Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Conhecer João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna como dois dos grandes nomes da literatura brasileira contemporânea, herdeiros e renovadores da tradição nordestina;
- Identificar as características da obra de João Ubaldo Ribeiro: narrativa histórica, oralidade, humor e crítica social, com destaque para "Viva o Povo Brasileiro" (1984);
- Identificar as características da obra de Ariano Suassuna: fusão do popular e do erudito, cultura medieval ibérica e cordel, e seu projeto estético armorial, com destaque para "O Auto da Compadecida" (1955);
- Analisar trechos das obras, reconhecendo a linguagem inventiva, o diálogo com a cultura popular e a construção de uma identidade nordestina.
Por que isso é importante?
Na Aula 3, você mergulhou no submundo urbano de Rubem Fonseca. Agora, voltamos o olhar para o Nordeste — mas não o Nordeste da seca e da denúncia social do Romance de 30. João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna representam uma vertente da literatura contemporânea que celebra a cultura popular nordestina, reinventando-a com humor, erudição e uma linguagem que mescla o oral e o escrito, o popular e o clássico.
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) foi um dos grandes romancistas brasileiros da segunda metade do século XX. Sua obra-prima, "Viva o Povo Brasileiro" (1984), é um vasto painel da história da Bahia e do Brasil, narrado do ponto de vista dos anônimos, com uma linguagem que recria a oralidade do povo e um humor corrosivo. Ariano Suassuna (1927-2014), por sua vez, foi dramaturgo, romancista e poeta, criador do Movimento Armorial, que buscava valorizar a cultura popular nordestina — o cordel, a cantoria, a xilogravura — e fundi-la com a tradição erudita europeia. "O Auto da Compadecida" (1955) é sua obra mais conhecida, uma comédia que mistura o auto medieval ibérico com os tipos populares do sertão.
Estudar esses dois autores é importante para os vestibulares porque "Viva o Povo Brasileiro" e "O Auto da Compadecida" são obras frequentemente cobradas. Além disso, a capacidade de ambos de unir o popular e o erudito, o riso e a crítica social, os torna exemplos emblemáticos da riqueza da literatura contemporânea brasileira.
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) foi um dos grandes romancistas brasileiros da segunda metade do século XX. Sua obra-prima, "Viva o Povo Brasileiro" (1984), é um vasto painel da história da Bahia e do Brasil, narrado do ponto de vista dos anônimos, com uma linguagem que recria a oralidade do povo e um humor corrosivo. Ariano Suassuna (1927-2014), por sua vez, foi dramaturgo, romancista e poeta, criador do Movimento Armorial, que buscava valorizar a cultura popular nordestina — o cordel, a cantoria, a xilogravura — e fundi-la com a tradição erudita europeia. "O Auto da Compadecida" (1955) é sua obra mais conhecida, uma comédia que mistura o auto medieval ibérico com os tipos populares do sertão.
Estudar esses dois autores é importante para os vestibulares porque "Viva o Povo Brasileiro" e "O Auto da Compadecida" são obras frequentemente cobradas. Além disso, a capacidade de ambos de unir o popular e o erudito, o riso e a crítica social, os torna exemplos emblemáticos da riqueza da literatura contemporânea brasileira.
Contexto Curioso
João Ubaldo Ribeiro nasceu na Ilha de Itaparica, na Bahia, e cresceu ouvindo as histórias dos pescadores, as lendas e os causos que depois povoariam sua literatura. Formou-se em Direito, mas sua verdadeira vocação era escrever. Em 1984, publicou "Viva o Povo Brasileiro", um romance monumental que levou mais de dez anos para ser escrito. O livro narra quatro séculos de história do Brasil — da invasão holandesa ao século XX — pelo ponto de vista dos escravos, dos mestiços, dos índios, dos humildes. Não há heróis oficiais: a história é contada "de baixo", com um humor demolidor e uma linguagem que recria a fala do povo. O título, que é uma exclamação, já anuncia o tom: é um livro que celebra a resistência e a vitalidade do povo brasileiro, apesar de tudo.
Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e desde cedo foi marcado pela cultura do sertão — as cantorias de viola, o cordel, as festas populares, as peças de mamulengo (teatro de bonecos). Formou-se em Direito e em Filosofia, mas dedicou a vida à arte. Fundou o Movimento Armorial, que propunha a criação de uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares. Sua obra mais famosa, "O Auto da Compadecida" (1955), é uma comédia que se passa no sertão e mistura o auto medieval (teatro religioso) com personagens da cultura popular: João Grilo, o amarelo esperto; Chicó, o contador de histórias medroso; o padre corrupto; o bispo avarento; o cangaceiro Severino; e, claro, Nossa Senhora, a Compadecida, que intercede pelos pecadores no julgamento celestial. A peça foi adaptada para o cinema e a televisão, tornando-se um dos maiores sucessos da cultura brasileira.
Ariano Suassuna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e desde cedo foi marcado pela cultura do sertão — as cantorias de viola, o cordel, as festas populares, as peças de mamulengo (teatro de bonecos). Formou-se em Direito e em Filosofia, mas dedicou a vida à arte. Fundou o Movimento Armorial, que propunha a criação de uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares. Sua obra mais famosa, "O Auto da Compadecida" (1955), é uma comédia que se passa no sertão e mistura o auto medieval (teatro religioso) com personagens da cultura popular: João Grilo, o amarelo esperto; Chicó, o contador de histórias medroso; o padre corrupto; o bispo avarento; o cangaceiro Severino; e, claro, Nossa Senhora, a Compadecida, que intercede pelos pecadores no julgamento celestial. A peça foi adaptada para o cinema e a televisão, tornando-se um dos maiores sucessos da cultura brasileira.
Teoria Explicada do Zero
João Ubaldo Ribeiro e "Viva o Povo Brasileiro"
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) é um dos grandes romancistas brasileiros da segunda metade do século XX. Sua obra-prima é "Viva o Povo Brasileiro" (1984), um romance histórico que reconstitui quatro séculos da formação do Brasil a partir da perspectiva dos excluídos.
Características da obra de João Ubaldo Ribeiro:
· Narrativa Histórica "de Baixo": A história não é contada pelos vencedores, mas pelos vencidos — escravos, índios, mestiços, mulheres anônimas. O protagonista não é um herói individual, mas o próprio povo brasileiro.
· Oralidade e Recriação Linguística: A linguagem do romance incorpora a fala popular, com seus regionalismos, gírias e expressões coloquiais. Ubaldo não reproduz a oralidade — ele a reinventa literariamente.
· Humor e Ironia Corrosiva: O romance é perpassado por um humor que mistura o cômico e o trágico. A ironia é a principal arma para desmontar as versões oficiais da história.
· Crítica Social e Política: Ubaldo denuncia a violência da colonização, a escravidão, a exploração e a hipocrisia das elites. Mas sua crítica não é panfletária — é literária, encarnada nas situações e na linguagem.
· Estrutura Fragmentada e Polifônica: O romance não segue uma linha cronológica rígida. Ele salta no tempo, mistura personagens históricos e ficcionais, e dá voz a múltiplos narradores.
Ariano Suassuna e o Movimento Armorial
Ariano Suassuna (1927-2014) foi dramaturgo, romancista e poeta. Sua obra mais conhecida é "O Auto da Compadecida" (1955), uma comédia que dialoga com a tradição do auto medieval ibérico e com a cultura popular nordestina. Em 1970, Suassuna fundou o Movimento Armorial, que buscava criar uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares — o cordel, a xilogravura, a cantoria, o mamulengo.
Características da obra de Ariano Suassuna:
· Fusão do Popular e do Erudito: Suassuna mistura a tradição clássica europeia (Gil Vicente, Calderón, Cervantes) com a cultura popular nordestina. Em "O Auto da Compadecida", o julgamento celestial é inspirado nos autos medievais, mas os personagens são tipicamente sertanejos.
· Humor e Picardia: João Grilo e Chicó formam uma dupla que remete ao pícaro (anti-herói esperto da tradição ibérica) e aos palhaços do circo. O humor nasce do contraste entre a esperteza de João Grilo e a ingenuidade de Chicó, e das situações absurdas que enfrentam.
· Religiosidade Popular e Sincretismo: A fé do povo simples — que mistura catolicismo, devoção aos santos e crenças populares — é tratada com respeito e afeto. Nossa Senhora, a Compadecida, é a intercessora que compreende as fraquezas humanas.
· Linguagem Sertaneja e Oralidade: Os diálogos reproduzem a fala do sertanejo, com suas expressões, seu ritmo e seu humor. A linguagem é simples, direta e extremamente viva.
· Projeto Armorial (a partir de 1970): O Movimento Armorial buscou criar uma arte erudita nordestina que valorizasse as raízes populares. Suassuna coordenou o movimento, que envolveu música, artes plásticas, dança e literatura. O "Romance d'A Pedra do Reino" (1971) é a grande obra armorial de Suassuna — um romance monumental que funde o cordel, a novela de cavalaria e a épica sertaneja.
Quadro-Resumo: João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna
João Ubaldo Ribeiro (1941-2014) é um dos grandes romancistas brasileiros da segunda metade do século XX. Sua obra-prima é "Viva o Povo Brasileiro" (1984), um romance histórico que reconstitui quatro séculos da formação do Brasil a partir da perspectiva dos excluídos.
Características da obra de João Ubaldo Ribeiro:
· Narrativa Histórica "de Baixo": A história não é contada pelos vencedores, mas pelos vencidos — escravos, índios, mestiços, mulheres anônimas. O protagonista não é um herói individual, mas o próprio povo brasileiro.
· Oralidade e Recriação Linguística: A linguagem do romance incorpora a fala popular, com seus regionalismos, gírias e expressões coloquiais. Ubaldo não reproduz a oralidade — ele a reinventa literariamente.
· Humor e Ironia Corrosiva: O romance é perpassado por um humor que mistura o cômico e o trágico. A ironia é a principal arma para desmontar as versões oficiais da história.
· Crítica Social e Política: Ubaldo denuncia a violência da colonização, a escravidão, a exploração e a hipocrisia das elites. Mas sua crítica não é panfletária — é literária, encarnada nas situações e na linguagem.
· Estrutura Fragmentada e Polifônica: O romance não segue uma linha cronológica rígida. Ele salta no tempo, mistura personagens históricos e ficcionais, e dá voz a múltiplos narradores.
Ariano Suassuna e o Movimento Armorial
Ariano Suassuna (1927-2014) foi dramaturgo, romancista e poeta. Sua obra mais conhecida é "O Auto da Compadecida" (1955), uma comédia que dialoga com a tradição do auto medieval ibérico e com a cultura popular nordestina. Em 1970, Suassuna fundou o Movimento Armorial, que buscava criar uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares — o cordel, a xilogravura, a cantoria, o mamulengo.
Características da obra de Ariano Suassuna:
· Fusão do Popular e do Erudito: Suassuna mistura a tradição clássica europeia (Gil Vicente, Calderón, Cervantes) com a cultura popular nordestina. Em "O Auto da Compadecida", o julgamento celestial é inspirado nos autos medievais, mas os personagens são tipicamente sertanejos.
· Humor e Picardia: João Grilo e Chicó formam uma dupla que remete ao pícaro (anti-herói esperto da tradição ibérica) e aos palhaços do circo. O humor nasce do contraste entre a esperteza de João Grilo e a ingenuidade de Chicó, e das situações absurdas que enfrentam.
· Religiosidade Popular e Sincretismo: A fé do povo simples — que mistura catolicismo, devoção aos santos e crenças populares — é tratada com respeito e afeto. Nossa Senhora, a Compadecida, é a intercessora que compreende as fraquezas humanas.
· Linguagem Sertaneja e Oralidade: Os diálogos reproduzem a fala do sertanejo, com suas expressões, seu ritmo e seu humor. A linguagem é simples, direta e extremamente viva.
· Projeto Armorial (a partir de 1970): O Movimento Armorial buscou criar uma arte erudita nordestina que valorizasse as raízes populares. Suassuna coordenou o movimento, que envolveu música, artes plásticas, dança e literatura. O "Romance d'A Pedra do Reino" (1971) é a grande obra armorial de Suassuna — um romance monumental que funde o cordel, a novela de cavalaria e a épica sertaneja.
Quadro-Resumo: João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna
| Aspecto | João Ubaldo Ribeiro | Ariano Suassuna |
| Obra-prima | "Viva o Povo Brasileiro" (1984) | "O Auto da Compadecida" (1955); "A Pedra do Reino" (1971) |
| Foco temático | História do Brasil "de baixo", resistência popular. | Cultura popular nordestina, religiosidade, humor. |
| Linguagem | Oralidade recriada, coloquial, irônica. | Falar sertanejo, simplicidade, oralidade. |
| Influências | Oralidade popular, romance histórico. | Auto medieval, cordel, cantoria, cavalaria. |
| Projeto Estético | Revisão crítica da história brasileira. | Movimento Armorial (fusão do popular e do erudito). |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – João Ubaldo Ribeiro, "Viva o Povo Brasileiro" (Humor e Oralidade):
"A alma do brasileiro é uma alma mestiça. Não adianta querer ver pureza nisso. Pureza é coisa de europeu, que não tem o que fazer. Aqui a coisa é misturada, é no caldeirão. E o caldeirão ferve. Ferve e transborda. E a gente se queima, mas também se aquece."
-> Análise: O fragmento mostra a oralidade recriada por Ubaldo: frases curtas, ritmo de fala, metáforas populares ("caldeirão"). A reflexão sobre a mestiçagem é ao mesmo tempo crítica e bem-humorada.
Exemplo 2 – Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida" (Esperteza e Picardia):
"JOÃO GRILO — Chicó, você já imaginou se a gente pudesse enganar a morte?
CHICÓ — Eu não, João, tenho medo de morrer e ser condenado.
JOÃO GRILO — Medo de quê, homem? Lá no céu tem a Compadecida, e ela não deixa ninguém se perder. A gente faz uma oraçãozinha, conta uma história triste, e pronto! Tá salvo!"
-> Análise: O diálogo revela a esperteza de João Grilo e a ingenuidade de Chicó. A fé na Compadecida é tratada com humor e ternura. A linguagem é coloquial e teatral, ágil e espirituosa.
Exemplo 3 – João Ubaldo Ribeiro, "Viva o Povo Brasileiro" (Crítica Social e História "de Baixo"):
"Os negros fugiam e se embrenhavam no mato. Formavam quilombos, resistiam. Os índios também resistiam, cada um a seu modo. E os brancos, os senhores, morriam de medo. Porque o medo é a única coisa que os senhores sabem sentir. O resto é só arrogância e violência."
-> Análise: Ubaldo inverte a perspectiva: a história é contada do ponto de vista dos oprimidos. A resistência negra e indígena é posta em primeiro plano, e os senhores são retratados como medrosos e violentos. A ironia é a arma da crítica.
"A alma do brasileiro é uma alma mestiça. Não adianta querer ver pureza nisso. Pureza é coisa de europeu, que não tem o que fazer. Aqui a coisa é misturada, é no caldeirão. E o caldeirão ferve. Ferve e transborda. E a gente se queima, mas também se aquece."
-> Análise: O fragmento mostra a oralidade recriada por Ubaldo: frases curtas, ritmo de fala, metáforas populares ("caldeirão"). A reflexão sobre a mestiçagem é ao mesmo tempo crítica e bem-humorada.
Exemplo 2 – Ariano Suassuna, "O Auto da Compadecida" (Esperteza e Picardia):
"JOÃO GRILO — Chicó, você já imaginou se a gente pudesse enganar a morte?
CHICÓ — Eu não, João, tenho medo de morrer e ser condenado.
JOÃO GRILO — Medo de quê, homem? Lá no céu tem a Compadecida, e ela não deixa ninguém se perder. A gente faz uma oraçãozinha, conta uma história triste, e pronto! Tá salvo!"
-> Análise: O diálogo revela a esperteza de João Grilo e a ingenuidade de Chicó. A fé na Compadecida é tratada com humor e ternura. A linguagem é coloquial e teatral, ágil e espirituosa.
Exemplo 3 – João Ubaldo Ribeiro, "Viva o Povo Brasileiro" (Crítica Social e História "de Baixo"):
"Os negros fugiam e se embrenhavam no mato. Formavam quilombos, resistiam. Os índios também resistiam, cada um a seu modo. E os brancos, os senhores, morriam de medo. Porque o medo é a única coisa que os senhores sabem sentir. O resto é só arrogância e violência."
-> Análise: Ubaldo inverte a perspectiva: a história é contada do ponto de vista dos oprimidos. A resistência negra e indígena é posta em primeiro plano, e os senhores são retratados como medrosos e violentos. A ironia é a arma da crítica.
O Essencial (Guarde Isso)
- João Ubaldo Ribeiro (1941-2014): "Viva o Povo Brasileiro" (1984) — história do Brasil "de baixo", oralidade, humor, crítica social.
- Ariano Suassuna (1927-2014): "O Auto da Compadecida" (1955) — comédia popular, fusão do auto medieval e do cordel, Movimento Armorial.
- Ambos representam a força da cultura nordestina na literatura contemporânea, unindo o popular e o erudito, o riso e a crítica, a tradição e a invenção.
Dicas Práticas
Dica 1 (Associe o autor à perspectiva): João Ubaldo → história contada pelos vencidos, povo como protagonista. Ariano Suassuna → cultura popular nordestina, humor e religiosidade.
Dica 2 (Decore as obras e datas): "O Auto da Compadecida" (1955), "Viva o Povo Brasileiro" (1984), "A Pedra do Reino" (1971).
Dica 3 (Identifique a linguagem): Se o texto tem oralidade nordestina, humor e ritmo de fala, pode ser Ubaldo ou Suassuna. Para diferenciar: Ubaldo tende mais à ironia histórica; Suassuna, ao humor teatral e à picardia.
Dica 4 (Compare com o Romance de 30): Ambos falam do Nordeste, mas não fazem denúncia social explícita como Graciliano ou Rachel. Em vez disso, celebram a cultura popular e usam o humor como forma de resistência.
Dica 2 (Decore as obras e datas): "O Auto da Compadecida" (1955), "Viva o Povo Brasileiro" (1984), "A Pedra do Reino" (1971).
Dica 3 (Identifique a linguagem): Se o texto tem oralidade nordestina, humor e ritmo de fala, pode ser Ubaldo ou Suassuna. Para diferenciar: Ubaldo tende mais à ironia histórica; Suassuna, ao humor teatral e à picardia.
Dica 4 (Compare com o Romance de 30): Ambos falam do Nordeste, mas não fazem denúncia social explícita como Graciliano ou Rachel. Em vez disso, celebram a cultura popular e usam o humor como forma de resistência.
Dúvidas Frequentes
João Ubaldo Ribeiro é um autor realista?
Sua obra tem elementos realistas, mas também é profundamente inventiva na linguagem e na estrutura. Ele não se filia a um movimento específico — é um autor contemporâneo, com uma voz própria.
"O Auto da Compadecida" é uma peça religiosa?
É uma comédia que usa elementos do teatro religioso medieval (o auto), mas com um olhar irreverente e popular. A religiosidade é tratada com humor e afeto, sem dogmatismo.
O que é o Movimento Armorial?
É um movimento artístico fundado por Ariano Suassuna em 1970, que buscava criar uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares — cordel, cantoria, xilogravura, mamulengo.
Sua obra tem elementos realistas, mas também é profundamente inventiva na linguagem e na estrutura. Ele não se filia a um movimento específico — é um autor contemporâneo, com uma voz própria.
"O Auto da Compadecida" é uma peça religiosa?
É uma comédia que usa elementos do teatro religioso medieval (o auto), mas com um olhar irreverente e popular. A religiosidade é tratada com humor e afeto, sem dogmatismo.
O que é o Movimento Armorial?
É um movimento artístico fundado por Ariano Suassuna em 1970, que buscava criar uma arte erudita nordestina a partir das raízes populares — cordel, cantoria, xilogravura, mamulengo.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual obra de Ariano Suassuna é uma comédia que se passa no sertão e mistura o auto medieval com a cultura popular?
a) "Viva o Povo Brasileiro"
b) "O Auto da Compadecida"
c) "A Grande Arte"
d) "Morangos Mofados"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de João Ubaldo Ribeiro e responda.
"A alma do brasileiro é uma alma mestiça. Não adianta querer ver pureza nisso. Pureza é coisa de europeu, que não tem o que fazer."
a) Como o fragmento expressa a visão de João Ubaldo sobre a identidade brasileira?
b) Identifique a característica da linguagem de Ubaldo presente no trecho.
Questão 4 – Leia o diálogo de "O Auto da Compadecida" e responda.
"JOÃO GRILO — Medo de quê, homem? Lá no céu tem a Compadecida, e ela não deixa ninguém se perder."
a) Qual a característica da religiosidade popular expressa na fala de João Grilo?
b) Como o humor se mistura à fé nesse diálogo?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) comparando a forma como João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna utilizam o humor em suas obras.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Autor) | Coluna B (Obra / Característica) |
| 1. João Ubaldo Ribeiro | ( ) "O Auto da Compadecida" |
| 2. Ariano Suassuna | ( ) "Viva o Povo Brasileiro" |
Questão 2 – Qual obra de Ariano Suassuna é uma comédia que se passa no sertão e mistura o auto medieval com a cultura popular?
a) "Viva o Povo Brasileiro"
b) "O Auto da Compadecida"
c) "A Grande Arte"
d) "Morangos Mofados"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de João Ubaldo Ribeiro e responda.
"A alma do brasileiro é uma alma mestiça. Não adianta querer ver pureza nisso. Pureza é coisa de europeu, que não tem o que fazer."
a) Como o fragmento expressa a visão de João Ubaldo sobre a identidade brasileira?
b) Identifique a característica da linguagem de Ubaldo presente no trecho.
Questão 4 – Leia o diálogo de "O Auto da Compadecida" e responda.
"JOÃO GRILO — Medo de quê, homem? Lá no céu tem a Compadecida, e ela não deixa ninguém se perder."
a) Qual a característica da religiosidade popular expressa na fala de João Grilo?
b) Como o humor se mistura à fé nesse diálogo?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) comparando a forma como João Ubaldo Ribeiro e Ariano Suassuna utilizam o humor em suas obras.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: b) "O Auto da Compadecida" (1955), de Ariano Suassuna.
Questão 3
a) Ubaldo vê a identidade brasileira como fruto da mestiçagem, e não da pureza. A afirmação é um contraponto às visões elitistas que buscam uma origem "pura" para o Brasil.
b) A oralidade e o coloquialismo — a frase tem ritmo de fala, usa expressões populares ("não tem o que fazer") e um tom de conversa.
Questão 4
a) A religiosidade expressa por João Grilo é popular e sincrética — ele confia na intercessão de Nossa Senhora (a Compadecida), que compreende as fraquezas humanas e perdoa.
b) O humor está na esperteza de João Grilo, que trata a salvação como uma negociação — "a gente faz uma oraçãozinha, conta uma história triste, e pronto! Tá salvo!". A fé é sincera, mas a abordagem é malandra e bem-humorada.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Tanto João Ubaldo Ribeiro quanto Ariano Suassuna usam o humor como forma de resistência, mas com tons diferentes. Ubaldo emprega uma ironia corrosiva para desmontar as versões oficiais da história e expor a hipocrisia das elites. Suassuna usa o humor teatral e a picardia popular para celebrar a esperteza do povo simples e sua religiosidade sincera. Em ambos, o riso é uma arma — em Ubaldo, mais cortante; em Suassuna, mais afetuoso."
Ordem correta: (2), (1).
Questão 2
Resposta correta: b) "O Auto da Compadecida" (1955), de Ariano Suassuna.
Questão 3
a) Ubaldo vê a identidade brasileira como fruto da mestiçagem, e não da pureza. A afirmação é um contraponto às visões elitistas que buscam uma origem "pura" para o Brasil.
b) A oralidade e o coloquialismo — a frase tem ritmo de fala, usa expressões populares ("não tem o que fazer") e um tom de conversa.
Questão 4
a) A religiosidade expressa por João Grilo é popular e sincrética — ele confia na intercessão de Nossa Senhora (a Compadecida), que compreende as fraquezas humanas e perdoa.
b) O humor está na esperteza de João Grilo, que trata a salvação como uma negociação — "a gente faz uma oraçãozinha, conta uma história triste, e pronto! Tá salvo!". A fé é sincera, mas a abordagem é malandra e bem-humorada.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "Tanto João Ubaldo Ribeiro quanto Ariano Suassuna usam o humor como forma de resistência, mas com tons diferentes. Ubaldo emprega uma ironia corrosiva para desmontar as versões oficiais da história e expor a hipocrisia das elites. Suassuna usa o humor teatral e a picardia popular para celebrar a esperteza do povo simples e sua religiosidade sincera. Em ambos, o riso é uma arma — em Ubaldo, mais cortante; em Suassuna, mais afetuoso."
Checklist da Aula 4
- Conheço João Ubaldo Ribeiro e "Viva o Povo Brasileiro".
- Conheço Ariano Suassuna e "O Auto da Compadecida".
- Identifico as características de cada autor e as diferenças entre eles.
- Compreendo o conceito de Movimento Armorial.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 5 – Milton Hatoum e a Literatura da Amazônia.
Ligação com a Próxima Aula
Você conheceu dois gigantes da literatura nordestina contemporânea. Mas a literatura brasileira não se faz apenas de sertão e cidade grande. A Amazônia, com sua imensidão, seus rios e suas culturas, também tem grandes intérpretes. O principal deles é Milton Hatoum.
Na Aula 5 – Milton Hatoum e a Literatura da Amazônia, você mergulhará na obra do autor de "Dois Irmãos" e "Relato de um Certo Oriente", que retrata a complexa Manaus — cidade de imigrantes, de memórias e de silêncios. Até lá!
Na Aula 5 – Milton Hatoum e a Literatura da Amazônia, você mergulhará na obra do autor de "Dois Irmãos" e "Relato de um Certo Oriente", que retrata a complexa Manaus — cidade de imigrantes, de memórias e de silêncios. Até lá!