Objetivo da Aula
Ao final desta aula, o aluno será capaz de:
- Compreender que a colocação pronominal varia entre o português brasileiro e o português europeu, sem que uma variante seja "errada" em seu contexto;
- Identificar as principais diferenças: a preferência pela próclise no Brasil e a preferência pela ênclise em Portugal;
- Reconhecer o impacto dessas diferenças na escrita formal e na fala coloquial em cada país;
- Utilizar esse conhecimento para adequar a colocação pronominal ao registro e ao público-alvo do texto.
Por que isso é importante?
Você passou as últimas doze aulas aprendendo as regras da colocação pronominal na norma culta brasileira.
Mas a língua portuguesa não é falada e escrita da mesma forma em todos os lugares.
Entre Brasil e Portugal, existem diferenças significativas na maneira como os pronomes são posicionados e isso pode causar estranhamento ou até mesmo confusão em leitores e ouvintes.
Observe estas duas frases, ambas corretas, mas típicas de países diferentes:
· "Me dá um café?" (Brasil, coloquial)
· "Dá-me um café?" (Portugal, formal e coloquial)
Compreender essas diferenças é importante por três motivos:
1. Leitura de textos internacionais:
Se você ler um autor português, encontrará ênclises em lugares que, para o brasileiro, soam estranhas.
Saber disso evita que você considere o texto "errado".
2. Escrita para públicos variados:
Um texto formal brasileiro seguirá as regras que estudamos; um texto para um leitor português poderá soar excessivamente informal se usar muita próclise.
3. Consciência linguística:
Entender que a língua varia geograficamente é parte do domínio completo do idioma.
Esta aula é, portanto, um convite a olhar para além das regras e perceber a vitalidade e a diversidade da língua portuguesa.
Mas a língua portuguesa não é falada e escrita da mesma forma em todos os lugares.
Entre Brasil e Portugal, existem diferenças significativas na maneira como os pronomes são posicionados e isso pode causar estranhamento ou até mesmo confusão em leitores e ouvintes.
Observe estas duas frases, ambas corretas, mas típicas de países diferentes:
· "Me dá um café?" (Brasil, coloquial)
· "Dá-me um café?" (Portugal, formal e coloquial)
Compreender essas diferenças é importante por três motivos:
1. Leitura de textos internacionais:
Se você ler um autor português, encontrará ênclises em lugares que, para o brasileiro, soam estranhas.
Saber disso evita que você considere o texto "errado".
2. Escrita para públicos variados:
Um texto formal brasileiro seguirá as regras que estudamos; um texto para um leitor português poderá soar excessivamente informal se usar muita próclise.
3. Consciência linguística:
Entender que a língua varia geograficamente é parte do domínio completo do idioma.
Esta aula é, portanto, um convite a olhar para além das regras e perceber a vitalidade e a diversidade da língua portuguesa.
Contexto Curioso
Você sabia que, em Portugal, a frase "Me dá um café" soa tão estranha quanto "Dá-me um café" soa para muitos brasileiros em uma conversa informal?
Cada país desenvolveu seu próprio "ritmo" de colocação pronominal.
Essa diferença tem raízes históricas.
No século XVIII, o português brasileiro começou a se afastar do europeu, influenciado pelo contato com línguas africanas e indígenas, e pela própria dinâmica social da colônia.
A próclise, que no início era apenas uma tendência oral, foi aos poucos se tornando a forma natural de falar — e, em muitos contextos, de escrever — no Brasil.
Já em Portugal, a tradição da ênclise se manteve forte. Até hoje, os portugueses usam a ênclise não apenas na escrita formal, mas também na fala cotidiana.
Um português diz "Chamo-me João" com a mesma naturalidade com que um brasileiro diz "Me chamo João".
Um exemplo literário curioso:
o escritor português Eça de Queirós, no século XIX, escrevia frases como "Tinha-se levantado" e "Sentou-se à mesa", com muito mais ênclise do que Machado de Assis, seu contemporâneo brasileiro, que já variava entre "Tinha se levantado" e "Tinha-se levantado".
Cada país desenvolveu seu próprio "ritmo" de colocação pronominal.
Essa diferença tem raízes históricas.
No século XVIII, o português brasileiro começou a se afastar do europeu, influenciado pelo contato com línguas africanas e indígenas, e pela própria dinâmica social da colônia.
A próclise, que no início era apenas uma tendência oral, foi aos poucos se tornando a forma natural de falar — e, em muitos contextos, de escrever — no Brasil.
Já em Portugal, a tradição da ênclise se manteve forte. Até hoje, os portugueses usam a ênclise não apenas na escrita formal, mas também na fala cotidiana.
Um português diz "Chamo-me João" com a mesma naturalidade com que um brasileiro diz "Me chamo João".
Um exemplo literário curioso:
o escritor português Eça de Queirós, no século XIX, escrevia frases como "Tinha-se levantado" e "Sentou-se à mesa", com muito mais ênclise do que Machado de Assis, seu contemporâneo brasileiro, que já variava entre "Tinha se levantado" e "Tinha-se levantado".
Teoria Explicada do Zero
A próclise brasileira: uma preferência nacionalNo Brasil, a próclise é a posição preferida em praticamente todos os contextos em que a norma culta a permite — e até em alguns em que a norma culta tradicional recomendaria a ênclise.
Consequência prática: No Brasil, mesmo em textos formais, a próclise é amplamente aceita em casos facultativos. A banca do ENEM, por exemplo, não desconta pontos por próclise em início de frase na redação.
A ênclise portuguesa: a tradição que permanece
Em Portugal, a ênclise é a posição predominante — e muitas vezes obrigatória em contextos onde, para o brasileiro, a próclise seria natural.
Observação importante: Em Portugal, a próclise com palavras atrativas (negativas, relativas, interrogativas) é tão obrigatória quanto no Brasil. Um português também diz "Não me diga" e "Quem te chamou?".
Diferenças em locuções verbais
As locuções verbais representam uma das diferenças mais visíveis entre as duas variantes.
Atenção: Em Portugal, a construção "estar a" + infinitivo substitui o gerúndio em muitos contextos. Onde o brasileiro diz "Estou sentindo-me", o português diz "Estou a sentir-me". A regra de colocação, contudo, é a mesma: a ênclise é preferida.
O que isso significa para a escrita formal?
Na escrita formal brasileira, você deve seguir as regras que estudamos ao longo do módulo:
· Ênclise em início de frase ("Diga-me").
· Próclise obrigatória com palavras atrativas ("Não me diga").
· Facultatividade nos casos de sujeito explícito e infinitivo com preposição.
Na leitura de textos portugueses, você deve estar preparado para encontrar muito mais ênclise — inclusive em posições onde, no Brasil, ela soaria formal ou artificial. Isso não é erro; é a variante local da língua.
Quadro-resumo da Aula 13
| Situação | Norma Culta (Brasil) | Uso Real (Brasil) |
| Início de frase | Ênclise: "Diga-me a verdade." | Coloquial: "Me diga a verdade." |
| Sujeito explícito | Facultativo: "Ela me chamou" ou "Ela chamou-me". | Preferência: "Ela me chamou". |
| Infinitivo com preposição | Facultativo: "Para te ver" ou "Para ver-te". | Preferência: "Para te ver". |
| Locução verbal | Três opções: "Quero te falar", "Te quero falar", "Quero falar-te". | Preferência: "Quero te falar" (próclise ao principal). |
Consequência prática: No Brasil, mesmo em textos formais, a próclise é amplamente aceita em casos facultativos. A banca do ENEM, por exemplo, não desconta pontos por próclise em início de frase na redação.
A ênclise portuguesa: a tradição que permanece
Em Portugal, a ênclise é a posição predominante — e muitas vezes obrigatória em contextos onde, para o brasileiro, a próclise seria natural.
| Situação | Brasil (Tendência) | Portugal (Tendência) |
| Início de frase | Coloquial: "Me diga." / Formal: "Diga-me." | Sempre: "Diga-me." (Mesmo em conversas informais). |
| Sujeito explícito | Preferência: "Ela me chamou." | Preferência: "Ela chamou-me." |
| Infinitivo com preposição | Preferência: "Para te ver." | Preferência: "Para ver-te." |
| Advérbio (sem vírgula) | Sempre Próclise: "Aqui se trabalha." | Híbrido: Próclise é comum, mas a ênclise é aceitável. |
Observação importante: Em Portugal, a próclise com palavras atrativas (negativas, relativas, interrogativas) é tão obrigatória quanto no Brasil. Um português também diz "Não me diga" e "Quem te chamou?".
Diferenças em locuções verbais
As locuções verbais representam uma das diferenças mais visíveis entre as duas variantes.
| Estrutura | Brasil (Tendência) | Portugal (Tendência) |
| Auxiliar + Infinitivo | "Vou te contar" (Próclise ao principal) | "Vou contar-te" ou "Vou-te contar" |
| Auxiliar + Gerúndio | "Estou me sentindo" (Próclise ao principal) | "Estou a sentir-me" (Construção padrão lá) |
| Auxiliar + Particípio | "Tinha me falado" (Próclise ao auxiliar) | "Tinha-me falado" (Ênclise ao auxiliar) |
Atenção: Em Portugal, a construção "estar a" + infinitivo substitui o gerúndio em muitos contextos. Onde o brasileiro diz "Estou sentindo-me", o português diz "Estou a sentir-me". A regra de colocação, contudo, é a mesma: a ênclise é preferida.
O que isso significa para a escrita formal?
Na escrita formal brasileira, você deve seguir as regras que estudamos ao longo do módulo:
· Ênclise em início de frase ("Diga-me").
· Próclise obrigatória com palavras atrativas ("Não me diga").
· Facultatividade nos casos de sujeito explícito e infinitivo com preposição.
Na leitura de textos portugueses, você deve estar preparado para encontrar muito mais ênclise — inclusive em posições onde, no Brasil, ela soaria formal ou artificial. Isso não é erro; é a variante local da língua.
Quadro-resumo da Aula 13
| Contexto | Tendência no Brasil | Tendência em Portugal |
| Início de frase (formal) | "Diga-me." | "Diga-me." |
| Início de frase (coloquial) | "Me diga." | "Diga-me." |
| Sujeito explícito | "Ela me chamou." | "Ela chamou-me." |
| Infinitivo com preposição | "Para te ver." | "Para ver-te." |
| Locução com gerúndio | "Estou me sentindo." | "Estou a sentir-me." |
| Palavras atrativas | Próclise obrigatória | Próclise obrigatória |
Exemplos Comentados
Exemplo 1 – Início de frase:
· Brasil (coloquial): "Me empresta o livro?"
· Brasil (formal): "Empresta-me o livro?"
· Portugal (formal e coloquial): "Empresta-me o livro?"
A ênclise é a regra em Portugal, sempre. No Brasil, depende do registro.
Exemplo 2 – Sujeito explícito:
· Brasil: "O João me contou tudo." (natural, formal ou coloquial)
· Portugal: "O João contou-me tudo." (natural, formal ou coloquial)
Ambas são corretas; a diferença é geográfica.
Exemplo 3 – Infinitivo com preposição:
· Brasil: "Estou aqui para te ajudar."
· Portugal: "Estou aqui para ajudar-te."
Nenhuma das duas é errada. A primeira é mais natural no Brasil; a segunda, em Portugal.
Exemplo 4 – Locução com gerúndio (Brasil) vs. estar a + infinitivo (Portugal):
· Brasil: "Estou me sentindo melhor."
· Portugal: "Estou a sentir-me melhor."
A construção é diferente, mas a colocação do pronome segue a mesma lógica: ênclise ao verbo principal.
Exemplo 5 – Palavra atrativa (comportamento igual nos dois países):
· Brasil: "Não me diga isso."
· Portugal: "Não me diga isso."
Com palavras atrativas, a próclise é obrigatória em ambas as variantes.
· Brasil (coloquial): "Me empresta o livro?"
· Brasil (formal): "Empresta-me o livro?"
· Portugal (formal e coloquial): "Empresta-me o livro?"
A ênclise é a regra em Portugal, sempre. No Brasil, depende do registro.
Exemplo 2 – Sujeito explícito:
· Brasil: "O João me contou tudo." (natural, formal ou coloquial)
· Portugal: "O João contou-me tudo." (natural, formal ou coloquial)
Ambas são corretas; a diferença é geográfica.
Exemplo 3 – Infinitivo com preposição:
· Brasil: "Estou aqui para te ajudar."
· Portugal: "Estou aqui para ajudar-te."
Nenhuma das duas é errada. A primeira é mais natural no Brasil; a segunda, em Portugal.
Exemplo 4 – Locução com gerúndio (Brasil) vs. estar a + infinitivo (Portugal):
· Brasil: "Estou me sentindo melhor."
· Portugal: "Estou a sentir-me melhor."
A construção é diferente, mas a colocação do pronome segue a mesma lógica: ênclise ao verbo principal.
Exemplo 5 – Palavra atrativa (comportamento igual nos dois países):
· Brasil: "Não me diga isso."
· Portugal: "Não me diga isso."
Com palavras atrativas, a próclise é obrigatória em ambas as variantes.
O Essencial (Guarde Isso)
- A próclise é a posição mais comum e natural no Brasil, tanto na fala quanto na escrita.
- A ênclise é a posição predominante em Portugal, inclusive na fala coloquial.
- Com palavras atrativas (não, que, nunca etc.), a próclise é obrigatória nos dois países.
- As duas variantes são igualmente legítimas. A escolha depende do público e do registro (formal ou coloquial).
Dicas Práticas
Dica 1 (Textos internacionais): Se você for publicar um texto para o público português, considere usar mais ênclise. Se o público for brasileiro, a próclise nos casos facultativos é perfeitamente aceitável.
Dica 2 (Leitura de autores portugueses): Não estranhe a ênclise frequente. Ela não é "formal demais"; é apenas o padrão local.
Dica 3 (Provas e concursos no Brasil): Siga a norma culta brasileira como estudamos. As bancas brasileiras não cobram o padrão português.
Dica 4 (Consciência linguística): Língua não é certa ou errada de forma absoluta; é adequada ao contexto. Um brasileiro que usa próclise em Portugal será entendido, e vice-versa.
Dica 2 (Leitura de autores portugueses): Não estranhe a ênclise frequente. Ela não é "formal demais"; é apenas o padrão local.
Dica 3 (Provas e concursos no Brasil): Siga a norma culta brasileira como estudamos. As bancas brasileiras não cobram o padrão português.
Dica 4 (Consciência linguística): Língua não é certa ou errada de forma absoluta; é adequada ao contexto. Um brasileiro que usa próclise em Portugal será entendido, e vice-versa.
Dúvidas Frequentes
"Me diga" é errado?
No português brasileiro coloquial, não. Na norma culta brasileira, deve-se evitar em textos formais. Em Portugal, é sempre inadequado.
Um texto brasileiro com muita ênclise soa artificial?
Sim. O excesso de ênclise em um texto brasileiro pode soar pedante ou artificial. O ideal é usar a ênclise nos casos obrigatórios e variar nos facultativos.
Qual é a forma mais correta: a brasileira ou a portuguesa?
Nenhuma é "mais correta". São variantes da mesma língua, cada uma com suas regras e preferências.
O ENEM aceita próclise em início de frase?
Sim. O ENEM valoriza a adequação ao registro e reconhece a variação linguística.
No português brasileiro coloquial, não. Na norma culta brasileira, deve-se evitar em textos formais. Em Portugal, é sempre inadequado.
Um texto brasileiro com muita ênclise soa artificial?
Sim. O excesso de ênclise em um texto brasileiro pode soar pedante ou artificial. O ideal é usar a ênclise nos casos obrigatórios e variar nos facultativos.
Qual é a forma mais correta: a brasileira ou a portuguesa?
Nenhuma é "mais correta". São variantes da mesma língua, cada uma com suas regras e preferências.
O ENEM aceita próclise em início de frase?
Sim. O ENEM valoriza a adequação ao registro e reconhece a variação linguística.
Exercícios
Nível FácilQuestão 1 – Identifique se a colocação pronominal é típica do Brasil (B), de Portugal (P) ou de ambos (A).
a) "Diga-me a verdade." ( )
b) "Me diga a verdade." ( )
c) "Ela me contou tudo." ( )
d) "Ela contou-me tudo." ( )
e) "Não me deixes." ( )
Questão 2 – Marque a opção correta sobre as diferenças entre Brasil e Portugal.
a) ( ) Em Portugal, a ênclise é usada apenas na escrita formal.
( ) Em Portugal, a ênclise é comum até na fala coloquial.
b) ( ) No Brasil, a próclise é proibida em início de frase na norma culta formal.
( ) No Brasil, a próclise em início de frase é a única forma aceita em documentos oficiais.
c) ( ) Com palavras atrativas (não, nunca, que), a próclise é obrigatória apenas no Brasil.
( ) Com palavras atrativas, a próclise é obrigatória nos dois países.
Questão 3 – Identifique se a frase segue o padrão mais comum no Brasil (B) ou em Portugal (P).
a) "Estou a sentir-me cansado." ( )
b) "Estou me sentindo cansado." ( )
c) "Tinha-me esquecido do compromisso." ( )
d) "Tinha me esquecido do compromisso." ( )
Questão 4 – Reescreva a frase "Me empresta o caderno" de acordo com:
a) O padrão formal brasileiro: ________________________________________________
b) O padrão português (formal e coloquial): ________________________________________________
Questão 5 – Complete as lacunas com a colocação mais típica de cada país.
a) Brasil (formal): __________ a verdade. (Dizer + me)
b) Portugal: __________ a verdade. (Dizer + me)
c) Brasil (coloquial): Ela __________ chamou. (me)
d) Portugal: Ela __________. (chamar + me)
Nível MédioQuestão 6 – Em qual das frases abaixo a colocação pronominal soaria ESTRANHA para um falante brasileiro, mas NATURAL para um português?
a) "Não me digas isso."
b) "Quem te contou essa história?"
c) "O João deu-me o livro ontem."
d) "Nunca me esquecerei."
Questão 7 – (Adaptada de vestibular português) Assinale a opção que segue o padrão culto de Portugal.
a) Me parece que vai chover.
b) Parece-me que vai chover.
c) Não parece-me que vai chover.
d) Quem me chamou?
e) Sempre me disseram a verdade.
Questão 8 – A frase "Os alunos que se esforçaram foram aprovados" está correta tanto no Brasil quanto em Portugal? Justifique.
Resposta: ________________________________________________________________
Justificativa: ________________________________________________________________
Nível AvançadoQuestão 9 – Análise de trecho literário (adaptado de Eça de Queirós, escritor português)
Leia o trecho:
"Tinha-se levantado cedo. Sentou-se à mesa e pôs-se a ler o jornal. Não lhe apetecia conversar. Deram-lhe uma carta, que ele abriu com indiferença."
a) Identifique e classifique as colocações pronominais presentes no trecho (próclise, ênclise, mesóclise).
b) O que esse trecho revela sobre a preferência de colocação pronominal em Portugal?
c) Como um escritor brasileiro contemporâneo provavelmente reescreveria a primeira frase, mantendo o tom formal?
Questão 10 – Desafio de produção
Escreva um parágrafo (4 a 6 linhas) sobre um encontro entre um brasileiro e um português, no qual ambos estão se conhecendo. Utilize obrigatoriamente:
· Uma frase com colocação típica brasileira (próclise em caso facultativo).
· Uma frase com colocação típica portuguesa (ênclise em caso facultativo).
· Uma frase em que ambos usariam a mesma colocação (próclise obrigatória com palavra atrativa).
Destaque as colocações utilizadas e identifique qual variante cada uma representa.
Seu parágrafo:
a) "Diga-me a verdade." ( )
b) "Me diga a verdade." ( )
c) "Ela me contou tudo." ( )
d) "Ela contou-me tudo." ( )
e) "Não me deixes." ( )
Questão 2 – Marque a opção correta sobre as diferenças entre Brasil e Portugal.
a) ( ) Em Portugal, a ênclise é usada apenas na escrita formal.
( ) Em Portugal, a ênclise é comum até na fala coloquial.
b) ( ) No Brasil, a próclise é proibida em início de frase na norma culta formal.
( ) No Brasil, a próclise em início de frase é a única forma aceita em documentos oficiais.
c) ( ) Com palavras atrativas (não, nunca, que), a próclise é obrigatória apenas no Brasil.
( ) Com palavras atrativas, a próclise é obrigatória nos dois países.
Questão 3 – Identifique se a frase segue o padrão mais comum no Brasil (B) ou em Portugal (P).
a) "Estou a sentir-me cansado." ( )
b) "Estou me sentindo cansado." ( )
c) "Tinha-me esquecido do compromisso." ( )
d) "Tinha me esquecido do compromisso." ( )
Questão 4 – Reescreva a frase "Me empresta o caderno" de acordo com:
a) O padrão formal brasileiro: ________________________________________________
b) O padrão português (formal e coloquial): ________________________________________________
Questão 5 – Complete as lacunas com a colocação mais típica de cada país.
a) Brasil (formal): __________ a verdade. (Dizer + me)
b) Portugal: __________ a verdade. (Dizer + me)
c) Brasil (coloquial): Ela __________ chamou. (me)
d) Portugal: Ela __________. (chamar + me)
Nível MédioQuestão 6 – Em qual das frases abaixo a colocação pronominal soaria ESTRANHA para um falante brasileiro, mas NATURAL para um português?
a) "Não me digas isso."
b) "Quem te contou essa história?"
c) "O João deu-me o livro ontem."
d) "Nunca me esquecerei."
Questão 7 – (Adaptada de vestibular português) Assinale a opção que segue o padrão culto de Portugal.
a) Me parece que vai chover.
b) Parece-me que vai chover.
c) Não parece-me que vai chover.
d) Quem me chamou?
e) Sempre me disseram a verdade.
Questão 8 – A frase "Os alunos que se esforçaram foram aprovados" está correta tanto no Brasil quanto em Portugal? Justifique.
Resposta: ________________________________________________________________
Justificativa: ________________________________________________________________
Nível AvançadoQuestão 9 – Análise de trecho literário (adaptado de Eça de Queirós, escritor português)
Leia o trecho:
"Tinha-se levantado cedo. Sentou-se à mesa e pôs-se a ler o jornal. Não lhe apetecia conversar. Deram-lhe uma carta, que ele abriu com indiferença."
a) Identifique e classifique as colocações pronominais presentes no trecho (próclise, ênclise, mesóclise).
b) O que esse trecho revela sobre a preferência de colocação pronominal em Portugal?
c) Como um escritor brasileiro contemporâneo provavelmente reescreveria a primeira frase, mantendo o tom formal?
Questão 10 – Desafio de produção
Escreva um parágrafo (4 a 6 linhas) sobre um encontro entre um brasileiro e um português, no qual ambos estão se conhecendo. Utilize obrigatoriamente:
· Uma frase com colocação típica brasileira (próclise em caso facultativo).
· Uma frase com colocação típica portuguesa (ênclise em caso facultativo).
· Uma frase em que ambos usariam a mesma colocação (próclise obrigatória com palavra atrativa).
Destaque as colocações utilizadas e identifique qual variante cada uma representa.
Seu parágrafo:
Gabarito Comentado
Questão 1:
a) A (Ênclise inicial é a norma culta padrão em ambos).
b) B (Próclise inicial é marca da oralidade brasileira).
c) B (Brasil prefere próclise com sujeito explícito).
d) P (Portugal prefere ênclise com sujeito explícito).
e) A (O "não" atrai o pronome em qualquer variante).
Questão 2:
a) Segunda opção (A ênclise é natural na fala portuguesa).
b) Primeira opção (A norma culta brasileira formal ainda exige ênclise inicial).
c) Segunda opção (Regras de atração são universais na língua).
Questão 3:
a) P (Estrutura "estar a + infinitivo" é europeia).
b) B (Gerúndio com pronome solto é brasileiro).
c) P (Ênclise ao auxiliar "ter" é o padrão de Portugal).
d) B (Próclise ao auxiliar é a tendência no Brasil).
Questão 4:
a) Empresta-me o caderno.
b) Empresta-me o caderno.
Questão 5:
a) Diga-me
b) Diga-me
c) me
d) chamou-me
Questão 6:
c) Justificativa: No Brasil, o natural é "O João me deu". A ênclise com sujeito claro soa muito formal para nós, mas é o padrão em Portugal.
Questão 7:
b) Parece-me... (Em Portugal, não se inicia frase com pronome átono em registro algum).
Questão 8:
Resposta: Sim, está correta em ambos.
Justificativa: A palavra "que" funciona como um pronome relativo. Pronomes relativos são palavras atrativas obrigatórias tanto no Brasil quanto em Portugal, exigindo a próclise.
Questão 9:
a) Tinha-se levantado (ênclise ao auxiliar); Sentou-se (ênclise inicial); pôs-se (ênclise inicial); Não lhe apetecia (próclise com advérbio negativo); Deram-lhe (ênclise inicial).
b) Revela que Portugal utiliza a ênclise como "posição padrão", só usando a próclise quando há um atrativo (como o "não").
c) Um brasileiro escreveria: "Tinha se levantado" (próclise ao auxiliar é mais natural no Brasil).
Questão 10
Resposta livre. Exemplo esperado:
"O brasileiro me cumprimentou com um sorriso largo (próclise típica brasileira). O português apresentou-se com educação: 'Chamo-me João' (ênclise típica portuguesa). Nenhum dos dois se ofendeu com a curiosidade do outro (próclise com palavra atrativa nenhum, comum aos dois)."
a) A (Ênclise inicial é a norma culta padrão em ambos).
b) B (Próclise inicial é marca da oralidade brasileira).
c) B (Brasil prefere próclise com sujeito explícito).
d) P (Portugal prefere ênclise com sujeito explícito).
e) A (O "não" atrai o pronome em qualquer variante).
Questão 2:
a) Segunda opção (A ênclise é natural na fala portuguesa).
b) Primeira opção (A norma culta brasileira formal ainda exige ênclise inicial).
c) Segunda opção (Regras de atração são universais na língua).
Questão 3:
a) P (Estrutura "estar a + infinitivo" é europeia).
b) B (Gerúndio com pronome solto é brasileiro).
c) P (Ênclise ao auxiliar "ter" é o padrão de Portugal).
d) B (Próclise ao auxiliar é a tendência no Brasil).
Questão 4:
a) Empresta-me o caderno.
b) Empresta-me o caderno.
Questão 5:
a) Diga-me
b) Diga-me
c) me
d) chamou-me
Questão 6:
c) Justificativa: No Brasil, o natural é "O João me deu". A ênclise com sujeito claro soa muito formal para nós, mas é o padrão em Portugal.
Questão 7:
b) Parece-me... (Em Portugal, não se inicia frase com pronome átono em registro algum).
Questão 8:
Resposta: Sim, está correta em ambos.
Justificativa: A palavra "que" funciona como um pronome relativo. Pronomes relativos são palavras atrativas obrigatórias tanto no Brasil quanto em Portugal, exigindo a próclise.
Questão 9:
a) Tinha-se levantado (ênclise ao auxiliar); Sentou-se (ênclise inicial); pôs-se (ênclise inicial); Não lhe apetecia (próclise com advérbio negativo); Deram-lhe (ênclise inicial).
b) Revela que Portugal utiliza a ênclise como "posição padrão", só usando a próclise quando há um atrativo (como o "não").
c) Um brasileiro escreveria: "Tinha se levantado" (próclise ao auxiliar é mais natural no Brasil).
Questão 10
Resposta livre. Exemplo esperado:
"O brasileiro me cumprimentou com um sorriso largo (próclise típica brasileira). O português apresentou-se com educação: 'Chamo-me João' (ênclise típica portuguesa). Nenhum dos dois se ofendeu com a curiosidade do outro (próclise com palavra atrativa nenhum, comum aos dois)."
Checklist da Aula 13
- Compreendi que o Brasil prefere a próclise e Portugal prefere a ênclise.
- Sei que as palavras atrativas exigem próclise nos dois países.
- Reconheço as diferenças de colocação entre as duas variantes.
- Sei adequar a colocação ao registro e ao público do texto.
- Resolvi os exercícios e compreendi meus acertos e erros.
- Estou pronto para a Aula 14 – Mapa Mental de Revisão.
Ligação com a Próxima Aula
Parabéns! Você acaba de concluir a última aula teórica do Módulo 15. Agora você não só domina as regras da colocação pronominal, como também compreende como elas se manifestam nos dois grandes polos da língua portuguesa.
Na Aula 14 – Mapa Mental de Revisão, faremos a grande síntese de todo o conteúdo do módulo. Com um mapa mental completo e um resumo integrado, você organizará todas as informações antes de começar a maratona de exercícios.
Até lá!
Na Aula 14 – Mapa Mental de Revisão, faremos a grande síntese de todo o conteúdo do módulo. Com um mapa mental completo e um resumo integrado, você organizará todas as informações antes de começar a maratona de exercícios.
Até lá!