Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender o Pré-Modernismo como um período de transição (1902-1922) entre as estéticas do século XIX e o Modernismo;
- Identificar o contexto histórico do Brasil no início do século XX e sua influência na produção literária;
- Reconhecer as principais características do Pré-Modernismo: sincretismo estilístico, regionalismo, denúncia social e renovação temática;
- Conhecer os principais autores pré-modernistas — Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha e Augusto dos Anjos — e suas obras fundamentais.
Por que isso é importante?
No Módulo 6, você estudou o Parnasianismo e o Simbolismo, as duas grandes correntes poéticas do final do século XIX. Agora, avançamos para o início do século XX, um período que não constitui propriamente uma "escola literária", mas um momento de transição: o Pré-Modernismo. É nesse intervalo — entre 1902 e 1922 — que o Brasil literário começa a se preparar para a grande revolução modernista.
O Pré-Modernismo é importante por várias razões. Primeiro, porque é nele que a literatura brasileira se volta para os problemas nacionais com um olhar crítico e investigativo. Segundo, porque seus autores produziram obras que estão entre as mais importantes da nossa literatura — "Os Sertões", de Euclides da Cunha, e "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, são presenças constantes nos vestibulares. Terceiro, porque compreender o Pré-Modernismo é entender o caldo cultural que tornou possível a Semana de Arte Moderna de 1922.
O Pré-Modernismo é importante por várias razões. Primeiro, porque é nele que a literatura brasileira se volta para os problemas nacionais com um olhar crítico e investigativo. Segundo, porque seus autores produziram obras que estão entre as mais importantes da nossa literatura — "Os Sertões", de Euclides da Cunha, e "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, são presenças constantes nos vestibulares. Terceiro, porque compreender o Pré-Modernismo é entender o caldo cultural que tornou possível a Semana de Arte Moderna de 1922.
Contexto Curioso
O Brasil do início do século XX era um país de contrastes brutais. De um lado, o Rio de Janeiro, a capital federal, passava por uma grande reforma urbana — o prefeito Pereira Passos derrubava cortiços, abria avenidas largas e sonhava com uma Paris tropical. A cidade ganhava teatros, cafés e bondes elétricos. De outro lado, no interior do país, a realidade era medieval: secas devastadoras, coronelismo, miséria e abandono.
Esses dois "Brasis" — o urbano e o rural, o litorâneo e o sertanejo, o moderno e o arcaico — mal se conheciam. Foi a literatura que lançou pontes entre eles. Euclides da Cunha, engenheiro e jornalista, foi enviado a Canudos em 1897 para cobrir a guerra. O que viu no sertão baiano o horrorizou. Dessa experiência nasceu "Os Sertões" (1902), um livro que é ao mesmo tempo reportagem, tratado sociológico, ensaio histórico e obra de arte literária. Pela primeira vez, o Brasil urbano e letrado era confrontado com o Brasil profundo e desconhecido.
Enquanto Euclides da Cunha descrevia Canudos com a linguagem grandiosa e barroca de um engenheiro-poeta, Lima Barreto, no Rio de Janeiro, escrevia sobre os subúrbios com ironia e indignação. Neto de escravos, mulato, alcoólatra e internado em hospícios, Lima Barreto foi um cronista da exclusão. Seu romance "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (1915) é uma sátira mordaz ao nacionalismo ingênuo e à burocracia estatal. Já o poeta Augusto dos Anjos, com seu único livro "Eu" (1912), misturava Parnasianismo, Simbolismo e um pessimismo científico para criar uma poesia que fala de vermes, cadáveres e podridão com uma potência única na literatura brasileira.
Esses dois "Brasis" — o urbano e o rural, o litorâneo e o sertanejo, o moderno e o arcaico — mal se conheciam. Foi a literatura que lançou pontes entre eles. Euclides da Cunha, engenheiro e jornalista, foi enviado a Canudos em 1897 para cobrir a guerra. O que viu no sertão baiano o horrorizou. Dessa experiência nasceu "Os Sertões" (1902), um livro que é ao mesmo tempo reportagem, tratado sociológico, ensaio histórico e obra de arte literária. Pela primeira vez, o Brasil urbano e letrado era confrontado com o Brasil profundo e desconhecido.
Enquanto Euclides da Cunha descrevia Canudos com a linguagem grandiosa e barroca de um engenheiro-poeta, Lima Barreto, no Rio de Janeiro, escrevia sobre os subúrbios com ironia e indignação. Neto de escravos, mulato, alcoólatra e internado em hospícios, Lima Barreto foi um cronista da exclusão. Seu romance "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (1915) é uma sátira mordaz ao nacionalismo ingênuo e à burocracia estatal. Já o poeta Augusto dos Anjos, com seu único livro "Eu" (1912), misturava Parnasianismo, Simbolismo e um pessimismo científico para criar uma poesia que fala de vermes, cadáveres e podridão com uma potência única na literatura brasileira.
Teoria Explicada do Zero
O que foi o Pré-Modernismo?
O Pré-Modernismo não é uma escola literária propriamente dita, com princípios estéticos unificados e um grupo coeso de autores. É, antes, um período de transição entre as grandes correntes do século XIX (Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo) e a revolução modernista que eclodiria em 1922.
O marco inicial do Pré-Modernismo é 1902, ano da publicação de dois livros fundamentais: "Os Sertões", de Euclides da Cunha, e "Canaã", de Graça Aranha. O período se estende até a Semana de Arte Moderna de 1922.
O Contexto Histórico do Pré-Modernismo
O Brasil das primeiras décadas do século XX vivia transformações profundas:
· Urbanização e Modernização: O Rio de Janeiro passava pela reforma de Pereira Passos (1903-1906), com a abertura de avenidas e a demolição de cortiços. A cidade se modernizava, mas à custa da expulsão dos pobres para os morros e subúrbios.
· Revolta da Vacina (1904): A tentativa do governo de impor a vacinação obrigatória contra a varíola gerou uma revolta popular violenta, com barricadas e confrontos nas ruas do Rio de Janeiro. Esse episódio revelou o autoritarismo do Estado e a desconfiança da população.
· Industrialização Incipiente e Greves Operárias: As primeiras fábricas surgiam em São Paulo e no Rio, e com elas a classe operária. As greves de 1917 marcaram o início do movimento operário organizado no Brasil.
· Canudos (1896-1897): A guerra de Canudos, no sertão da Bahia, foi o grande trauma do final do século XIX. Euclides da Cunha transformou essa tragédia em literatura.
· Belle Époque Tropical: A elite brasileira sonhava com Paris. Os salões, os saraus e os cafés copiavam a moda europeia, enquanto a maior parte da população vivia na pobreza.
Características do Pré-Modernismo
Embora não haja uma unidade estética entre os autores do período, é possível identificar algumas marcas comuns que os distinguem e preparam o terreno para o Modernismo:
· Sincretismo Estilístico: Os autores pré-modernistas convivem com as estéticas anteriores, mas as misturam e as questionam. Euclides da Cunha escreve com o rigor científico do Naturalismo, mas sua prosa é altamente literária e barroca. Lima Barreto usa a ironia realista, mas com um tom coloquial e antirretórico. Augusto dos Anjos mistura Parnasianismo, Simbolismo e um pessimismo científico.
· Regionalismo e Redescoberta do Brasil: O Brasil deixa de ser apenas o cenário exótico do Romantismo e passa a ser tema de investigação. Euclides da Cunha mergulha no sertão; Monteiro Lobato, no interior paulista; Lima Barreto, nos subúrbios cariocas. O país começa a se enxergar.
· Denúncia Social: O Pré-Modernismo abandona a idealização e expõe as mazelas brasileiras — a miséria, o racismo, o coronelismo, a burocracia opressiva, a violência do Estado. A literatura se torna um instrumento de crítica social.
· Linguagem Antirretórica (em certos autores): Lima Barreto, especialmente, rompe com a linguagem pomposa e artificial dos parnasianos, optando por uma prosa coloquial, simples e direta. Essa atitude será radicalizada pelos modernistas.
· Renovação Temática: Temas antes considerados baixos ou indignos da literatura — como a podridão do corpo, a miséria dos subúrbios, a vida dos presidiários — ganham espaço.
Principais Autores e Obras
Euclides da Cunha (1866-1909):
· Obra principal: "Os Sertões" (1902).
· Características: Linguagem grandiosa e barroca, mistura de ciência e literatura, determinismo do meio (influência do Naturalismo), denúncia da guerra de Canudos.
· Importância: Fundador do romance-reportagem brasileiro; mostrou o Brasil profundo aos leitores urbanos.
Lima Barreto (1881-1922):
· Obras principais: "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (1915), "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" (1909), "Clara dos Anjos" (publicado postumamente).
· Características: Ironia mordaz, crítica social e política, linguagem coloquial e antirretórica, foco nos marginalizados (suburbanos, negros, funcionários públicos).
· Importância: Precursor da literatura engajada e antirracista; desmontou o nacionalismo ingênuo e a hipocrisia da República Velha.
Graça Aranha (1868-1931):
· Obras principais: "Canaã" (1902).
· Características: Romance de tese sobre a imigração alemã no Espírito Santo; debate filosófico entre dois personagens que representam visões de mundo opostas.
· Importância: Sua publicação, junto com "Os Sertões", marca o início do Pré-Modernismo. Anos depois, Graça Aranha participaria ativamente da Semana de 22.
Augusto dos Anjos (1884-1914):
· Obra principal: "Eu" (1912) — seu único livro.
· Características: Poesia de mistura estilística (Parnasianismo na forma, Simbolismo nas imagens, Naturalismo nos temas), pessimismo radical, obsessão pela morte, podridão e decomposição, vocabulário científico e escatológico.
· Importância: Um dos poetas mais originais e lidos da literatura brasileira; sua poesia não se parece com nada do que foi escrito antes ou depois.
Monteiro Lobato (1882-1948):
· Obras principais: "Urupês" (1918), "Cidades Mortas" (1919).
· Características: Contista regionalista, criador do Jeca Tatu — o caipira pobre, doente e abandonado do interior paulista. Crítica social e desejo de modernização.
· Importância: Além de escritor, foi o grande editor do Modernismo, publicando os autores de 22.
Quadro-Resumo: Pré-Modernismo
O Pré-Modernismo não é uma escola literária propriamente dita, com princípios estéticos unificados e um grupo coeso de autores. É, antes, um período de transição entre as grandes correntes do século XIX (Realismo, Naturalismo, Parnasianismo, Simbolismo) e a revolução modernista que eclodiria em 1922.
O marco inicial do Pré-Modernismo é 1902, ano da publicação de dois livros fundamentais: "Os Sertões", de Euclides da Cunha, e "Canaã", de Graça Aranha. O período se estende até a Semana de Arte Moderna de 1922.
O Contexto Histórico do Pré-Modernismo
O Brasil das primeiras décadas do século XX vivia transformações profundas:
· Urbanização e Modernização: O Rio de Janeiro passava pela reforma de Pereira Passos (1903-1906), com a abertura de avenidas e a demolição de cortiços. A cidade se modernizava, mas à custa da expulsão dos pobres para os morros e subúrbios.
· Revolta da Vacina (1904): A tentativa do governo de impor a vacinação obrigatória contra a varíola gerou uma revolta popular violenta, com barricadas e confrontos nas ruas do Rio de Janeiro. Esse episódio revelou o autoritarismo do Estado e a desconfiança da população.
· Industrialização Incipiente e Greves Operárias: As primeiras fábricas surgiam em São Paulo e no Rio, e com elas a classe operária. As greves de 1917 marcaram o início do movimento operário organizado no Brasil.
· Canudos (1896-1897): A guerra de Canudos, no sertão da Bahia, foi o grande trauma do final do século XIX. Euclides da Cunha transformou essa tragédia em literatura.
· Belle Époque Tropical: A elite brasileira sonhava com Paris. Os salões, os saraus e os cafés copiavam a moda europeia, enquanto a maior parte da população vivia na pobreza.
Características do Pré-Modernismo
Embora não haja uma unidade estética entre os autores do período, é possível identificar algumas marcas comuns que os distinguem e preparam o terreno para o Modernismo:
· Sincretismo Estilístico: Os autores pré-modernistas convivem com as estéticas anteriores, mas as misturam e as questionam. Euclides da Cunha escreve com o rigor científico do Naturalismo, mas sua prosa é altamente literária e barroca. Lima Barreto usa a ironia realista, mas com um tom coloquial e antirretórico. Augusto dos Anjos mistura Parnasianismo, Simbolismo e um pessimismo científico.
· Regionalismo e Redescoberta do Brasil: O Brasil deixa de ser apenas o cenário exótico do Romantismo e passa a ser tema de investigação. Euclides da Cunha mergulha no sertão; Monteiro Lobato, no interior paulista; Lima Barreto, nos subúrbios cariocas. O país começa a se enxergar.
· Denúncia Social: O Pré-Modernismo abandona a idealização e expõe as mazelas brasileiras — a miséria, o racismo, o coronelismo, a burocracia opressiva, a violência do Estado. A literatura se torna um instrumento de crítica social.
· Linguagem Antirretórica (em certos autores): Lima Barreto, especialmente, rompe com a linguagem pomposa e artificial dos parnasianos, optando por uma prosa coloquial, simples e direta. Essa atitude será radicalizada pelos modernistas.
· Renovação Temática: Temas antes considerados baixos ou indignos da literatura — como a podridão do corpo, a miséria dos subúrbios, a vida dos presidiários — ganham espaço.
Principais Autores e Obras
Euclides da Cunha (1866-1909):
· Obra principal: "Os Sertões" (1902).
· Características: Linguagem grandiosa e barroca, mistura de ciência e literatura, determinismo do meio (influência do Naturalismo), denúncia da guerra de Canudos.
· Importância: Fundador do romance-reportagem brasileiro; mostrou o Brasil profundo aos leitores urbanos.
Lima Barreto (1881-1922):
· Obras principais: "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (1915), "Recordações do Escrivão Isaías Caminha" (1909), "Clara dos Anjos" (publicado postumamente).
· Características: Ironia mordaz, crítica social e política, linguagem coloquial e antirretórica, foco nos marginalizados (suburbanos, negros, funcionários públicos).
· Importância: Precursor da literatura engajada e antirracista; desmontou o nacionalismo ingênuo e a hipocrisia da República Velha.
Graça Aranha (1868-1931):
· Obras principais: "Canaã" (1902).
· Características: Romance de tese sobre a imigração alemã no Espírito Santo; debate filosófico entre dois personagens que representam visões de mundo opostas.
· Importância: Sua publicação, junto com "Os Sertões", marca o início do Pré-Modernismo. Anos depois, Graça Aranha participaria ativamente da Semana de 22.
Augusto dos Anjos (1884-1914):
· Obra principal: "Eu" (1912) — seu único livro.
· Características: Poesia de mistura estilística (Parnasianismo na forma, Simbolismo nas imagens, Naturalismo nos temas), pessimismo radical, obsessão pela morte, podridão e decomposição, vocabulário científico e escatológico.
· Importância: Um dos poetas mais originais e lidos da literatura brasileira; sua poesia não se parece com nada do que foi escrito antes ou depois.
Monteiro Lobato (1882-1948):
· Obras principais: "Urupês" (1918), "Cidades Mortas" (1919).
· Características: Contista regionalista, criador do Jeca Tatu — o caipira pobre, doente e abandonado do interior paulista. Crítica social e desejo de modernização.
· Importância: Além de escritor, foi o grande editor do Modernismo, publicando os autores de 22.
Quadro-Resumo: Pré-Modernismo
| Aspecto | Características |
| Período | 1902 (publicação de "Os Sertões" e "Canaã") a 1922 (Semana de Arte Moderna). |
| Natureza | Período de transição — não é uma escola literária unificada. |
| Contexto histórico | Reforma urbana (Pereira Passos) — Revolta da Vacina — greves operárias — guerra de Canudos — Belle Époque tropical. |
| Características | Sincretismo estilístico — regionalismo — denúncia social — linguagem antirretórica (Lima Barreto) — renovação temática. |
| Principais autores | Euclides da Cunha ("Os Sertões") — Lima Barreto ("Triste Fim de Policarpo Quaresma") — Graça Aranha ("Canaã") — Augusto dos Anjos ("Eu") — Monteiro Lobato ("Urupês"). |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Euclides da Cunha, "Os Sertões" (Linguagem e Denúncia):
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. (...) É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete o aspecto, a fealdade típica dos fracos."
-> Análise: A descrição do sertanejo combina observação científica (influência do Naturalismo) com uma linguagem grandiosa e metafórica (Hércules-Quasímodo). O oxímoro (forte/fraco) resume a tese do livro: o sertanejo é forte, mas parece fraco; o sertão é hostil, mas forja homens resistentes.
Exemplo 2 – Lima Barreto, "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (Ironia e Crítica Social):
"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e escrever em geral se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua — resolveu adotar o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro."
-> Análise: A ironia de Lima Barreto está no contraste entre a seriedade com que Policarpo defende sua ideia absurda e o ridículo da situação. A crítica é dupla: ao nacionalismo ingênuo e à burocracia estatal. A linguagem é coloquial e fluida, muito distante da pompa parnasiana.
Exemplo 3 – Augusto dos Anjos, "Versos Íntimos" (Pessimismo e Escatologia):
"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera."
-> Análise: O poema mistura o rigor formal do soneto (herança parnasiana) com um conteúdo pessimista e visceral (herança simbolista e naturalista). A "lama" e a "pantera" são metáforas poderosas da condição humana. O tom é de advertência amarga, sem consolo.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário. (...) É desgracioso, desengonçado, torto. Hércules-Quasímodo, reflete o aspecto, a fealdade típica dos fracos."
-> Análise: A descrição do sertanejo combina observação científica (influência do Naturalismo) com uma linguagem grandiosa e metafórica (Hércules-Quasímodo). O oxímoro (forte/fraco) resume a tese do livro: o sertanejo é forte, mas parece fraco; o sertão é hostil, mas forja homens resistentes.
Exemplo 2 – Lima Barreto, "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (Ironia e Crítica Social):
"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e escrever em geral se veem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua — resolveu adotar o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro."
-> Análise: A ironia de Lima Barreto está no contraste entre a seriedade com que Policarpo defende sua ideia absurda e o ridículo da situação. A crítica é dupla: ao nacionalismo ingênuo e à burocracia estatal. A linguagem é coloquial e fluida, muito distante da pompa parnasiana.
Exemplo 3 – Augusto dos Anjos, "Versos Íntimos" (Pessimismo e Escatologia):
"Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera."
-> Análise: O poema mistura o rigor formal do soneto (herança parnasiana) com um conteúdo pessimista e visceral (herança simbolista e naturalista). A "lama" e a "pantera" são metáforas poderosas da condição humana. O tom é de advertência amarga, sem consolo.
O Essencial (Guarde Isso)
- Pré-Modernismo (1902-1922): Período de transição entre as estéticas do século XIX e o Modernismo. Não é uma escola literária unificada.
- Principais marcas: Sincretismo estilístico, regionalismo, denúncia social, renovação temática, linguagem antirretórica (em Lima Barreto).
- Principais autores: Euclides da Cunha ("Os Sertões"), Lima Barreto ("Triste Fim de Policarpo Quaresma"), Graça Aranha ("Canaã"), Augusto dos Anjos ("Eu"), Monteiro Lobato ("Urupês").
Dicas Práticas
Dica 1 (O Pré-Modernismo é transição): Não espere uma unidade estética entre os autores. Cada um segue seu próprio caminho, mas todos apontam para a renovação que o Modernismo trará.
Dica 2 (Decore as datas e marcos): 1902 — "Os Sertões" e "Canaã" (início do Pré-Modernismo); 1922 — Semana de Arte Moderna (fim do Pré-Modernismo e início do Modernismo).
Dica 3 (Associe autor à temática): Euclides da Cunha → sertão e Canudos; Lima Barreto → subúrbio carioca e crítica social; Augusto dos Anjos → pessimismo, podridão e vocabulário científico; Monteiro Lobato → Jeca Tatu e o caipira.
Dica 4 (Compare Lima Barreto com Machado de Assis): Ambos são irônicos e críticos, mas Machado é sutil e contido; Lima Barreto é mais direto, coloquial e engajado. Essa comparação é frequente nas provas.
Dica 2 (Decore as datas e marcos): 1902 — "Os Sertões" e "Canaã" (início do Pré-Modernismo); 1922 — Semana de Arte Moderna (fim do Pré-Modernismo e início do Modernismo).
Dica 3 (Associe autor à temática): Euclides da Cunha → sertão e Canudos; Lima Barreto → subúrbio carioca e crítica social; Augusto dos Anjos → pessimismo, podridão e vocabulário científico; Monteiro Lobato → Jeca Tatu e o caipira.
Dica 4 (Compare Lima Barreto com Machado de Assis): Ambos são irônicos e críticos, mas Machado é sutil e contido; Lima Barreto é mais direto, coloquial e engajado. Essa comparação é frequente nas provas.
Dúvidas Frequentes
O Pré-Modernismo é uma escola literária?
Não. É um período de transição, em que convivem autores de estilos muito diferentes. Não há um programa estético comum, como no Parnasianismo ou no Romantismo.
Augusto dos Anjos é simbolista ou parnasiano?
Ele mistura as duas correntes. Do Parnasianismo, herda o rigor formal e o soneto; do Simbolismo, herda as imagens sugestivas e o gosto pelo mistério. Mas seu pessimismo científico e seu vocabulário escatológico são marcas pessoais que o tornam único.
Por que o Pré-Modernismo é importante?
Porque é nele que a literatura brasileira começa a olhar para os problemas do país com olhos críticos, abandonando a idealização. Ele prepara o terreno para a revolução modernista de 1922.
Não. É um período de transição, em que convivem autores de estilos muito diferentes. Não há um programa estético comum, como no Parnasianismo ou no Romantismo.
Augusto dos Anjos é simbolista ou parnasiano?
Ele mistura as duas correntes. Do Parnasianismo, herda o rigor formal e o soneto; do Simbolismo, herda as imagens sugestivas e o gosto pelo mistério. Mas seu pessimismo científico e seu vocabulário escatológico são marcas pessoais que o tornam único.
Por que o Pré-Modernismo é importante?
Porque é nele que a literatura brasileira começa a olhar para os problemas do país com olhos críticos, abandonando a idealização. Ele prepara o terreno para a revolução modernista de 1922.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Associe as colunas.
Questão 2 – Qual obra marca o início do Pré-Modernismo no Brasil, ao lado de "Canaã", de Graça Aranha?
a) "Triste Fim de Policarpo Quaresma"
b) "Os Sertões"
c) "Urupês"
d) "Eu"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de Euclides da Cunha e responda.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário."
a) Explique o oxímoro (forte/fraco) utilizado por Euclides da Cunha para descrever o sertanejo.
b) Qual corrente do século XIX influencia essa descrição?
Questão 4 – Leia o fragmento de Lima Barreto e responda.
"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, (...) resolveu adotar o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro."
a) Identifique o recurso expressivo predominante no trecho e explique seu efeito.
b) Qual a crítica implícita de Lima Barreto ao nacionalismo da época?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que o Pré-Modernismo é considerado um período de transição, e não uma escola literária.
Seu parágrafo:
| Coluna A (Autor) | Coluna B (Obra) |
| 1. Euclides da Cunha | ( ) "Triste Fim de Policarpo Quaresma" |
| 2. Lima Barreto | ( ) "Os Sertões" |
| 3. Augusto dos Anjos | ( ) "Eu" |
Questão 2 – Qual obra marca o início do Pré-Modernismo no Brasil, ao lado de "Canaã", de Graça Aranha?
a) "Triste Fim de Policarpo Quaresma"
b) "Os Sertões"
c) "Urupês"
d) "Eu"
Nível MédioQuestão 3 – Leia o fragmento de Euclides da Cunha e responda.
"O sertanejo é, antes de tudo, um forte. A sua aparência, porém, ao primeiro lance de vista, revela o contrário."
a) Explique o oxímoro (forte/fraco) utilizado por Euclides da Cunha para descrever o sertanejo.
b) Qual corrente do século XIX influencia essa descrição?
Questão 4 – Leia o fragmento de Lima Barreto e responda.
"Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, (...) resolveu adotar o tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro."
a) Identifique o recurso expressivo predominante no trecho e explique seu efeito.
b) Qual a crítica implícita de Lima Barreto ao nacionalismo da época?
Questão 5 – Produção textual.
Escreva um parágrafo (4 a 5 linhas) explicando por que o Pré-Modernismo é considerado um período de transição, e não uma escola literária.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) "Os Sertões" (1902), de Euclides da Cunha, é considerado, ao lado de "Canaã", o marco inicial do Pré-Modernismo.
Questão 3
a) O oxímoro expressa a contradição entre a aparência do sertanejo ("desengonçado, torto") e sua essência (forte, resistente). A ideia é que o meio hostil do sertão forja homens de grande força interior, embora sua aparência física não a revele.
b) O Naturalismo, especialmente o determinismo do meio. Euclides da Cunha mostra como o ambiente (o sertão) molda o caráter e o corpo do sertanejo.
Questão 4
a) A ironia. O narrador descreve a decisão absurda de Policarpo com uma seriedade fingida, criando um contraste entre a tolice da ideia e a solenidade do tom. O efeito é ridicularizar o nacionalismo ingênuo do protagonista.
b) Lima Barreto critica o nacionalismo exagerado, ufanista e irracional, que se apega a símbolos vazios (como o tupi-guarani) sem enfrentar os reais problemas do país — a pobreza, a desigualdade, a corrupção.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "O Pré-Modernismo é um período de transição, e não uma escola literária, porque não há um programa estético comum entre seus autores. Euclides da Cunha escreve com a grandiosidade barroca e o determinismo naturalista; Lima Barreto usa a ironia realista e uma linguagem coloquial; Augusto dos Anjos mistura Parnasianismo, Simbolismo e pessimismo científico. O que os une é a postura de investigação do Brasil e a ruptura com as idealizações, preparando o caminho para o Modernismo de 1922."
Ordem correta: (2), (1), (3).
Questão 2
Resposta correta: b) "Os Sertões" (1902), de Euclides da Cunha, é considerado, ao lado de "Canaã", o marco inicial do Pré-Modernismo.
Questão 3
a) O oxímoro expressa a contradição entre a aparência do sertanejo ("desengonçado, torto") e sua essência (forte, resistente). A ideia é que o meio hostil do sertão forja homens de grande força interior, embora sua aparência física não a revele.
b) O Naturalismo, especialmente o determinismo do meio. Euclides da Cunha mostra como o ambiente (o sertão) molda o caráter e o corpo do sertanejo.
Questão 4
a) A ironia. O narrador descreve a decisão absurda de Policarpo com uma seriedade fingida, criando um contraste entre a tolice da ideia e a solenidade do tom. O efeito é ridicularizar o nacionalismo ingênuo do protagonista.
b) Lima Barreto critica o nacionalismo exagerado, ufanista e irracional, que se apega a símbolos vazios (como o tupi-guarani) sem enfrentar os reais problemas do país — a pobreza, a desigualdade, a corrupção.
Questão 5
Resposta livre. Exemplo esperado: "O Pré-Modernismo é um período de transição, e não uma escola literária, porque não há um programa estético comum entre seus autores. Euclides da Cunha escreve com a grandiosidade barroca e o determinismo naturalista; Lima Barreto usa a ironia realista e uma linguagem coloquial; Augusto dos Anjos mistura Parnasianismo, Simbolismo e pessimismo científico. O que os une é a postura de investigação do Brasil e a ruptura com as idealizações, preparando o caminho para o Modernismo de 1922."
Checklist da Aula 1
- Compreendi o Pré-Modernismo como período de transição.
- Conheço o contexto histórico do Brasil no início do século XX.
- Identifico as principais características e os autores do Pré-Modernismo.
- Sei associar cada autor às suas obras e temáticas principais.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus erros.
- Estou preparado(a) para a Aula 2 – Euclides da Cunha e "Os Sertões".
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Você conheceu o panorama do Pré-Modernismo e seus principais autores. Agora, é hora de mergulhar na obra de um dos maiores escritores brasileiros: Euclides da Cunha.
Na Aula 2 – Euclides da Cunha e "Os Sertões", você analisará a estrutura, a linguagem e os temas dessa obra monumental que mistura literatura, história e ciência, e que revelou o Brasil profundo aos leitores urbanos do início do século XX. Até lá!
Na Aula 2 – Euclides da Cunha e "Os Sertões", você analisará a estrutura, a linguagem e os temas dessa obra monumental que mistura literatura, história e ciência, e que revelou o Brasil profundo aos leitores urbanos do início do século XX. Até lá!