderna, a literatura passou a ser entendida como "a arte da palavra", separando-se do uso cotidiano ou meramente informativo da língua.
O escritor francês Gustave Flaubert, autor de "Madame Bovary", costumava dizer que passava horas escolhendo uma única palavra. Para ele, o texto literário não era apenas um meio de contar uma história — era um objeto de beleza, em que cada palavra tinha um peso, uma sonoridade, um lugar exato. Essa obsessão pela forma é uma das marcas distintivas da literatura: o trabalho artístico com a linguagem.
Já o poeta brasileiro Manuel Bandeira resumiu a diferença entre a linguagem comum e a literária com bom humor: "A poesia não está nas palavras, mas no modo como as palavras são ditas."
O escritor francês Gustave Flaubert, autor de "Madame Bovary", costumava dizer que passava horas escolhendo uma única palavra. Para ele, o texto literário não era apenas um meio de contar uma história — era um objeto de beleza, em que cada palavra tinha um peso, uma sonoridade, um lugar exato. Essa obsessão pela forma é uma das marcas distintivas da literatura: o trabalho artístico com a linguagem.
Já o poeta brasileiro Manuel Bandeira resumiu a diferença entre a linguagem comum e a literária com bom humor: "A poesia não está nas palavras, mas no modo como as palavras são ditas."
Teoria Explicada do Zero
O que é Literatura?
Literatura é a arte que se manifesta pela palavra. Assim como o pintor usa tintas e o músico usa sons, o escritor usa a linguagem para criar mundos, expressar emoções, questionar a realidade e provocar o leitor. O texto literário não se limita a informar ou a instruir — ele busca produzir um efeito estético, emocional ou reflexivo.
Mas a definição de literatura é mais complexa do que parece. Um mesmo texto pode ser considerado literário em uma época e não literário em outra. As crônicas de Fernão Lopes, por exemplo, eram documentos históricos no século XV; hoje, são lidas como literatura pela qualidade de sua escrita. Isso mostra que a literariedade não está apenas no texto, mas também na forma como a sociedade o recebe e o valoriza.
Características da Linguagem Literária
O que faz com que um texto seja percebido como literário? Há um conjunto de marcas que, embora não sejam exclusivas (algumas podem aparecer em textos não literários), são muito mais frequentes e intensas na literatura.
Conotação e Plurissignificação: A palavra, no uso cotidiano, costuma ter sentido denotativo — o significado literal, de dicionário. No texto literário, predomina a conotação — o sentido figurado, simbólico, que abre múltiplas possibilidades de interpretação. Uma "rosa" não é apenas uma flor; pode ser símbolo de amor, de beleza efêmera, de paixão. Essa abertura de sentidos é a plurissignificação: o texto literário não tem um significado único e fechado, mas vários, que dependem da sensibilidade e do repertório do leitor.
Subjetividade: O texto literário expressa uma visão pessoal do mundo — a do autor, a do narrador ou a do eu lírico. Mesmo quando narra fatos, a literatura não busca a objetividade do jornalismo ou da ciência. Ela filtra a realidade pela subjetividade de quem escreve.
Ficcionalidade: A literatura não tem compromisso com a verdade factual. Ela cria realidades possíveis, imaginadas, que podem ou não se parecer com o mundo real. Um romance pode se passar em um lugar inventado, com personagens que nunca existiram, e ainda assim dizer verdades profundas sobre a condição humana.
Predomínio da função poética: Na linguagem literária, a forma é tão importante quanto o conteúdo. O escritor escolhe as palavras não apenas pelo que significam, mas por sua sonoridade, seu ritmo, sua capacidade de evocar imagens. A mensagem "dobra-se sobre si mesma", chamando a atenção para o modo como é construída.
Preocupação estética: Ligada à função poética, é o cuidado com a beleza e a expressividade da forma — o trabalho artesanal com a palavra.
Características da Linguagem Não Literária
O texto não literário, por sua vez, tem como prioridade a comunicação objetiva de informações. Suas marcas típicas são:
Denotação: As palavras são usadas em seu sentido literal, evitando ambiguidades. O objetivo é que o leitor entenda exatamente o que se quis dizer.
Objetividade: O autor procura apagar suas marcas pessoais, apresentando os fatos ou as informações de forma impessoal.
Função referencial: O foco está no conteúdo, na informação que se quer transmitir, e não na forma como ela é transmitida.
Compromisso com a verdade factual: O texto não literário — como a notícia, o relatório, o manual — tem o dever de informar com precisão e veracidade.
Quadro Comparativo: Linguagem Literária vs. Linguagem Não Literária
Gêneros Literários: Uma Breve Introdução
A tradição ocidental classifica as obras literárias em três grandes gêneros, que remontam à Grécia Antiga:
· Gênero Épico (ou Narrativo): Textos que narram ações, envolvendo personagens, tempo e espaço. Exemplos: o poema épico "Os Lusíadas", de Camões; o romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis; o conto.
· Gênero Lírico: Textos que expressam sentimentos, emoções e estados de alma, geralmente em forma de poema. O "eu lírico" é a voz que fala no poema, e não deve ser confundido com o autor. Exemplo: os sonetos de Vinicius de Moraes.
· Gênero Dramático: Textos escritos para serem encenados, em que a ação se desenvolve por meio do diálogo entre personagens. Exemplo: as peças de Nelson Rodrigues.
Essa classificação será aprofundada na Aula 2.
Literatura é a arte que se manifesta pela palavra. Assim como o pintor usa tintas e o músico usa sons, o escritor usa a linguagem para criar mundos, expressar emoções, questionar a realidade e provocar o leitor. O texto literário não se limita a informar ou a instruir — ele busca produzir um efeito estético, emocional ou reflexivo.
Mas a definição de literatura é mais complexa do que parece. Um mesmo texto pode ser considerado literário em uma época e não literário em outra. As crônicas de Fernão Lopes, por exemplo, eram documentos históricos no século XV; hoje, são lidas como literatura pela qualidade de sua escrita. Isso mostra que a literariedade não está apenas no texto, mas também na forma como a sociedade o recebe e o valoriza.
Características da Linguagem Literária
O que faz com que um texto seja percebido como literário? Há um conjunto de marcas que, embora não sejam exclusivas (algumas podem aparecer em textos não literários), são muito mais frequentes e intensas na literatura.
Conotação e Plurissignificação: A palavra, no uso cotidiano, costuma ter sentido denotativo — o significado literal, de dicionário. No texto literário, predomina a conotação — o sentido figurado, simbólico, que abre múltiplas possibilidades de interpretação. Uma "rosa" não é apenas uma flor; pode ser símbolo de amor, de beleza efêmera, de paixão. Essa abertura de sentidos é a plurissignificação: o texto literário não tem um significado único e fechado, mas vários, que dependem da sensibilidade e do repertório do leitor.
Subjetividade: O texto literário expressa uma visão pessoal do mundo — a do autor, a do narrador ou a do eu lírico. Mesmo quando narra fatos, a literatura não busca a objetividade do jornalismo ou da ciência. Ela filtra a realidade pela subjetividade de quem escreve.
Ficcionalidade: A literatura não tem compromisso com a verdade factual. Ela cria realidades possíveis, imaginadas, que podem ou não se parecer com o mundo real. Um romance pode se passar em um lugar inventado, com personagens que nunca existiram, e ainda assim dizer verdades profundas sobre a condição humana.
Predomínio da função poética: Na linguagem literária, a forma é tão importante quanto o conteúdo. O escritor escolhe as palavras não apenas pelo que significam, mas por sua sonoridade, seu ritmo, sua capacidade de evocar imagens. A mensagem "dobra-se sobre si mesma", chamando a atenção para o modo como é construída.
Preocupação estética: Ligada à função poética, é o cuidado com a beleza e a expressividade da forma — o trabalho artesanal com a palavra.
Características da Linguagem Não Literária
O texto não literário, por sua vez, tem como prioridade a comunicação objetiva de informações. Suas marcas típicas são:
Denotação: As palavras são usadas em seu sentido literal, evitando ambiguidades. O objetivo é que o leitor entenda exatamente o que se quis dizer.
Objetividade: O autor procura apagar suas marcas pessoais, apresentando os fatos ou as informações de forma impessoal.
Função referencial: O foco está no conteúdo, na informação que se quer transmitir, e não na forma como ela é transmitida.
Compromisso com a verdade factual: O texto não literário — como a notícia, o relatório, o manual — tem o dever de informar com precisão e veracidade.
Quadro Comparativo: Linguagem Literária vs. Linguagem Não Literária
| Aspecto | Linguagem Literária | Linguagem Não Literária |
| Sentido das palavras | Predomínio da conotação — sentido figurado, simbólico. | Predomínio da denotação — sentido literal. |
| Interpretação | Múltiplas possibilidades — plurissignificação. | Sentido único e preciso. |
| Foco | Na forma e no conteúdo — função poética. | Apenas no conteúdo — função referencial. |
| Relação com a realidade | Ficcionalidade — cria realidades possíveis. | Compromisso estrito com a verdade factual. |
| Subjetividade | Expressa a visão pessoal e emocional do autor. | Busca a impessoalidade e a objetividade. |
| Finalidade principal | Provocar emoção, reflexão, prazer estético. | Informar, instruir, explicar. |
Gêneros Literários: Uma Breve Introdução
A tradição ocidental classifica as obras literárias em três grandes gêneros, que remontam à Grécia Antiga:
· Gênero Épico (ou Narrativo): Textos que narram ações, envolvendo personagens, tempo e espaço. Exemplos: o poema épico "Os Lusíadas", de Camões; o romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis; o conto.
· Gênero Lírico: Textos que expressam sentimentos, emoções e estados de alma, geralmente em forma de poema. O "eu lírico" é a voz que fala no poema, e não deve ser confundido com o autor. Exemplo: os sonetos de Vinicius de Moraes.
· Gênero Dramático: Textos escritos para serem encenados, em que a ação se desenvolve por meio do diálogo entre personagens. Exemplo: as peças de Nelson Rodrigues.
Essa classificação será aprofundada na Aula 2.
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Texto Literário (Poema):
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer."
(Luís de Camões)
-> Análise: O poema trabalha a definição de amor por meio de contrastes (fogo que não se vê, ferida que não se sente). A linguagem é conotativa, plena de figuras (metáforas, paradoxos). O foco está na expressividade e na beleza da construção, não na comunicação de uma informação objetiva. Cada leitor pode sentir e interpretar os versos de forma diferente.
Exemplo 2 – Texto Não Literário (Verbete de Dicionário):
"Amor: substantivo masculino. 1. Sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem de outra, a dedicar-se a ela. 2. Afeição intensa entre duas pessoas."
-> Análise: O verbete busca definir a palavra "amor" de forma clara, objetiva e impessoal. A linguagem é denotativa, sem ambiguidades. O objetivo é informar com precisão, não provocar emoção ou reflexão estética.
Exemplo 3 – Texto Literário (Crônica):
"O sinal fechou. O rapaz do carro ao lado me olhou. Eu também o olhei. Durante três segundos, fomos íntimos. Depois o sinal abriu, ele foi para a esquerda, eu para a direita, e nunca mais nos vimos."
-> Análise: Uma situação cotidiana é transformada em literatura pela sensibilidade do olhar. A crônica não informa nada de relevante — ela convida o leitor a refletir sobre a efemeridade dos encontros, sobre a solidão, sobre a vida urbana. A linguagem é subjetiva, e o texto está aberto a múltiplas leituras.
"Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer."
(Luís de Camões)
-> Análise: O poema trabalha a definição de amor por meio de contrastes (fogo que não se vê, ferida que não se sente). A linguagem é conotativa, plena de figuras (metáforas, paradoxos). O foco está na expressividade e na beleza da construção, não na comunicação de uma informação objetiva. Cada leitor pode sentir e interpretar os versos de forma diferente.
Exemplo 2 – Texto Não Literário (Verbete de Dicionário):
"Amor: substantivo masculino. 1. Sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem de outra, a dedicar-se a ela. 2. Afeição intensa entre duas pessoas."
-> Análise: O verbete busca definir a palavra "amor" de forma clara, objetiva e impessoal. A linguagem é denotativa, sem ambiguidades. O objetivo é informar com precisão, não provocar emoção ou reflexão estética.
Exemplo 3 – Texto Literário (Crônica):
"O sinal fechou. O rapaz do carro ao lado me olhou. Eu também o olhei. Durante três segundos, fomos íntimos. Depois o sinal abriu, ele foi para a esquerda, eu para a direita, e nunca mais nos vimos."
-> Análise: Uma situação cotidiana é transformada em literatura pela sensibilidade do olhar. A crônica não informa nada de relevante — ela convida o leitor a refletir sobre a efemeridade dos encontros, sobre a solidão, sobre a vida urbana. A linguagem é subjetiva, e o texto está aberto a múltiplas leituras.
O Essencial (Guarde Isso)
- Literatura: Arte que se manifesta pela palavra, caracterizada pela conotação, plurissignificação, subjetividade, ficcionalidade e função poética.
- Texto literário: Trabalha a linguagem de forma criativa, buscando efeitos estéticos e emocionais. Sentido aberto a múltiplas interpretações.
- Texto não literário: Prioriza a comunicação objetiva de informações. Sentido denotativo e preciso.
- Gêneros literários: Épico (narrativo), Lírico e Dramático.
Dicas Práticas
Dica 1 (Pergunte-se: "Este texto pode ser lido de mais de um jeito?"): A plurissignificação é uma das marcas mais seguras do texto literário. Se o texto admite interpretações diferentes, provavelmente é literário.
Dica 2 (Observe a finalidade): O texto quer informar, ensinar, prescrever? Ou quer emocionar, provocar, fazer refletir? A finalidade predominante ajuda a classificar.
Dica 3 (Repare na linguagem): Palavras em sentido figurado, figuras de linguagem, ritmo marcado, sonoridade trabalhada — tudo isso indica presença da função poética e, portanto, de literariedade.
Dica 4 (Nem tudo o que está em verso é literatura): Uma receita em forma de poema não se torna necessariamente literária. O que define a literatura não é o formato (verso ou prosa), mas o trabalho com a linguagem. Do mesmo modo, há textos em prosa que são altamente literários.
Dica 2 (Observe a finalidade): O texto quer informar, ensinar, prescrever? Ou quer emocionar, provocar, fazer refletir? A finalidade predominante ajuda a classificar.
Dica 3 (Repare na linguagem): Palavras em sentido figurado, figuras de linguagem, ritmo marcado, sonoridade trabalhada — tudo isso indica presença da função poética e, portanto, de literariedade.
Dica 4 (Nem tudo o que está em verso é literatura): Uma receita em forma de poema não se torna necessariamente literária. O que define a literatura não é o formato (verso ou prosa), mas o trabalho com a linguagem. Do mesmo modo, há textos em prosa que são altamente literários.
Dúvidas Frequentes
Um texto literário precisa ser sempre ficcional?
A ficcionalidade é uma marca frequente, mas não obrigatória. Crônicas, memórias e biografias podem ser textos literários sem serem ficcionais — desde que apresentem trabalho com a linguagem, subjetividade e preocupação estética.
Um texto não literário pode conter figuras de linguagem?
Sim. Uma propaganda, por exemplo, usa metáforas e hipérboles com finalidade persuasiva. A diferença é que, no texto não literário, as figuras estão a serviço da comunicação de uma mensagem prática (vender, convencer, alertar), enquanto no texto literário elas são parte do trabalho artístico com a linguagem e podem existir por si mesmas.
A notícia pode ser considerada literatura?
Não, a notícia é um texto não literário, com função referencial predominante. Mas há gêneros híbridos, como a crônica jornalística, que partem de fatos cotidianos e os transformam em literatura pelo modo como a linguagem é trabalhada.
A ficcionalidade é uma marca frequente, mas não obrigatória. Crônicas, memórias e biografias podem ser textos literários sem serem ficcionais — desde que apresentem trabalho com a linguagem, subjetividade e preocupação estética.
Um texto não literário pode conter figuras de linguagem?
Sim. Uma propaganda, por exemplo, usa metáforas e hipérboles com finalidade persuasiva. A diferença é que, no texto não literário, as figuras estão a serviço da comunicação de uma mensagem prática (vender, convencer, alertar), enquanto no texto literário elas são parte do trabalho artístico com a linguagem e podem existir por si mesmas.
A notícia pode ser considerada literatura?
Não, a notícia é um texto não literário, com função referencial predominante. Mas há gêneros híbridos, como a crônica jornalística, que partem de fatos cotidianos e os transformam em literatura pelo modo como a linguagem é trabalhada.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas, relacionando cada tipo de linguagem às suas características.
Questão 2 – Leia os fragmentos e classifique-os como LITERÁRIO ou NÃO LITERÁRIO.
a) "Ingredientes: 2 xícaras de farinha de trigo, 1 xícara de leite, 3 ovos. Modo de preparo: misture todos os ingredientes até obter uma massa homogênea." → __________________
b) "O vento beijava as folhas, e as árvores sussurravam segredos que só a noite entendia." → __________________
Nível MédioQuestão 3 – Leia o texto e responda.
"O céu estava limpo. Não havia uma nuvem. João saiu de casa às sete horas, caminhou até o ponto de ônibus e esperou."
Esse fragmento pode ser considerado literário? Justifique sua resposta com base nas características da linguagem literária estudadas nesta aula.
Questão 4 – Leia o poema e o verbete abaixo, ambos sobre "saudade". Compare-os e explique por que um é literário e o outro não.
Texto A: "Saudade é o amor que fica, é a presença da ausência, é o vento que sopra dentro da gente."
Texto B: "Saudade: substantivo feminino. Sentimento melancólico causado pela ausência de alguém ou de algo."
Nível AvançadoQuestão 5 – Produção textual.
Escreva dois parágrafos curtos (3 a 4 linhas cada) sobre o tema "chuva". O primeiro deve ser um texto NÃO LITERÁRIO (informativo, objetivo). O segundo deve ser um texto LITERÁRIO (subjetivo, com linguagem figurada e preocupação estética).
Texto Não Literário:
Texto Literário:
| Coluna A (Tipo de Linguagem) | Coluna B (Característica) |
| 1. Literária | ( ) Sentido denotativo e objetivo. |
| 2. Não Literária | ( ) Predomínio da conotação e da plurissignificação. |
Questão 2 – Leia os fragmentos e classifique-os como LITERÁRIO ou NÃO LITERÁRIO.
a) "Ingredientes: 2 xícaras de farinha de trigo, 1 xícara de leite, 3 ovos. Modo de preparo: misture todos os ingredientes até obter uma massa homogênea." → __________________
b) "O vento beijava as folhas, e as árvores sussurravam segredos que só a noite entendia." → __________________
Nível MédioQuestão 3 – Leia o texto e responda.
"O céu estava limpo. Não havia uma nuvem. João saiu de casa às sete horas, caminhou até o ponto de ônibus e esperou."
Esse fragmento pode ser considerado literário? Justifique sua resposta com base nas características da linguagem literária estudadas nesta aula.
Questão 4 – Leia o poema e o verbete abaixo, ambos sobre "saudade". Compare-os e explique por que um é literário e o outro não.
Texto A: "Saudade é o amor que fica, é a presença da ausência, é o vento que sopra dentro da gente."
Texto B: "Saudade: substantivo feminino. Sentimento melancólico causado pela ausência de alguém ou de algo."
Nível AvançadoQuestão 5 – Produção textual.
Escreva dois parágrafos curtos (3 a 4 linhas cada) sobre o tema "chuva". O primeiro deve ser um texto NÃO LITERÁRIO (informativo, objetivo). O segundo deve ser um texto LITERÁRIO (subjetivo, com linguagem figurada e preocupação estética).
Texto Não Literário:
Texto Literário:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
a) NÃO LITERÁRIO. É uma receita culinária, texto instrucional com linguagem denotativa, objetiva e finalidade prática.
b) LITERÁRIO. Há personificação ("vento beijava", "árvores sussurravam"), linguagem conotativa e preocupação estética.
Questão 3
Resposta esperada: O fragmento, como está, provavelmente não seria considerado literário. Ele apresenta uma linguagem denotativa, objetiva, sem figuras de linguagem, sem subjetividade explícita. Sua finalidade é apenas narrar fatos de forma sequencial, sem trabalho estético com a linguagem. No entanto, dependendo do contexto (se fizesse parte de um romance maior em que essa simplicidade tivesse um propósito expressivo), poderia adquirir valor literário. Isoladamente, carece de marcas de literariedade.
Questão 4
O Texto A é literário porque utiliza linguagem figurada (metáforas: "amor que fica", "presença da ausência", "vento que sopra dentro da gente"), expressa subjetividade e busca provocar emoção e reflexão. O Texto B é não literário porque se limita a definir a palavra de forma objetiva, denotativa e impessoal, como em um dicionário.
Questão 5
Resposta livre. Exemplos esperados:
Texto Não Literário: "A chuva é um fenômeno atmosférico caracterizado pela precipitação de água em estado líquido. Ocorre quando as nuvens atingem saturação de vapor, formando gotas que caem por ação da gravidade. Em São Paulo, o índice pluviométrico médio é de 1.400 mm por ano."
Texto Literário: "A chuva chegou de mansinho, como quem não quer nada. Primeiro, umas gotas tímidas na janela. Depois, o céu desabou em lágrimas grossas, lavando a cidade e os meus pensamentos."
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
a) NÃO LITERÁRIO. É uma receita culinária, texto instrucional com linguagem denotativa, objetiva e finalidade prática.
b) LITERÁRIO. Há personificação ("vento beijava", "árvores sussurravam"), linguagem conotativa e preocupação estética.
Questão 3
Resposta esperada: O fragmento, como está, provavelmente não seria considerado literário. Ele apresenta uma linguagem denotativa, objetiva, sem figuras de linguagem, sem subjetividade explícita. Sua finalidade é apenas narrar fatos de forma sequencial, sem trabalho estético com a linguagem. No entanto, dependendo do contexto (se fizesse parte de um romance maior em que essa simplicidade tivesse um propósito expressivo), poderia adquirir valor literário. Isoladamente, carece de marcas de literariedade.
Questão 4
O Texto A é literário porque utiliza linguagem figurada (metáforas: "amor que fica", "presença da ausência", "vento que sopra dentro da gente"), expressa subjetividade e busca provocar emoção e reflexão. O Texto B é não literário porque se limita a definir a palavra de forma objetiva, denotativa e impessoal, como em um dicionário.
Questão 5
Resposta livre. Exemplos esperados:
Texto Não Literário: "A chuva é um fenômeno atmosférico caracterizado pela precipitação de água em estado líquido. Ocorre quando as nuvens atingem saturação de vapor, formando gotas que caem por ação da gravidade. Em São Paulo, o índice pluviométrico médio é de 1.400 mm por ano."
Texto Literário: "A chuva chegou de mansinho, como quem não quer nada. Primeiro, umas gotas tímidas na janela. Depois, o céu desabou em lágrimas grossas, lavando a cidade e os meus pensamentos."
Checklist da Aula 1
- Compreendi o que é literatura e como ela se diferencia do texto não literário.
- Identifico as marcas da linguagem literária: conotação, plurissignificação, subjetividade, ficcionalidade e função poética.
- Reconheço que o texto não literário prioriza a denotação, a objetividade e a função referencial.
- Sei citar os três gêneros literários (épico, lírico, dramático) como introdução ao tema.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 2 – Funções da Literatura e Gêneros Literários.
Ligação com a Próxima Aula
Você agora sabe o que distingue um texto literário de um texto não literário e conhece as principais marcas da linguagem literária. Mas a literatura não é apenas um conjunto de características linguísticas — ela também cumpre funções sociais, culturais e individuais. Além disso, os textos literários se organizam em gêneros que, desde a Grécia Antiga, ajudam a compreender as diferentes formas de expressão.
Na Aula 2 – Funções da Literatura e Gêneros Literários, você aprofundará esses dois temas, descobrindo por que lemos literatura e como ela se estrutura nos gêneros épico, lírico e dramático. Até lá!
Na Aula 2 – Funções da Literatura e Gêneros Literários, você aprofundará esses dois temas, descobrindo por que lemos literatura e como ela se estrutura nos gêneros épico, lírico e dramático. Até lá!